Jujutsu Kaisen conquistou uma reputação bem merecida quando o assunto são as suas cenas de ação. O confronto entre Yuji e Todo contra Mahito, ou o duelo entre Gojo e Sukuna, aparecem regularmente em listas de melhores combates de anime. Mas afirmar que ninguém consegue superar esse nível é ignorar boa parte da história do anime.
5One-Punch Man
A piada central de One-Punch Man está logo no título, Saitama consegue derrotar qualquer inimigo com um único murro, o que devia, à partida, tornar os combates previsíveis e aborrecidos. Acontece precisamente o contrário.
É esse desequilíbrio absurdo que transforma cada confronto numa espécie de comédia bem coreografada. Os vilões investem tudo o que têm, exibem poderes cada vez mais elaborados, criam cenários cada vez mais dramáticos, e Saitama resolve tudo em segundos. Conseguir manter esse contraste engraçado sem deixar a animação parecer pobre ou repetitiva é um equilíbrio difícil de alcançar, mas a série faz isso com uma naturalidade impressionante (primeira temporada).
A verdadeira variedade de One-Punch Man, porém, aparece quando Saitama sai de cena. Personagens como Genos ou Garou enfrentam adversários mais equiparados às suas próprias capacidades, o que permite explorar coreografias bem mais tradicionais e intensas. Há ainda batalhas que fogem completamente ao cenário urbano habitual.
4Solo Leveling
Enquanto muitos protagonistas de shonen precisam de anos de treino e sacrifício para se tornarem poderosos, Sung Jinwoo segue um caminho quase vertiginoso. Em poucos meses, passa do rank mais fraco possível, o E, até ao mais elevado, o S, uma progressão sustentada por um misterioso Sistema capaz de o trazer de volta mesmo depois de roçar a morte.
Essa evolução meteórica dá aos combates de Solo Leveling uma sensação constante de escalada, algo que raramente se mantém tão consistente ao longo de uma série inteira. Comparado com percursos como o de Yuji Itadori ou Megumi Fushiguro em Jujutsu Kaisen, o crescimento de Jinwoo é mais rápido, mais visual e, de certa forma, mais espetacular de acompanhar ecrã a ecrã.
O confronto entre Jinwoo e o Rei das Formigas, Beru, é normalmente apontado como um dos melhores exemplos dessa animação cuidada e do ritmo acelerado que caracteriza a série. E, ainda há mais por vir, o combate de Jinwoo contra os três Monarcas promete manter esse mesmo nível quando for finalmente adaptado para anime. Fica a nota honesta de que a narrativa e a profundidade emocional de Solo Leveling nem sempre acompanham o nível dos seus combates, mas é precisamente aí, nas cenas de ação, que a série brilha sem qualquer concorrência à altura.
3Hunter x Hunter
Há uma ironia curiosa em incluir Hunter x Hunter nesta lista, sem esta série, é bem possível que Jujutsu Kaisen nem existisse na forma que conhecemos hoje. Gege Akutami já assumiu, várias vezes, que a obra de Yoshihiro Togashi foi uma das suas maiores influências, tendo acompanhado o mangá desde criança, muito antes de sequer imaginar criar a própria história.
O que torna os combates de Hunter x Hunter tão diferentes é a rejeição da força bruta como resposta única. Em vez de dois adversários trocarem golpes até um deles cair, os confrontos assumem quase sempre um caráter estratégico, quase filosófico, em que raciocinar mais depressa pode valer tanto quanto bater mais forte.
O duelo entre Kurapika e Uvogin resume bem essa filosofia, o adversário fisicamente mais forte nem sempre sai vencedor quando enfrenta alguém disposto a pensar várias jogadas à frente. É essa abordagem mais cerebral, e menos dependente de poder puro, que continua a fazer de Hunter x Hunter uma referência incontornável décadas depois da sua estreia, e que ajuda a explicar por que motivo tantos criadores, incluindo o próprio Akutami, continuam a citá-la como inspiração.
2Naruto Shippuden
Costuma dizer-se que as sequelas raramente superam o original, mas Naruto Shippuden é uma das exceções mais citadas dentro do género. O sistema de jutsus mantém-se complexo o suficiente para prender a atenção, sem nunca se tornar confuso, um equilíbrio que nem sempre é fácil de alcançar em séries com tantos anos de história.
Enquanto outros animes são frequentemente criticados por sistemas de poder pouco claros, Naruto Shippuden aposta numa base sólida, ancorada na energia vital de cada personagem. Essa coerência interna reflete-se diretamente na qualidade das lutas, cada estilo de combate tem identidade própria, e raramente algo parece forçado apenas para servir o enredo.
O verdadeiro trunfo da série, no entanto, está na forma como entrelaça ação com emoção. Vingança e perdão atravessam praticamente toda a narrativa, e é por isso que confrontos como Itachi contra Sasuke, ou Naruto contra Sasuke, pesam tanto mais do que uma simples troca de golpes. Jujutsu Kaisen também sabe construir momentos emocionalmente intensos, mas Naruto Shippuden consegue atingir ainda mais fundo, beneficiando de dezenas de episódios de construção de relações complicadas entre as suas personagens.
1JoJo’s Bizarre Adventure
Se há uma série disposta a reinventar constantemente as regras do próprio combate, essa série é JoJo’s Bizarre Adventure. O conceito de Stand, uma manifestação visual do poder de cada personagem, visível apenas para outros utilizadores, é um dos sistemas mais originais de todo o meio, com mais de cem variações diferentes ao longo da franquia.
Com tanta variedade, é praticamente impossível encontrar dois combates iguais ao longo da série. Essa originalidade tem ainda outra vantagem, transforma cada luta numa espécie de puzzle em tempo real. Como a maioria das personagens desconhece as capacidades exatas do Stand adversário, cada confronto funciona em duas camadas simultâneas, o combate físico propriamente dito, e a tentativa de decifrar o que o inimigo é realmente capaz de fazer antes que seja tarde demais. É essa mistura de ação e mistério que continua a distinguir JoJo’s Bizarre Adventure de praticamente tudo o resto no género.









