Youjo Senki II finalmente tem data: julho de 2026. Para quem esperava desde que a primeira temporada terminou em 2017, foi a confirmação de que às vezes vale a pena não desistir. Mas por cada projeto que sai do limbo, há outros que parecem ter ficado presos nele de forma permanente, anunciados com toda a pompa, celebrados pelos fãs, e depois engolidos pelo silêncio.
Alguns destes casos arrastam-se há quase uma década. Não há cancelamentos oficiais, não há comunicados, não há nada. Só a ausência.
3Katsugeki/Touken Ranbu (filme)
Mal o décimo terceiro episódio da série anime foi exibido, em setembro de 2017, a Ufotable e a Aniplex trataram de anunciar um filme. O momento não poderia ter sido melhor escolhido, o entusiasmo ainda estava vivo, a audiência estava investida, e o estúdio tinha a reputação para o fazer. O anúncio foi recebido com enorme expectativa.
O que ninguém esperava é que quase uma década depois continuaríamos exatamente no mesmo ponto. Surgiram dois teasers ao longo dos anos, um em dezembro de 2021 e outro em dezembro de 2022, que serviram essencialmente para confirmar que o projeto ainda não tinha sido engavetado, mas que também não avançavam com qualquer detalhe concreto sobre história, elenco ou data de lançamento.
Em fevereiro deste ano, a Ufotable voltou a mencionar o filme num reel promocional de projetos futuros, ao lado do anime de Genshin Impact e de Demon Slayer: Infinity Castle Parte 2. A reação dos fãs nas redes sociais oscilou entre o alívio e a frustração, alívio por saber que o projeto ainda existe no radar do estúdio, frustração por não ter surgido nada mais do que isso. Nenhuma data, nenhum trailer, nenhum indício de quando é que esta longa espera poderá terminar.
É um dos casos mais curiosos da Ufotable, um estúdio que raramente deixa projetos por concluir.
2Gunbuster 3
A franquia que começou em 1988 com Gunbuster e ganhou um seguimento em 2004 com Diebuster voltou ao centro das atenções em setembro de 2018, quando o Studio Gaina, um estúdio derivado do Fukushima Gainax, anunciou uma terceira entrada na série. Para os fãs de longa data, foi o tipo de notícia que parece demasiado boa para ser verdade. E, pelo menos por enquanto, foi exatamente isso.
Desde esse anúncio, o silêncio tem sido total. Não há visuais, não há atualizações de produção, não há nada que sugira que o projeto avançou de forma significativa. E o que tornou tudo ainda mais complicado foi o colapso do estúdio Gainax, o estúdio fundador, responsável por Neon Genesis Evangelion, FLCL e Gurren Lagann, entre outros marcos do anime. Depois de anos de problemas financeiros e escândalos internos, o Gainax declarou falência junto do Tribunal Distrital de Tóquio em maio de 2024 e foi formalmente dissolvido a 10 de dezembro de 2025. Hideaki Anno confirmou a dissolução através do site do seu estúdio Khara, notando que os direitos das obras foram transferidos para os respetivos titulares.
O Studio Gaina é tecnicamente uma entidade separada, pelo que a dissolução do Gainax não cancela automaticamente o projeto. Mas o impacto que toda esta instabilidade teve sobre Gunbuster 3 permanece uma incógnita, e ninguém do lado da produção se pronunciou sobre o assunto. Para uma série com décadas de história e uma base de fãs fiel, é um fim de capítulo que merecia uma resposta mais clara.
1Lycoris Recoil (novo projeto animado)
Lycoris Recoil foi a surpresa do verão de 2022. Uma série original, sem mangá nem light novel por detrás, que conseguiu tornar-se num fenómeno de vendas graças à química irresistível entre Chisato e Takina. Quando terminou, a pergunta era inevitável, e agora?
A resposta chegou em fevereiro de 2023, num evento especial dedicado à franquia, com o anúncio de um novo projeto animado em desenvolvimento. O problema é que esse anúncio ficou suspenso no ar. Nos meses que se seguiram, nada de concreto surgiu sobre o formato, a história ou a equipa envolvida.
Em abril de 2025, chegaram as curtas-metragens Lycoris Recoil: Friends are thieves of time., seis episódios curtos sobre o dia a dia no Café LycoReco, disponibilizados no YouTube da Aniplex. Foi um regresso agradável, mas os próprios criadores trataram de deixar claro que não era o que tinha sido prometido. O diretor Shingo Adachi confirmou em entrevista: “Podem pensar que estas curtas são o novo trabalho, mas também estamos a fazer um ‘novo projeto de animação’. Começámos a trabalhar nele imediatamente após o fim do anime televisivo e estamos a avançar com cuidado, por isso aguardem um pouco mais”.
É uma declaração que dá esperança, mas que também já tem mais de um ano. O projeto principal existe, está em desenvolvimento, e, por enquanto, é tudo o que se sabe.
O que une estes três casos é menos a falta de vontade dos estúdios e mais a realidade brutal de uma indústria onde os calendários de produção se arrastam, as prioridades mudam e os projetos competem por recursos escassos. Enquanto não houver um cancelamento oficial, a esperança mantém-se. Mas a paciência tem limites.









