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5 animes que Eiichiro Oda viu em criança e que explicam One Piece

Há quem pense que One Piece nasceu do nada, fruto apenas da imaginação de Eiichiro Oda. A verdade é bem menos romântica e muito mais interessante, grande parte do que hoje reconhecemos como marca registada da série, o humor, a estrutura da tripulação, os poderes, já existia, de forma dispersa, em séries anime das décadas de 1970 e 1980.

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Space Adventure Cobra

Space Adventure Cobra

Um pirata do espaço com uma arma laser escondida no braço esquerdo. É basicamente assim que se resume Cobra, protagonista da série que estreou em 1982 e que rapidamente se tornou um marco da televisão nocturna japonesa. Acompanhado por uma parceira androide, Cobra percorre uma galáxia onde as regras da física raramente se aplicam, cruzando-se com caçadores de recompensas e civilizações antigas escondidas em planetas cada vez mais estranhos.

O tom da série mistura um certo noir espacial com paisagens completamente absurdas, algo que se tornou possível graças à banda sonora jazz e a um argumento que nunca se preocupou muito em explicar as regras do seu próprio universo. Cobra finge a própria morte para escapar à Pirate Guild, uma organização criminosa gigantesca, e essa fuga acaba por servir de pretexto para uma viagem interminável por planetas, cada um com a sua própria ameaça, o seu próprio mistério e as suas próprias regras.

É precisamente essa imprevisibilidade que Oda costuma apontar como uma das grandes referências para a construção da Grand Line. Nenhum planeta visitado por Cobra se parece com o anterior, tal como nenhuma ilha do mundo de One Piece partilha clima, gravidade ou sistema político com a ilha seguinte. A ideia de um vagabundo carismático que confia apenas nos próprios instintos para sobreviver a um universo em constante mudança está bem mais próxima de Luffy do que a maioria dos fãs imagina.

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Kinnikuman

Kinnikuman Perfect Origin Arc 1st visual (1)

Antes de se tornar uma das grandes sagas de wrestling da animação japonesa, Kinnikuman começou como uma paródia às histórias tradicionais de super-heróis. A série, de 1983, segue Suguru Kinniku, um herói desastrado que precisa de vencer combates de wrestling para não perder o seu título real. O que sustentou a popularidade da série ao longo dos anos foi sobretudo o elenco, dezenas de personagens excêntricas, cada uma construída à volta de um tema quase absurdo, mas que ainda assim conseguia arrancar reacções genuínas do público.

O universo gira à volta dos Chojin, uma raça de super-humanos e mutantes que disputam torneios praticamente teatrais. Há heróis desenhados à volta de uma chávena de chá gigante, vilões com formato de mão, e mesmo assim os combates são tratados com uma seriedade que contrasta com o design das personagens. Há lesões, há sangue, há rivalidades que se arrastam ao longo de vários episódios, obrigando o espectador a levar a sério algo que, só pelo aspecto visual, facilmente seria descartado como piada.

Esta contradição entre design absurdo e combate a sério é exactamente a lógica que Oda aplicou ao sistema Akuma no Mi. Um poder como o de Springman, capaz de transformar o corpo numa mola, prova que uma ideia aparentemente cómica pode ser tacticamente perigosa. Em One Piece, esticar-se como borracha, transformar-se numa casaca ou girar como um pião poderiam facilmente ficar reduzidos a piada visual, mas Oda trata estes poderes com a mesma seriedade estratégica que via em Kinnikuman quando era criança.

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 Vicky the Little Viking

Conhecida fora do Japão como Vicky the Viking, esta série estreou em 1974 e é provavelmente a influência mais citada por Oda sempre que o tema é a origem de One Piece. Numa entrevista à editora Viz, o próprio autor admitiu que o seu interesse por piratas nasceu aqui, em criança, adorava esta história sobre um rapaz pequeno que viaja pelo mar junto do pai e de uma tripulação de vikings enormes.

