
Um professor de 60 anos foi demitido de uma escola primária pública em Yokohama depois de ter sido apanhado a captar imagens ilegais por baixo da saia de uma mulher numa carruagem de metro, um caso que voltou a colocar em evidência o problema persistente da filmagem clandestina no transporte público japonês.
O Conselho de Educação Municipal de Yokohama confirmou na sexta-feira passada o despedimento disciplinar de Mamoru Matsuno, docente da Escola Primária Municipal de Onda, na sequência de um incidente ocorrido a 24 de junho. Segundo o Kyodo News, por volta das 18h00, Matsuno introduziu discretamente o smartphone por baixo da saia de uma passageira enquanto o metro se encontrava parado na Estação de Yokohama, captando imagens conhecidas no Japão como tosatsu, um termo usado para designar filmagens de voyeurismo feitas sem o consentimento da vítima.
Confrontado pelos investigadores sobre os motivos que o levaram a agir desta forma, o professor não escondeu a intenção por trás do ato. Segundo a citação divulgada pela imprensa japonesa, Matsuno afirmou: “Queria experimentar uma sensação de realização e de entusiasmo”.
A polícia deteve o docente, com décadas de carreira no ensino, em julho, por suspeita de violação da lei japonesa contra a fotografia e filmagem de natureza sexual sem consentimento. O caso não chegou a julgamento em tribunal comum, Matsuno acabou por receber uma ordem sumária de pagamento de uma coima no valor de 500 mil ienes, o equivalente a cerca de três mil euros.
Depois de tornado público o caso, o conselho de educação da cidade emitiu um pedido de desculpas formal, comprometendo-se a reforçar a formação ética dos professores sob a sua tutela. Em comunicado, a entidade afirmou: “Vamos envidar todos os esforços para fomentar um sentido de conformidade e ética entre o nosso corpo docente, de forma a restaurar a confiança pública“.
O caso surge num contexto em que as autoridades japonesas têm vindo a apertar o cerco a este tipo de crime. Em 2023, o país aprovou uma reforma legislativa alargada às leis sobre crimes sexuais, que passou a criminalizar de forma explícita e uniforme, a nível nacional, a captação de imagens sob roupa, a filmagem de atos sexuais sem consentimento e a distribuição deste tipo de conteúdo, algo que até então dependia de legislação distinta em cada prefeitura. Só em 2021, a polícia japonesa registou mais de cinco mil detenções por filmagens clandestinas, um número recorde e cerca do triplo dos casos registados em 2010.









