Monster Hunter – Análise

Campanha o Melhor do Japão

Teaser trailer do filme live-action de Monster Hunter

Baseado na franquia de jogos da Capcom o filme Monster Hunter possuía missão de apresentar para o publico geral a franquia que no mundo dos jogos possui um grande sucesso. Produzido pela Constantin Film e tendo suas filmagens principais acontecendo entre outubro e dezembro de 2018, o longa dirigido pelo diretor Paul W. S. Anderson (que também dirigiu os filmes da franquia Resident Evil) tem em seu elenco Milla Jovovich como Artemis, Tony Jaa como Hunter e Ron Perlman como O Almirante.

Criada pela Capcom e tendo seu primeiro jogo lançado em 2004, a franquia Monster Hunter possui atualmente uma grande variedade de jogos lançados para diversos consoles, portáteis, mobile e Pcs, adaptar uma franquia com uma grande vastidão de monstros e um lore próprio é um desafio quando se trata de apresentar para o publico comum de uma forma concisa apenas um pedaço da série.

A primeira coisa que preciso dizer sobre o filme é que ele acerta em transformar o longa em um tipo de viagem fantástica a outro mundo e trazer personagens do nosso mundo para o mundo dos monstros. Toda a primeira parte do longa possui um clima de filme de suspense e pequenas pitadas de terror com Artemis tendo que descobrir da pior forma o ambiente hostil em que ela e sua tropa foram parar. É interessante que inicialmente Artemis e o Hunter, personagem de Tony Jaa, possuem uma dinâmica no estilo Enemy Mine, onde eles tem um primeiro envolvimento de hostilidade e depois passam a conviver para conseguirem sobreviver.

Na primeira metade do filme a personagem de Milla Jovovich é a orelha e aprende junto de quem está assistindo ao longa como cada animal se comporta, as formas de sobreviver de cada ataque e como criar armas contra determinados monstros usando pedaços de outros animais. O personagem de Tony Jaa faz justamente a função de mostrar o mundo e ensinar Artemis como combater os seres hostis daquela região em que eles se encontram. Só isso já seria o suficiente para ser um filme próprio e uma boa introdução com possibilidade da franquia no cinema ganhar características próprias.

 

Durante a primeira parte o longa consegue ser bastante contido tendo poucos fanservices, já na segunda parte do filme parece que alguma chave vira e os fanservices vem em peso e com explicações sobre o mundo extremamente corridas. Nesta parte somos apresentados ao lado mais fantasioso do filme, que havia sido pouco explorado no inicio e com personagens tentando ser visualmente inspirado nos jogos da franquia, algo que seria legal se o longa não mudasse de clima e passasse a ter a partir desse ponto um tom de filme Oriental. Essa mudança praticamente destoa do clima construído desde o início do filme, além de ter um desenvolvimento incompleto por ser muito curto e com decisões de roteiro que fazem o filme ganhar um climax bizarro.

Na parte final do longa parece que tiraram a coleira do diretor Paul W. S. Anderson, que também escreveu o roteiro do filme, e temos uma virada que acaba abrindo possibilidades absurdas e possíveis de irem para um lado de fora do universo dos jogos da Capcom caso ele venha a ganhar uma continuação no cinema. Não sei qual era a intenção do diretor no climax final do longa, mas toda a batalha contra o monstro final é bem fraca, com uma virada completamente sem sentido e tendo um final e uma cena pós-crédito completamente desnecessárias e que, se o diretor seguir a mesma linha dos filmes da franquia Resident Evil, pode não levar a lugar nenhum.

As cenas de ação no decorrer do filme são muito bem produzidas e os monstros são bem feitos em Cgi. A fotografia do longa também é bem trabalhada em diversas cenas, se utilizando de varias imagens abertas, também é utilizado bastante da escuridão para esconder os monstros e dar um tom de suspense e terror em alguns momentos. A edição do filme também é muito dinâmica e com algumas características já conhecidas nos filmes do diretor, como os pequenos momentos em slow motion. Já caracterização de alguns personagens humanos do lado fantástico do filme são bem questionáveis, mesmo que a maioria deles sejam apenas coadjuvantes. Outro ponto negativo é o filme possuir uma trilha sonora bem simplória e com temas esquecíveis, algo que poderia elevar um pouco mais o longa para um tom épico.

Diferente do que aconteceu com Resident Evil, Monster Hunter tinha tudo para ser um filme mais contido nas loucuras de roteiro de Paul W. S. Anderson e se concentrar em trazer um longa mais aventuresco e visual. As cenas de ação no decorrer do filme funcionam e são visualmente legais, os monstros são realmente bem feitos em Cgi, porém as decisões de roteiro no final do longa apenas reforçam o que muitos pedem e que eu defino em apenas uma frase: “não deixem uma franquia de jogos virar filme nas mãos de Paul W. S. Anderson”.

Nova foto de Milla Jovovich no filme live-action de Monster Hunter

Um fã de animes, cinema, games, séries e com um gosto musical incomum. Membro brasileiro do OtakuPT e estudante de Processos Fotográficos.