
A Epomaker construiu o seu nome à volta de teclados mecânicos, switches e keycaps, não de headsets. Por isso, quando a marca decidiu entrar no mercado de áudio gaming com o GX1, a expectativa razoável era a de mais um acessório genérico, com RGB a mais e especificações a menos. Não é isso que encontramos aqui. O Epomaker GX1 é um headset wireless com construção open-back, ligação tripla, 7.1 virtual e uma autonomia que ultrapassa largamente a concorrência direta, tudo isto num intervalo de preço que ronda os 45 a 50 euros.
É precisamente essa combinação, um design pouco comum em headsets económicos aliado a uma lista de especificações que normalmente só aparece em produtos bem mais caros, que torna o Epomaker GX1 um caso interessante.

Design e construção
O GX1 pesa cerca de 320 gramas, um valor baixo para um headset com drivers de 50 mm e bateria integrada, e isso nota-se sobretudo na forma como distribui o peso pela cabeça. A headband tem sete posições de ajuste, o que dá alguma margem para quem tem uma cabeça maior ou mais pequena, e as almofadas são construídas em material macio e respirável, um detalhe que faz sentido dado tratar-se de um headset open-back.
O acabamento é resistente a riscos e a manchas de dedos, e a iluminação RGB nas conchas ajuda a justificar o posicionamento gaming do produto sem se tornar excessiva. Não é um headset que pareça premium ao toque, os materiais são sobretudo plástico, mas também não transmite fragilidade. Para o preço, a construção cumpre.
Um pormenor é a sua adequação a quem usa óculos. Sendo um headset leve e com almofadas macias, a pressão lateral é menor do que em modelos mais pesados e mais apertados, o que é muito confortável para sessões prolongadas.
O Epomaker GX1 está disponível em três cores, preto, rosa e branco.

O design open-back é uma boa escolha?
Esta é provavelmente a decisão mais importante de todo o produto, e também a que mais divide opiniões consoante o tipo de utilizador.
Um headset open-back tem as conchas parcialmente abertas, o que permite que o ar, e o som, circulem livremente entre o interior e o exterior. Na prática, isto traduz-se em duas coisas, por um lado, um som mais espaçoso e natural, com uma sensação de profundidade que os modelos fechados normalmente não conseguem replicar; por outro, uma ausência quase total de isolamento acústico. Quem usa o GX1 vai ouvir o que se passa à sua volta, e quem está à volta vai ouvir o que está a sair do headset.
Isto tem implicações diretas na forma como o headset deve ser usado. Em ambientes silenciosos, como um quarto ou um escritório em casa, o open-back é uma vantagem clara, o soundstage mais amplo ajuda a perceber melhor a direção de onde vêm os sons, algo particularmente útil em jogos onde a localização de passos ou de disparos é decisiva. Já em ambientes ruidosos, com trânsito, colegas de casa ou espaços partilhados, o mesmo design torna-se um problema. Não há barreira acústica que impeça o som ambiente de interferir com a experiência, nem impede quem está por perto de ouvir a música ou o jogo.
Por isso, o Epomaker GX1 deve ser entendido como um headset pensado para quem joga sobretudo em casa, num espaço mais controlado, e não como uma escolha para quem viaja com o headset, joga em espaços partilhados ou precisa de isolamento para se concentrar num ambiente ruidoso.

Qualidade de som
Os drivers de 50 mm suportam uma resposta em frequência de 20 Hz a 20 kHz, com uma distorção harmónica total abaixo dos 3%. São números que colocam o GX1 dentro do que é expectável para um headset gaming desta faixa de preço, sem tentar competir com equipamento de áudio profissional.
Nos graves, o comportamento é o que se espera de um driver dinâmico de grande diâmetro aliado a uma construção aberta, há corpo suficiente para dar impacto a explosões e efeitos sonoros, mas sem o exagero artificial que alguns headsets fechados usam para compensar a falta de espaço acústico. Os médios, onde vivem a maior parte das vozes e dos diálogos, beneficiam claramente do design open-back, que evita aquela sensação de som “preso dentro da cabeça” comum em headsets fechados mais básicos. Os agudos mantêm-se claros sem se tornarem estridentes, mesmo em cenas com muitos elementos sonoros em simultâneo.
Para música e conteúdo geral, o resultado é um som equilibrado. Em filmes e séries, o espaço acústico mais amplo ajuda a criar uma sensação de imersão que compensa a ausência de isolamento. Em jogos, é onde o conjunto realmente brilha..

