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Doze anos depois, criador de Assassin’s Creed Unity admite: “Quisemos fazer demasiado de uma vez”

Doze anos depois, o que realmente correu mal em Assassin's Creed Unity

Assassin's Creed Unity visual PSN

Quem jogou Assassin’s Creed em 2014 dificilmente esqueceu Unity, o jogo que prometia ser a grande demonstração tecnológica da nova geração de consolas para a Ubisoft. Multidões massivas, parkour renovado, cooperação multijogador e um nível de detalhe visual nunca antes visto na saga, a promessa era enorme. O problema é que o resultado ficou tão longe disso que a Ubisoft acabou por oferecer conteúdo pago de graça como forma de pedido de desculpas, e o jogo tornou-se motivo de piada nas redes sociais, com direito aos célebres screenshots de personagens sem rosto.

Mais de uma década depois, o responsável criativo por trás de Assassin’s Creed Unity decidiu finalmente olhar para trás e assumir o que correu mal.

“Talvez tenhamos empurrado demasiadas coisas ao mesmo tempo”

Numa entrevista recente à revista Retro Gamer, Jean Guesdon, veterano da Ubisoft que liderou o desenvolvimento de Assassin’s Creed Unity e que atualmente ocupa o cargo de responsável de conteúdo da marca Assassin’s Creed, explicou os motivos por trás do lançamento problemático do jogo:

Infelizmente, o lançamento de Unity foi um enorme desafio por várias razões. Tal como aconteceu com AC3 e o AnvilNext, o desenvolvimento de Unity foi impactado pela tecnologia incrivelmente nova que permitia escala 1:1, interiores, multidões massivas, um sistema de parkour totalmente novo e uma componente multijogador integrada. Avançar com conteúdo e tecnologia ao mesmo tempo é sempre muito exigente, e talvez este capítulo tenha empurrado demasiadas coisas ao mesmo tempo“.

Guesdon foi ainda mais longe, defendendo que o jogo nunca recebeu o reconhecimento que merecia:

AC Unity é um dos jogos mais subestimados da série“.

O destino de Assassin’s Creed Unity acabou por seguir um padrão que se tornaria familiar na indústria dos videojogos nos anos seguintes, um lançamento tão problemático que ofuscou tudo o resto, levando muitos jogadores a rejeitar o jogo por completo logo à partida. A mesma lógica viria a atingir mais tarde títulos como Cyberpunk 2077 e No Man’s Sky, que protagonizaram histórias de redenção notáveis, mas cujo lançamento inicial continua a marcar a forma como muita gente os recorda.

No caso de Assassin’s Creed Unity, essa reputação acabou por ofuscar aquilo que, de facto, o jogo trazia de novo à saga. Depois de alguns patches, tornou-se num título perfeitamente jogável e que, ainda hoje, vale a pena experimentar. Foi também a estreia de Arno Dorian, um assassino francês a viver no coração de Paris, construído num dos mundos mais detalhados e vivos que a Ubisoft já tinha criado até então.

Entre as novidades introduzidas por Assassin’s Creed Unity, destacam-se:

  • Personalização granular de vestuário, ao nível de cada peça de roupa
  • Mecânicas de furtividade nunca antes vistas na saga
  • Um motor de multidões particularmente elaborado, que dava à cidade uma sensação de vida raramente igualada
  • Um sistema de combate mais exigente, bem diferente do que se via nos jogos anteriores
  • Missões cooperativas para até quatro jogadores em simultâneo
  • Uma ligação narrativa com Assassin’s Creed: Rogue

Foi precisamente esta ambição de juntar tanta coisa nova de uma só vez, tanto a nível de conteúdo como de tecnologia, que Guesdon aponta como a principal razão para os problemas técnicos que marcaram o lançamento do jogo, e que, mais de dez anos depois, continuam a ser a primeira coisa que muita gente associa a Assassin’s Creed Unity, apesar de tudo o resto que o jogo conseguiu trazer à franquia.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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