
A francesa Focus Entertainment, responsável por títulos como Warhammer 40,000: Space Marine 2 e Resonance: A Plague Tale Legacy, confirmou que avançou com queixas legais formais contra jogadores que terão dirigido ameaças diretas a membros da sua equipa. O anúncio foi feito através de uma publicação no perfil oficial da empresa na rede social X, antigo Twitter.
Na mensagem, acompanhada de uma imagem com o aviso “Isto é importante para nós. Por favor, dedica um momento a ler. Obrigado pela tua compreensão“, a Focus Entertainment recorda as regras de conduta nas comunidades ligadas aos seus jogos. A editora sublinha que todos os jogadores têm a obrigação de contribuir para um ambiente de jogo acolhedor e inclusivo, uma exigência que se estende não só a outros jogadores, mas também a moderadores, equipas de desenvolvimento e restante pessoal da empresa.
De acordo com o comunicado, embora as mensagens tóxicas não sejam uma novidade nas comunidades geridas pela Focus, tem-se verificado nos últimos tempos uma escalada no tom dos comentários. Foi esta intensificação que levou a editora a decidir avançar judicialmente contra jogadores que terão ameaçado diretamente membros da equipa.
A Focus Entertainment não identificou publicamente os jogadores visados, nem divulgou o conteúdo exato das mensagens em causa. A empresa descreveu-as apenas como sendo de natureza “violenta e sexista“. Também não foi especificado a que jogo ou comunidade em concreto os comentários estavam associados.
This is important to us. Please take a moment to read.
Thank you for your comprehension. pic.twitter.com/q7XNzIjGAw
— Focus Entertainment (@Focus_entmt) September 15, 2026
Na publicação, a Focus Entertainment reforça que as redes e comunidades criadas em torno dos seus jogos existem para reunir pessoas apaixonadas pelos títulos da empresa, e não para dar espaço a discurso de ódio. O aviso é direto, a editora afirma não tolerar comentários de natureza violenta ou sexual dirigidos à sua equipa, e reserva-se o direito de tomar todas as medidas legais necessárias para garantir a segurança dos seus colaboradores.
Podemos ler: “Os jogadores têm a obrigação de contribuir para a criação de um ambiente de jogo acolhedor e inclusivo“.

Um problema que não é exclusivo da Focus Entertainment
No inquérito State of the Industry da Game Developers Conference, referente a 2023, 91% dos profissionais da indústria que responderam afirmaram que o assédio e a toxicidade por parte de jogadores constituem um problema, entre ligeiro e grave, dentro do setor. Perto de metade dos inquiridos revelou ainda que, ou eles próprios, ou um colega direto, já tinham sido alvo de assédio direcionado, sendo a maioria destes casos relatados por mulheres ou por pessoas da comunidade LGBTQ+.
Casos como o da Activision Blizzard, alvo de um processo movido pelas autoridades da Califórnia em 2021 por alegada discriminação de género e assédio sexual sistemático, ajudaram a colocar este tipo de comportamento sob maior escrutínio público. Mais recentemente, também a equipa por trás do jogo indie Save the Villainess decidiu encerrar a secção de comentários da sua página no itch.io depois de uma campanha de assédio que incluiu mensagens de cariz racista, e que a equipa temia poder evoluir para doxxing.
Onde termina a crítica e começa o crime
Qualquer pessoa tem o direito de criticar decisões de estúdios e editoras, e nos últimos tempos não têm faltado motivos de descontentamento na indústria, entre aumentos de preço em serviços de subscrição e declarações polémicas de figuras conhecidas do setor sobre o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos. Existe, no entanto, uma diferença clara entre criticar de forma fundamentada e ameaçar a integridade física de outra pessoa. Ameaças diretas contra qualquer indivíduo constituem crime, independentemente da plataforma onde ocorrem ou da opinião que se tem sobre a empresa ou o jogo em causa.