Gaming: onde o GX1 faz mais sentido
Em jogos na primeira pessoa e outros títulos competitivos, a combinação de drivers abertos com boa definição direcional traduz-se numa vantagem prática: passos, recargas de arma e outros sinais sonoros tendem a manter-se distintos mesmo em confrontos com muita informação sonora em simultâneo. A perceção de esquerda e direita é sólida, e a distinção entre frente e trás, historicamente o ponto fraco de qualquer sistema de áudio em headset, beneficia da abertura acústica do design.
Em jogos single-player e mundo aberto, o GX1 tende a favorecer a imersão com a música, efeitos de fundo e diálogo a terem mais espaço para respirar, o que resulta numa experiência menos comprimida do que em headsets fechados equivalentes.
Quanto à ligação sem fios, o modo 2,4 GHz apresenta uma latência de 25 milissegundos, um valor baixo o suficiente para não ser percetível durante o jogo, o que é essencial em títulos competitivos onde cada fração de segundo conta.
Em resumo, o Epomaker GX1 encaixa bem tanto em gaming competitivo como em jogos single-player e utilização casual, mas fá-lo melhor em espaços silenciosos do que em ambientes barulhentos ou partilhados.

O sistema 7.1 virtual
O 7.1 é um dos argumentos de venda mais destacados do GX1, mas vale a pena explicar o que este número realmente significa antes de o considerar uma vantagem automática.
Um headset físico tem sempre dois drivers, um por concha. O 7.1 virtual é um processamento de software que simula múltiplos canais de som através de truques psicoacústicos, criando a ilusão de mais fontes sonoras à volta do ouvinte. Quando bem implementado, este processamento pode melhorar a perceção de localização em jogos. Quando mal implementado, pode ter o efeito oposto, confundindo a imagem sonora e dando a sensação de que os sons vêm de um espaço artificialmente distorcido.
No caso do GX1, o 7.1 funciona melhor como uma opção a ativar consoante o contexto do que como uma definição permanente. Em jogos competitivos, onde a precisão da localização é mais importante do que a espetacularidade, é comum que o som estéreo simples ofereça uma imagem sonora mais limpa e previsível do que o 7.1 virtual. Já em filmes, séries e jogos mais cinemáticos, o efeito de maior amplitude que o 7.1 proporciona pode valorizar a experiência.
A recomendação prática é experimentar ambos os modos consoante o tipo de conteúdo, em vez de assumir que o 7.1 é sempre a opção superior só porque existe.

Microfone
O GX1 vem equipado com dois microfones, um microfone interno, discreto, pensado para chamadas ocasionais, e um microfone boom destacável, equipado com cancelamento de ruído ambiente, pensado para sessões de jogo mais intensas ou chamadas em Discord.
O microfone boom produz uma voz mais próxima e definida, adequada para Discord e comunicação em equipa, enquanto o microfone interno soa mais distante, uma limitação típica deste tipo de solução dupla. Quanto ao ruído de fundo, o ENC lida bem com ruídos constantes como ventoinhas.
Para chamadas de equipa, jogos online e uso diário, o conjunto cumpre bem a sua função. Para quem procura qualidade de gravação ao nível de um microfone USB dedicado, para streaming ou podcasting, este não é o produto certo, nem pretende ser.

Conectividade
O GX1 é um dos poucos headsets nesta faixa de preço a oferecer três modos de ligação distintos, e cada um serve um propósito diferente.
- 2,4 GHz: é o modo pensado para gaming, com um dongle dedicado compatível com portas USB-A e USB-C, e uma latência de apenas 25 milissegundos. É a opção recomendada sempre que a prioridade for a resposta rápida e a estabilidade da ligação.
- Bluetooth: cobre cenários do dia a dia, como ouvir música ou atender chamadas a partir do telemóvel ou de um tablet, mas com uma latência mais elevada, entre 34 e 200 milissegundos consoante o dispositivo, o que a torna menos adequada para jogos que exigem sincronismo perfeito entre imagem e som.
- Cabo: através de USB-C para 3,5 mm ou USB-A para USB-C, garante uma ligação sem depender de bateria, útil como alternativa de recurso ou para quem prefere ligação com fios por princípio.
Em termos de compatibilidade, o GX1 funciona sem problemas com PC e Mac através de qualquer um dos três modos. Na PlayStation 5 e PlayStation 4, a ligação recomendada é o dongle de 2,4 GHz. Na Nintendo Switch, o mesmo dongle também garante compatibilidade.

