
As japonesas voltaram a confirmar, pelo 41.º ano consecutivo, o título de população feminina com a maior esperança média de vida do planeta. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, uma mulher nascida em 2025 pode esperar viver, em média, 87,33 anos, mais 0,20 anos do que no ano anterior. Já os homens japoneses atingiram os 81,35 anos de esperança média de vida, um acréscimo de 0,25 anos, ainda que tenham descido do sexto para o sétimo lugar no ranking mundial masculino.
Este aumento marca o fim de dois anos consecutivos de quebra, um período fortemente influenciado pelo impacto da pandemia de COVID-19 na mortalidade do país. Os novos números confirmam que o Japão retomou a trajetória de crescimento que caracterizou praticamente toda a sua história recente.
De acordo com o ministério nipónico, a melhoria deve-se principalmente à redução da mortalidade associada ao cancro, a doenças cardíacas e à COVID-19. Ainda assim, o número de mortes por velhice e por pneumonia continuou a subir, um sinal de que o envelhecimento da população japonesa continua a colocar novos desafios ao sistema de saúde.
Um responsável do ministério resumiu a evolução da seguinte forma: “maior consciência da população em relação à saúde e o elevado padrão dos cuidados médicos no Japão”. Esta combinação entre prevenção e qualidade assistencial tem sido apontada, ano após ano, como um dos pilares da longevidade japonesa.
Nos comparativos internacionais, o Japão continua isolado no topo da tabela feminina, seguido pela Coreia do Sul, com 86,6 anos, e por Espanha, com 86,53 anos. No lado masculino, a Suécia lidera com 82,52 anos, à frente da Suíça, com 82,4 anos, e de Itália, com 81,74 anos, o que empurrou o Japão para a sétima posição, apesar do valor absoluto ter aumentado face ao ano anterior.
A posição atual do Japão é o resultado de uma transformação que começou há mais de cem anos. No final do século XIX, um japonês nascido nessa altura podia esperar viver, em média, apenas 42,8 anos, caso fosse homem, ou 44,3 anos, caso fosse mulher. Mesmo em 1935, a esperança média de vida continuava abaixo dos 50 anos, e só em 1947 este limiar foi finalmente ultrapassado.
A partir daí, o crescimento acelerou de forma consistente, à medida que a mortalidade infantil diminuía, as doenças infecciosas passavam a estar sob controlo e as condições de nutrição e saneamento melhoravam em todo o país. A introdução de um sistema de seguro de saúde universal, em 1961, é apontada como um dos fatores mais determinantes deste percurso, ao garantir acesso alargado a cuidados médicos, programas de vacinação infantil, melhores condições na saúde materna e avanços no tratamento de doenças como o cancro, o AVC e as doenças cardíacas.
O aumento do rendimento das famílias e a evolução para dietas mais equilibradas também contribuíram para este cenário. As mulheres japonesas ultrapassaram a barreira dos 80 anos de esperança média de vida ainda na década de 1980, enquanto os homens só atingiram esse valor já na década de 2010. Comparando com 1947, os homens vivem hoje, em média, mais de 31 anos, e as mulheres mais de 33 anos.
A trajetória ascendente foi interrompida durante a pandemia, quando o excesso de mortalidade associado à COVID-19 fez recuar os valores de esperança média de vida em todo o país. Os dados agora divulgados confirmam que essa tendência foi revertida e que o Japão regressou ao padrão de crescimento gradual que manteve ao longo de décadas.
Apesar deste regresso à normalidade estatística, as autoridades japonesas continuam a identificar um desafio central para os próximos anos, não basta viver mais tempo, é preciso viver mais anos com saúde. O aumento da chamada esperança de vida saudável, ou seja, o período em que uma pessoa vive sem limitações significativas causadas por doença, continua a ser apontado como uma das prioridades da política de saúde pública nipónica.









