Poucos animes conseguiram construir um elenco tão apreciado como o de Demon Slayer, onde até os antagonistas se tornaram parte do encanto da série. Mas nem todos os fãs ficaram totalmente convencidos. Seguem 5 exemplos de animes que levam a escrita dos seus antagonistas a um nível bem mais sofisticado.
5Monster
Comecemos pelo extremo oposto, em vez de um elenco alargado, Monster aposta praticamente tudo numa única figura. Produzida pelo estúdio Madhouse, a série tem em Johan Liebert aquele que é, para muitos, um dos melhores vilões de sempre em anime, e o mais impressionante é que consegue esse estatuto sem recorrer a nada sobrenatural.
Johan não tem poderes especiais nem uma força descomunal. É apenas um homem extremamente carismático e inteligente, capaz de manipular quase qualquer pessoa ao identificar exatamente onde estão as suas fraquezas. Por dentro, porém, é alguém profundamente niilista, para quem a vida não parece ter qualquer significado real, o que torna as suas ações ainda mais difíceis de prever ou de justificar.
O mais notável é que a série nunca tenta suavizar essa imagem através de um passado trágico que explique tudo, nem procura levar o espectador a sentir pena dele. Em vez disso, Monster assume por completo a ideia de um verdadeiro “monstro” humano, e é precisamente essa recusa em simplificar Johan que continua a fazer dele uma referência incontornável sempre que se fala dos melhores vilões do género.
4Gintama
Se há série em que ninguém esperaria encontrar vilões memoráveis, essa série é Gintama, conhecida sobretudo pelo seu humor absurdo e episódico. É precisamente por isso que os seus antagonistas surpreendem tanto. Produzida inicialmente pela Sunrise e, mais tarde, pela Bandai Namco Pictures, a série guarda, escondidos atrás das piadas, alguns dos vilões mais bem escritos de todo o shonen.
Basta a série entrar num arco mais sério para que esses antagonistas se transformem em ameaças genuinamente intimidantes, mudando por completo o tom da narrativa durante esses episódios. Personagens como Takasugi, Kamui ou Utsuro nunca são tratadas como simples obstáculos, a série dedica tempo a explicar as suas motivações, crenças e a ligação profunda que mantêm com os protagonistas, o que dá peso real a cada confronto.
Não é por acaso que muitos destes vilões acabam por ter direito a um momento de redenção, algo que só funciona porque já foram construídos com cuidado suficiente para que essa transformação pareça ganha, e não apenas conveniente para o argumento. Mesmo quando o humor volta a dominar, é esse trabalho de fundo que garante à série momentos emocionais à altura de qualquer shonen mais sério.
3Hunter x Hunter
Hunter x Hunter segue uma lógica diferente da maioria das séries shonen, o mundo que constrói não gira apenas à volta dos protagonistas, mas de dezenas de personagens com objetivos e alianças próprias, muitas das quais acabam por entrar em rota de colisão com os heróis sem alguma vez se tornarem simples “maus da fita”.
O Phantom Troupe é talvez o melhor exemplo disso. Trata-se de um grupo de assassinos implacáveis que funciona, ao mesmo tempo, quase como uma família disfuncional, e que ao longo do seu arco raramente entra sequer em conflito direto com os protagonistas, preferindo perseguir os seus próprios interesses como uma facção completamente autónoma dentro da história. Ainda mais notável é o caso de Meruem, que arranca como a personificação quase literal do mal, mas que se transforma, ao longo do arco das Formigas Quimera, numa figura trágica com quem é difícil não simpatizar, tudo isto sem alguma vez se cruzar com o protagonista Gon.
Até os antagonistas que aparecem apenas uma vez raramente parecem existir só para serem rapidamente derrotados. Cada um carrega a sua própria visão de mundo e a sua filosofia, algo que ajuda a explicar por que, nesta série em particular, alguns vilões acabam por ser mais fascinantes de acompanhar do que os próprios protagonistas.
2Attack on Titan
À primeira vista, Attack on Titan parece apostar no tipo de vilão mais básico que existe: monstros gigantes, sem qualquer racionalidade, movidos apenas pelo instinto de devorar humanos. Essa simplicidade, no entanto, dura pouco tempo, e os verdadeiros antagonistas da série revelam-se muito mais complicados de definir.
Na prática, não existem vilões no sentido tradicional dentro desta história. Há, sim, personagens cruéis e moralmente questionáveis, mas o verdadeiro objetivo da narrativa é mostrar como qualquer pessoa pode ser, do ponto de vista de outra, a vilã da sua própria história. Assim que os protagonistas descobrem mais sobre o mundo para lá das muralhas, percebem que, para praticamente todos os outros povos, são eles próprios, os eldianos, quem ocupa esse papel.
É essa mudança de perspetiva que torna a série tão eficaz a esbater a linha entre heróis e vilões. Gabi, Reiner e até Zeke Yeager tornam-se muito mais compreensíveis assim que a narrativa explica os seus motivos, e o caso mais extremo é, sem dúvida, o do próprio Eren, que passa de protagonista heroico a antagonista principal ao desencadear o Rumbling, quase apagando a humanidade do mapa. Ainda assim, depois de tanto tempo a acompanhar a sua perspetiva, muitos fãs continuam relutantes em chamar-lhe simplesmente “vilão”.
1One Piece
Sendo uma aventura tão longa e abrangente como é, não surpreende que One Piece reúna um dos maiores elencos de antagonistas de todo o meio. O que impressiona é a forma como a série consegue tirar partido de praticamente todos eles, dando personalidade própria e um papel bem definido a cada um dentro de um mundo cada vez mais vasto.
Há espaço tanto para vilões descartáveis, criados apenas para um confronto pontual, como para antagonistas bastante mais elaborados e, em muitos casos, surpreendentemente simpáticos aos olhos dos fãs. Crocodile e Doflamingo são bons exemplos disso:, por muito terríveis que sejam os seus atos, há sempre algo de carismático na forma como são escritos, o que torna difícil olhar para eles com desprezo total.
Vale ainda destacar que a série raramente esquece os seus melhores vilões depois de derrotados. Muitos acabam por ajudar a expandir o próprio universo de One Piece, expondo problemas específicos de certas regiões ou representando falhas sistémicas como corrupção e abuso de poder, e personagens como Wapol ou Buggy continuam a ter desenvolvimentos surpreendentes muito tempo depois da sua primeira derrota, prova de que, nesta série, praticamente ninguém é descartado de vez.









