
A Microsoft abriu esta segunda-feira, 26 de outubro, uma nova porta de saída para cerca de 60 mil trabalhadores, o equivalente a aproximadamente um quarto do total de pessoas que emprega. A proposta, chamada Voluntary Exit Offer, foi apresentada num memorando enviado por Amy Coleman, diretora de recursos humanos da empresa.
A oferta está disponível para funcionários de equipas participantes nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Índia, até ao nível 70 da escala interna da empresa. Esse nível abrange gestores gerais e alguns colaboradores com título de vice-presidente, mas não os vice-presidentes corporativos. Nem todas as áreas aderiram, cabe aos responsáveis de cada unidade decidir se o seu grupo participa, e a organização de vendas, bem como alguns grupos de engenharia e funções corporativas, ficaram de fora. No memorando, Coleman escreve: “Não existe uma abordagem de tamanho único para todas as equipas ou todos os colaboradores“.
O pacote equivale ao da indemnização habitual da empresa, que inclui salário-base calculado com base na antiguidade e no nível, manutenção das ações atribuídas (vesting), cobertura de saúde durante um período fixo e serviços de transição de carreira. Não há exigência de idade ou antiguidade, e o desempenho não é critério. Os trabalhadores elegíveis têm até à primeira semana de dezembro para decidir.
A medida surge seis meses depois do primeiro programa de reforma voluntária da história da empresa, aplicado nos Estados Unidos a funcionários até ao nível 67 e com um mínimo de idade somada ao tempo de casa. Cerca de 30% dos 8.750 elegíveis aceitaram, e a Microsoft reconheceu um custo de 900 milhões de dólares com o programa nos resultados de abril. Desta vez, a empresa espera uma adesão bastante mais baixa, uma vez que o pacote não inclui o prolongamento da cobertura de saúde que pesou na decisão de muitos dos que se reformaram.
Apesar do formato voluntário, a Microsoft esclarece que a proposta não substitui os despedimentos, que continuam a fazer parte da sua abordagem consoante as condições do negócio. Em julho, a empresa cortou 4.800 postos de trabalho, cerca de 2% da força de trabalho global, numa altura em que anunciou também uma reestruturação da Xbox. Em setembro seguiram-se mais algumas centenas, depois de mais de 15 mil cortes em 2025. Um porta-voz da empresa garante, ainda assim, que a oferta não significa que sejam necessários menos funcionários, descrevendo-a como uma das várias formas de responder a mudanças nas necessidades do negócio.
A Microsoft está a investir dezenas de milhares de milhões de dólares em centros de dados e infraestrutura de inteligência artificial e enfrenta pressão de Wall Street para controlar as despesas operacionais. O número total de colaboradores era de 223 mil a 30 de junho, antes dos despedimentos de julho, face a 228 mil um ano antes. A empresa apresenta resultados trimestrais na quarta-feira, e os valores poderão incluir uma estimativa do custo desta nova oferta.