Autonomia
A bateria integrada tem uma capacidade de 2000 mAh, com a iluminação RGB ativa, a autonomia ronda as 30 horas; com o RGB desligado, esse valor sobe para cerca de 70 horas.
Estes números colocam o GX1 bem acima da média de headsets gaming da mesma faixa de preço, onde é comum encontrar autonomias que não vão além das 15 a 20 horas. O carregamento completo demora cerca de três horas através de USB-C, e o headset suporta a função de continuar a funcionar enquanto carrega, o que é particularmente útil em sessões longas onde não há tempo para esperar por uma carga completa.

Software
O GX1 é configurado através de uma aplicação própria da Epomaker, que permite ajustar equalização através de perfis pré-definidos, ativar ou desativar o 7.1 virtual consoante o conteúdo, e afinar parâmetros básicos do microfone, incluindo o nível de cancelamento de ruído.
A proposta é deliberadamente simples, não há um equalizador multibanda avançado, nem gestão de perfis complexa. Para quem procura afinações finas e um ecossistema de software robusto, esta é claramente uma limitação. Para a maioria dos utilizadores, que apenas quer ligar o headset, escolher um preset e jogar, a simplicidade da aplicação não deverá ser um obstáculo.

Conforto
Com 320 gramas e almofadas macias e respiráveis, o GX1 foi pensado para sessões longas, e o design open-back ajuda nesse aspeto ao permitir maior circulação de ar, reduzindo a acumulação de calor que é comum em headsets fechados ao fim de algumas horas de utilização.
A cabeça é apoiada através de um headband com sete posições de ajuste, o que permite adaptar o encaixe a diferentes tamanhos de cabeça sem gerar pontos de pressão excessivos.
O que mais gostámos
- Design open-back pouco comum nesta faixa de preço, com um soundstage mais amplo e natural
- Ligação tripla (2,4 GHz, Bluetooth e cabo), cobrindo praticamente todos os cenários de uso
- Autonomia muito acima da média do segmento, sobretudo com o RGB desligado
- Microfone boom destacável com boa clareza de voz para Discord e chamadas de equipa
- Peso baixo e boa adequação a quem usa óculos
O que podia ser melhor
- A ausência de isolamento acústico torna o headset pouco indicado para ambientes ruidosos ou partilhados
- Software funcional, mas com poucas opções de personalização avançada
- O microfone interno soa mais distante do que o boom destacável
- O 7.1 virtual não é uma vantagem garantida em todos os contextos, e exige alguma experimentação por parte do utilizador
Veredito
O Epomaker GX1 é um headset que assume riscos pouco comuns para o seu preço, e a maior parte compensa. A escolha por um design open-back é a decisão mais arriscada de todo o produto, mas também a que mais o distingue da concorrência direta, entregando um som mais espaçoso e natural em troca de isolamento acústico, uma troca que faz sentido para quem joga sobretudo em casa, num ambiente silencioso.
Para gaming competitivo, o GX1 cumpre bem graças à baixa latência da ligação 2,4 GHz e a uma boa capacidade de localização sonora, ainda que o 7.1 virtual deva ser encarado como uma opção a testar, e não como uma vantagem automática. Para gaming casual e jogos single-player, o resultado é ainda mais convincente, beneficiando diretamente da amplitude sonora que o design aberto proporciona. Para música e uso geral, o som é equilibrado e agradável, sem pretender competir com equipamento de aúdio profissional.
É um headset confortável, com um peso baixo e um encaixe que deverá funcionar bem em sessões prolongadas, incluindo para quem usa óculos. Para Discord e comunicação em equipa, o microfone boom destacável é um dos pontos mais fortes do conjunto. A conectividade tripla é um argumento de peso, enquanto a autonomia se destaca claramente da concorrência da mesma faixa de preço. Quanto ao preço, o GX1 entrega uma lista de funcionalidades que normalmente exigiria um investimento bem mais alto.
No global, o Epomaker GX1 é uma opção a considerar seriamente para quem joga principalmente em casa e valoriza um som mais espaçoso do que isolamento acústico. Não é a escolha certa para quem precisa de bloquear o mundo à sua volta, mas dentro do seu propósito, é difícil apontar outro headset com este conjunto de características ao mesmo preço.











