
A Sony Interactive Entertainment está a explorar uma forma pouco convencional de tornar a PlayStation Network mais segura, criar contas falsas, controladas por inteligência artificial, que se fazem passar por utilizadores comuns para atrair e identificar quem anda à procura de vítimas.
A ideia consta de uma patente intitulada Large Language Model Powered Social Integrity System, registada sob o número de aplicação 18/314775 e tornada pública a 13 de agosto de 2026. O pedido junto das autoridades de propriedade intelectual remonta a fevereiro de 2023.
Em vez de vasculhar as conversas de todos os jogadores à procura de comportamentos suspeitos, o sistema descrito por Sony propõe algo mais próximo de uma operação de infiltração digital. São criadas as chamadas pseudocontas, perfis geridos por um modelo de linguagem que imitam o padrão de mensagens de um determinado grupo demográfico, incluindo menores, para parecerem alvos plausíveis.
O próprio documento da patente explica o mecanismo nestes termos:
“Uma pseudoconta é configurada para imitar o comportamento de mensagens demográfico de uma potencial vítima, ao mesmo tempo que parece completamente legítima para um utilizador antissocial (AS). Isto pode implicar imitar o comportamento de mensagens de menores e apresentar esse comportamento onde os utilizadores AS o procuram“.
Quando outra conta contacta esta isca, o sistema passa a analisar a conversa e o comportamento associado a essa conta em busca de sinais de alerta. Entre os exemplos indicados na patente estão pedidos de informações pessoais, perguntas sobre idade ou interesses, envio de presentes sem motivo aparente, mudanças frequentes de conta, uso de contas temporárias descartáveis, tentativas de levar a conversa para outra plataforma, além de padrões associados a burlas, spam e batota em jogos online.
Um dos aspetos mais interessantes da proposta é que ser sinalizado por este sistema não significaria um banimento automático. Segundo a patente, uma conta suspeita poderia continuar ativa, mas sob observação. O sistema aguardaria até que essa pessoa tentasse contactar um jogador real para, só nesse momento, apresentar um aviso de que aquela conta pode representar um risco.
Os responsáveis pela moderação teriam ainda outras opções à disposição, como continuar a monitorizar a conta em segredo, desativá-la de imediato ou informar diretamente o utilizador de que está a ser vigiado. Interações suspeitas repetidas ou várias queixas de outros jogadores poderiam levar, mais tarde, à suspensão da conta das funcionalidades de mensagens.
Vale a pena sublinhar que, para já, não há qualquer indicação de que este sistema esteja a funcionar na PlayStation Network. Como acontece com a esmagadora maioria dos pedidos de patente, este documento comprova apenas que a Sony desenvolveu e protegeu legalmente o conceito, não que a tecnologia vá alguma vez chegar às consolas dos jogadores. É comum que empresas de tecnologia registem ideias que nunca saem do papel, e a própria Sony já o fez antes com outros sistemas baseados em IA que acabaram por não ser lançados.