O que torna Vicky diferente de outros protagonistas de aventura é precisamente a ausência de força física. Sempre que a tripulação adulta fica encurralada por inimigos astutos ou por catástrofes naturais, é o raciocínio de Vicky, não a espada de ninguém, que resolve o problema. A série constrói um retrato bastante caloroso da vida marítima, com os vikings adultos a serem fanfarrões e barulhentos, mas profundamente leais uns aos outros apesar das constantes discussões internas.

Esta abordagem mudou por completo a forma como Oda pensou os piratas de One Piece. Em vez de recorrer à imagem clássica do pirata violento e ganancioso da história ocidental, os Chapéus de Palha acabaram por herdar o espírito de camaradagem que já existia em Vicky the Viking. A tripulação de Luffy valoriza muito mais a liberdade do mar e a emoção da descoberta do que propriamente o saque ou a riqueza, e essa escolha tem uma origem bem concreta numa série que a maior parte dos fãs de One Piece provavelmente nunca ouviu falar.

2
Lupin III

Lupin III Part 6 imagem promocional

Lupin III segue o neto do lendário ladrão de casaco e cartola Arsène Lupin, sempre um passo à frente do inspector Zenigata depois de mais um assalto praticamente impossível. Ao seu lado estão Jigen, um atirador de precisão notável, e Goemon, um samurai capaz de cortar praticamente qualquer coisa com a espada. A série tornou-se um clássico graças ao ritmo acelerado, à comédia constante e à relação entre um grupo de fora-da-lei que vive completamente à margem da sociedade convencional.

Por trás da comédia, existe um submundo criminoso bastante elaborado, cheio de gadgets, tesouros antigos e conspirações políticas internacionais. Cada elemento do grupo domina uma habilidade muito específica, e a presença de Fujiko Mine, capaz de trair Lupin por dinheiro sempre que lhe convém, mantém a dinâmica do grupo permanentemente instável, ainda que nunca deixe de haver confiança de fundo entre eles.

Foi esta estrutura, um pequeno grupo de especialistas altamente competentes a viajar de lugar em lugar enquanto foge das autoridades, que Oda replicou ao montar os Chapéus de Palha. A elegância de Sanji, a independência calculista de Nami e a excentricidade mecânica de Franky remetem directamente para os arquétipos criados décadas antes por Lupin, Jigen e Fujiko, ainda que poucos fãs façam essa ligação hoje em dia.

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Dragon Ball

capa Dragon Ball Vol. 7 (3 em 1) Devir (1)

Se há série que Oda nunca escondeu como principal inspiração, é Dragon Ball, de Akira Toriyama. A obra é praticamente considerada o modelo do anime de acção moderno, tendo introduzido conceitos que hoje parecem óbvios em qualquer shonen: níveis de poder em constante escalada, arcos de treino intensos e transformações que só acontecem no momento mais decisivo da batalha. Tudo começa com Son Goku, um rapaz ingénuo com cauda de macaco, à procura de esferas mágicas capazes de realizar desejos.

Ao longo da série, o universo de Dragon Ball expandiu-se de uma simples aventura de artes marciais para um mundo repleto de deuses, alienígenas e energia espiritual, com Goku a ultrapassar constantemente os próprios limites para proteger a Terra. Um dos aspectos mais marcantes da obra é a ideia de que a verdadeira força de um herói não vem do desejo de poder, mas da vontade genuína de proteger quem lhe é próximo, uma filosofia que Oda transportou quase intacta para Luffy.

A ligação entre as duas obras é visível praticamente em todos os capítulos de One Piece. Luffy herdou de Goku o coração puro, o otimismo inabalável e o apetite lendário por comida, e as transformações Gear do protagonista seguem diretamente a lógica de escalada de poder popularizada pelas formas Super Saiyajin. Não é exagero dizer que, sem Dragon Ball, dificilmente teríamos One Piece na forma como o conhecemos hoje.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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