
O Governo japonês está a estudar uma forma de pôr os leitores de todo o mundo a ler mangá de várias editoras no mesmo sítio. A ideia partiu do Ministério das Finanças do Japão e prevê o uso de inteligência artificial para traduzir as obras para vários idiomas. Por enquanto, é apenas uma proposta e não um plano concreto, como explica a Automaton, com base numa reportagem da ABEMA News.
A proposta foi levantada na quinta-feira, 22 de outubro, numa reunião do Conselho do Sistema Fiscal, um órgão consultivo do ministro das Finanças, dedicada às formas de aumentar as receitas que a indústria de conteúdos do país gera fora do Japão. O ministério argumentou que o país não tem hoje uma plataforma que reúna várias editoras, enquanto as plataformas estrangeiras de distribuição de mangá ocupam posições dominantes no mercado.
A plataforma juntaria catálogos de diferentes editoras, com divisão de receitas consoante a utilização e apoio estatal à produção de conteúdos, ao marketing internacional e ao combate à pirataria. O Ministério das Finanças pretende debater a iniciativa antes do orçamento para o ano fiscal de 2027 e procura a colaboração de grandes editoras como a Shueisha e a Kodansha. O mesmo texto refere que só cerca de 3% a 4% dos títulos de mangá japoneses têm tradução oficial em mercados como a América do Norte.
O ponto que promete dividir os leitores
O elemento mais delicado é a tradução automática. O ministério acredita que esta tecnologia pode transformar a plataforma em “um meio para os leitores no estrangeiro desfrutarem das obras japonesas”. Porém, esta componente deverá gerar resistência entre os fãs de fora do Japão, já que as opiniões sobre tradução por IA estão muito mais divididas do que dentro do país.
O Japão já tem projetos em curso nesta área. A empresa Orange alargou a emaqi, uma plataforma de mangá que combina tradução por IA com localização profissional, ao Reino Unido, à Irlanda, à Austrália e à Nova Zelândia. Antes disso, o jornal Yomiuri já tinha noticiado que o Ministério da Economia, Comércio e Indústria estava a preparar cerca de 11,5 mil milhões de ienes em apoios a 15 empresas, com a tradução por IA como um dos objetivos.
A Agência para os Assuntos Culturais e o Ministério da Economia, Comércio e Indústria pediram, para o próximo ano, um orçamento conjunto superior a 250 mil milhões de ienes, que inclui subsídios a atribuir às editoras de forma individual. O Ministério das Finanças lembrou, no entanto, o fracasso amplamente noticiado do Cool Japan Fund para sublinhar que as entidades públicas têm dificuldade em identificar e escolher as empresas com mais potencial para serem financiadas.
As recomendações do conselho devem ser reunidas e entregues ao ministro das Finanças até dezembro, altura em que poderão surgir novidades sobre a plataforma.








