
O nome Mokochan já não é estranho a quem tem seguido de perto a nova adaptação de Ghost in the Shell, produzida pelo estúdio Science SARU. O diretor, responsável por trazer para o anime o universo criado por Masamune Shirow, tem chamado a atenção não só pelo resultado do seu trabalho, mas também pela forma pouco convencional como encara o processo criativo. Depois de ter revelado que recorreu a uma espécie de “comunhão espiritual” imaginária com o próprio Shirow para manter a fidelidade à obra original, chegou agora a vez de explicar a origem do seu peculiar pseudónimo, um tema que rapidamente se tornou viral entre os fãs japoneses de anime.
Em entrevista à japonesa Pen Online, Mokochan, cujo percurso na indústria de animação começou por uma paixão pelas Tartarugas Ninja e se consolidou com o seu contributo para o anime Dandadan, deixou claro que o nome não tem qualquer intenção de brincadeira. “Houve uma altura em que pensei para mim próprio: ‘Larga o ego e torna-te numa máquina de desenhar!’ E foi a partir desse momento que comecei a pensar em mim como Mokochan. Não estou a fazer isto de forma leviana, acredito que é a minha própria forma de assumir responsabilidade com sinceridade”, afirmou.
Coerente com este ideal de “máquina de desenhar”, o diretor garante não ter “absolutamente nenhuma intenção” de exibir a sua sensibilidade pessoal no trabalho que desenvolve em anime. Em vez disso, considera que a “fisicalidade”, o gesto concreto de desenhar, é muito mais relevante do que a expressão individual dentro da produção de animação.
Segundo explica, “a produção de animação envolve organizações enormes e complexas, com pessoas a desempenhar uma grande variedade de papéis. O processo é altamente especializado, e há alturas em que, mais do que expressar originalidade, o que é exigido é a capacidade técnica de desenhar de acordo com instruções. Mas, no momento em que algo passa pelas próprias mãos e se torna o teu trabalho, acaba inevitavelmente por ganhar a marca de quem o criou. Depois de passar a confiar nesse tipo de assinatura física, deixei de sentir qualquer necessidade particular de me expressar”.
Mokochan sublinha ainda que esta postura se manteve inalterada mesmo depois de ter feito a sua estreia como diretor com esta série, um percurso que representa também a sua primeira experiência à frente de um projeto anime desta dimensão.
Esta forma de pensar sobre o ofício de animar não fica apenas pelo discurso. A nova adaptação de Ghost in the Shell tem sido destacada precisamente pela aposta quase total em animação desenhada à mão, incluindo elementos de pormenor como a tipografia peculiar usada nos letreiros de rua da série, num esforço deliberado para manter a textura visual associada à obra original de Shirow e afastar-se do uso de ferramentas de inteligência artificial generativa no processo de produção.
The Ghost in the Shell (Kōkaku Kidōtai THE GHOST IN THE SHELL), o novo anime de Ghost in The Shell, estreou a 7 de julho e está disponível para visualização através da Prime Video.








