
A Xbox atravessa um dos momentos mais delicados da sua história recente, com receitas em queda, margens de lucro reduzidas e um Game Pass que não cresceu ao ritmo que a Microsoft esperava. À frente da tentativa de inverter este cenário está Asha Sharma, que assumiu a liderança da divisão de jogos da Microsoft em fevereiro deste ano, sucedendo a Phil Spencer, e cuja abordagem ao cargo foi agora detalhada num perfil extenso publicado pelo Wall Street Journal.
Sharma, de 38 anos, chegou à Xbox vinda de empresas como a Meta e a Instacart, sem qualquer experiência prévia direta na indústria dos videojogos, o que levantou dúvidas entre jogadores e criadores quando a nomeação foi conhecida. Ainda assim, tem vindo a mostrar-se determinada em transformar rapidamente a estrutura do negócio, guiando-se por um princípio que repete com frequência junto da equipa: “clareza é bondade“.
Essa filosofia tem-se traduzido em comunicação direta sobre os problemas da divisão, mesmo quando as notícias não são positivas. Segundo o mesmo perfil, Sharma já reconheceu junto dos colaboradores que o estado atual do negócio não é saudável e que o modelo do Game Pass não teve o desempenho previsto pela Microsoft. Numa town hall recente, resumiu essa postura da seguinte forma: “Todas as empresas precisam de ser melhores a partilhar questões difíceis e realidades claras“.
Esta abordagem tem sido reconhecida por nomes de peso da indústria. Todd Howard, diretor da Bethesda Game Studios, é um dos nomes citados no perfil do Wall Street Journal, descrevendo o estilo de comunicação de Sharma nestes termos: “Ela é excecionalmente eficaz a ir direta ao assunto e a comunicar com clareza: aqui estão os problemas e aqui estão as oportunidades“.
O mesmo artigo revela ainda como Sharma encarou a decisão de aceitar o cargo de CEO da Xbox, um dos postos de maior visibilidade em toda a indústria dos videojogos. Segundo as suas próprias palavras, a pergunta que se colocou não foi se queria o trabalho, mas se conseguia justificar a sua utilidade nele: “Não foi ‘quero fazer isto?’, mas sim ‘acredito na teoria do caso de que posso acrescentar valor único?’“.
Essa forma de pensar tem-se refletido em decisões concretas desde que assumiu funções. A Microsoft eliminou cerca de 3.200 postos de trabalho ligados aos jogos em julho, o equivalente a cerca de 20% da força de trabalho da Xbox nessa altura, e Sharma tem vindo a reduzir o número de jogos produzidos internamente, concentrando recursos nas franquias com maior potencial de crescimento.
O panorama financeiro ajuda a explicar a urgência da mudança de rumo. De acordo com o mesmo relato do Wall Street Journal, a divisão de jogos da Microsoft gera atualmente cerca de 23 mil milhões de dólares em receita anual, mas opera com uma margem de lucro de apenas 3%, um valor considerado baixo para um negócio desta dimensão.
Apesar do cenário desafiante, tanto Sharma como outros responsáveis de topo da Microsoft mantêm-se confiantes de que a Xbox vai voltar a crescer já no próximo ano fiscal, uma previsão também reforçada anteriormente pelo próprio CEO da Microsoft, Satya Nadella. Para já, a mensagem que Sharma tem levado às equipas internas é clara, encarar de frente os problemas, em vez de os disfarçar, é o primeiro passo para os resolver.









