
Antes de se tornar um dos nomes mais associados à Xbox, Phil Spencer esteve mais perto do que se pensava de seguir um caminho completamente diferente dentro da indústria dos videojogos. Segundo Bobby Kotick, antigo CEO da Activision Blizzard, Spencer chegou a ser contratado para liderar uma das divisões da própria Activision, numa altura em que ainda não fazia parte da Microsoft na função pela qual ficaria conhecido.
A revelação surge de uma entrevista de Kotick ao podcast Grit, produzido pela Kleiner Perkins, gravada em fevereiro de 2025 com Bing Gordon, consultor da empresa de capital de risco. A conversa, disponível no canal de YouTube da Kleiner Perkins, voltou recentemente a ganhar destaque depois de ter sido partilhada pelo utilizador Idle Sloth na rede social X.
De acordo com Kotick, Phil Spencer já tinha sido colocado à frente de um dos negócios da Activision quando recebeu uma proposta que acabaria por redefinir a sua carreira, a liderança da Xbox. Foi Spencer quem ligou pessoalmente a Kotick para o informar da oferta.
A resposta de Kotick, segundo o próprio conta na entrevista, foi imediata, entendeu que se tratava do emprego dos sonhos de Spencer e incentivou-o a aceitar, ainda que preferisse mantê-lo na Activision. O antigo CEO chegou mesmo a admitir que via em Spencer um potencial substituto para o seu próprio cargo, afirmando que “estava pronto para o contratar para provavelmente vir a ser o meu sucessor”.
O papel de Spencer na compra da Activision Blizzard
A relação entre os dois executivos voltaria a ser relevante anos mais tarde, durante o processo que levou a Microsoft a adquirir a Activision Blizzard, anunciado em janeiro de 2022 e concluído em outubro de 2023 por 68,7 mil milhões de dólares. Kotick sublinha que conhecer bem Spencer facilitou as negociações, descrevendo-o em termos pessoais: “conhecia o rapaz, gostava do rapaz, e achava que ele seria um bom guardião, um verdadeiro bom guardião do negócio para o futuro”.
Nos meses que antecederam a sua saída da empresa, em dezembro de 2023, Kotick chegou a reportar diretamente a Spencer, que entretanto tinha assumido a liderança da Microsoft Gaming. Essa proximidade, recorda agora, ajudou a garantir uma transição mais estável para as equipas da Activision Blizzard após a conclusão do negócio.
O episódio ganha um contorno particular quando colocado em perspetiva com o desfecho real, o executivo que Kotick via como sucessor acabou do outro lado da mesa, a liderar a empresa que comprou a Activision.
O percurso de Phil Spencer até à liderança da Microsoft Gaming
Phil Spencer juntou-se à Microsoft ainda como estagiário, em 1988, e passou por várias funções internas antes de assumir formalmente a liderança da marca Xbox em 2014, a pedido do CEO da Microsoft, Satya Nadella. Em 2022, já depois de várias promoções, tornou-se CEO da Microsoft Gaming, cargo que manteve durante cerca de 12 anos à frente da divisão de jogos da empresa.
Spencer anunciou a sua reforma em fevereiro de 2026, após quase quatro décadas ligado à Microsoft, sendo substituído por Asha Sharma, anterior responsável de produto na divisão CoreAI da empresa e antiga COO da Instacart. A saída de Spencer marcou o fim de uma das lideranças mais longas na história da Xbox, numa altura em que a divisão de jogos da Microsoft enfrenta desafios significativos de receita e reestruturação.
Fica por responder, ainda assim, a questão que a própria entrevista de Kotick deixa no ar, como teria evoluído a Activision caso Phil Spencer tivesse aceite liderar a editora em vez de seguir para a Xbox.








