
A Shousetsuka ni Narou, em português algo como “Vamos Tornarmo-nos Escritores de Romances”, é a maior plataforma japonesa de publicação de web novels e o lugar onde nasceu o género narou-kei. Foi lá que surgiram obras como That Time I Got Reincarnated as a Slime, Mushoku Tensei e Re:Zero antes de se tornarem fenómenos mundiais do anime. A 26 de maio, a plataforma anunciou que o número de títulos de anime comercialmente produzidos a partir de obras publicadas no site ultrapassou as 200 adaptações, incluindo títulos programados para estrear até ao final de 2026. O marco coincide com o 22.º aniversário da plataforma, fundada em 2004.
Para celebrar, foi lançado um site dedicado que documenta todas as adaptações de anime desde 2013 até ao presente.
O que é o narou-kei e porque domina o anime
O termo narou-kei joga com o nome da própria plataforma e identifica um conjunto de convenções narrativas, protagonistas reencarnados ou transportados para outros mundos (isekai), habilidades extraordinárias, sistemas de progressão ao estilo de RPG e, frequentemente, harems. Não se aplica apenas a obras publicadas na Shousetsuka ni Narou, passou a descrever qualquer anime ou mangá com estas características, mas foi precisamente nesta plataforma que o padrão se estabeleceu e se tornou dominante na indústria.
O sucesso mundial do género nos últimos anos explica, em parte, porque é que o número de adaptações chegou a 200 sem grande surpresa.
Com o crescimento do interesse comercial vêm também mais problemas. A plataforma reconheceu que o aumento de pedidos de adaptação por parte de empresas tem gerado conflitos mais frequentes entre autores e terceiros. Para responder a isso, está a preparar o lançamento do Narou Partner Program em junho de 2026, um programa de apoio desenhado para ajudar os autores a navegar nos processos de comercialização das suas obras e para ligar empresas a material de qualidade disponível na plataforma.
A declaração obrigatória de uso de IA
O anúncio mais inesperado prende-se com a inteligência artificial. A Shousetsuka ni Narou vai passar a exigir que os autores declarem o grau de utilização de IA nas suas obras. A medida visa reduzir os riscos que podem surgir quando web novels com componentes gerados por IA são adaptadas para produtos comerciais. As categorias definidas pela plataforma são:
- Uso direto (texto final gerado diretamente por IA)
- Uso indireto (rascunho gerado por IA posteriormente reescrito pelo autor)
- Uso auxiliar (IA usada para correção ortográfica, pesquisa ou brainstorming)
- Não utilizado
A partir de 1 de setembro de 2026 as obras que não tiverem esta configuração aplicada deixarão de poder ser atualizadas, os autores não conseguirão submeter novos capítulos nem editar informações das suas obras enquanto não preencherem a declaração.
É uma das primeiras iniciativas deste género por parte de uma grande plataforma de conteúdo criativo no Japão, e chega num momento em que a indústria anime ainda não tem consenso sobre como lidar com conteúdo gerado ou assistido por IA na cadeia que vai da web novel à adaptação.









