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85,8% dos criadores de videojogos japoneses já usam IA generativa

De 51% para 85% num só ano: a IA generativa conquistou os estúdios japoneses

Post Trauma pv screenshot PC computador

A percentagem de criadores de videojogos japoneses que recorre a inteligência artificial generativa no seu trabalho disparou de forma acentuada num único ano, segundo dados avançados esta semana durante a Tokyo Game Show 2026. De acordo com uma pré-visualização do Relatório da Indústria de Videojogos de 2026, elaborado pela Associação Japonesa de Fornecedores de Entretenimento Informático, mais conhecida pela sigla CESA, 85,8% dos profissionais inquiridos afirmam já utilizar este tipo de ferramentas no dia a dia de desenvolvimento. O valor é particularmente relevante por vir precisamente da entidade que organiza o próprio evento.

O salto é expressivo quando comparado com o levantamento anterior, em 2025, a CESA tinha registado uma adesão de 51% entre as empresas associadas, com base em respostas recolhidas junto de 54 companhias japonesas. Este ano, o universo de análise foi bastante mais alargado, com a organização a recolher perto de 1349 respostas válidas de profissionais ligados a empresas do setor, entre as quais nomes como Capcom, Sega, Level-5 e Konami.

Dentro desses 85,8%, a maioria não se limita a experimentar a tecnologia esporadicamente: 63% dos inquiridos dizem recorrer à IA generativa diariamente, enquanto os restantes 22,8% afirmam utilizá-la apenas ocasionalmente.

A pré-visualização do relatório não detalha ainda para que fins específicos a tecnologia está a ser usada em 2026, mas revela quais os benefícios mais apontados pelos próprios profissionais, melhoria da eficiência operacional e da produtividade surge em primeiro lugar, seguida de uma redução no tempo de desenvolvimento e, por fim, uma diminuição dos custos associados a essa mesma produção. Vale a pena olhar para o relatório do ano passado para perceber a tendência, em 2025, os usos mais citados eram a criação de imagens e outros elementos visuais, seguidos da geração de texto e conteúdo narrativo, e só depois o apoio à programação, sendo que 32% das empresas inquiridas na altura já recorriam a IA para desenvolver motores de jogo internos.

Quanto aos cuidados tomados no uso desta tecnologia, a resposta mais comum entre os profissionais foi a realização de verificação, correção e supervisão humana sobre o conteúdo gerado. Outras práticas frequentemente mencionadas passam por restringir ou definir previamente quais as ferramentas autorizadas, além de evitar utilizar diretamente aquilo que é gerado pela IA sem qualquer tipo de intervenção humana.

Tsutomu Masuda, diretor executivo da CESA, comentou os novos números: “Isto demonstra que a IA generativa está a ser amplamente e consistentemente adotada em ambientes de desenvolvimento“. Masuda não deixou, no entanto, de sublinhar que a indústria terá de continuar a lidar com preocupações relacionadas com possíveis violações de direitos que possam surgir do uso desta tecnologia. Segundo o dirigente, um dos principais desafios para o futuro do setor será conseguir equilibrar a incorporação de novas possibilidades tecnológicas com a proteção da propriedade intelectual, sem nunca perder de vista a qualidade de um desenvolvimento centrado nas pessoas.

O relatório completo da CESA, com a totalidade dos dados recolhidos junto de empresas e profissionais do setor, está previsto para ser publicado em dezembro.

SourceCESA
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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