
O verão de 2026 pode ser o mais negro de sempre para a Bungie. Segundo o jornalista francês Sylvain Trinel, na sua conta no X, o estúdio responsável por Destiny e Marathon poderá estar prestes a enfrentar uma vaga de despedimentos que afetará pelo menos 50% da sua força de trabalho, o que, com base nas últimas contagens conhecidas de cerca de 800 funcionários, representaria aproximadamente 400 postos de trabalho eliminados.
Trinel foi cauteloso na forma como apresentou a informação: “E se não bastasse, a Bungie deve esperar despedimentos massivos este verão. Estou a ser cuidadoso, mas estou a ouvir falar de pelo menos 50% da força de trabalho afetada (funcionários permanentes ou contratados) após o fim de Destiny 2 e a situação com Marathon”.
Ainda não há confirmação oficial por parte da Bungie ou da Sony. Mas o contexto em que estas alegações surgem é difícil de ignorar.
O que levou a Bungie até aqui
A situação atual é o resultado de dois problemas simultâneos que se agravaram mutuamente. Em maio de 2026, a Bungie confirmou o que muitos já antecipavam, Destiny 2 recebeu a sua atualização final de conteúdo live-service a 9 de junho de 2026, encerrando quase doze anos de suporte contínuo ao jogo. Destiny 3 não está em produção ativa, a Sony não aprovou o projeto, o que significa que grande parte da equipa que trabalhava em Destiny 2 ficou sem projeto atribuído.
Ao mesmo tempo, Marathon, o shooter de extração que a Bungie lançou em março de 2026 como a sua primeira nova franquia desde o original Destiny em 2014, não correspondeu às expectativas comerciais. O jogo foi lançado a 40 dólares, obteve críticas geralmente positivas e vendeu cerca de 1,2 milhões de cópias nas primeiras três semanas. Não foi suficiente.
A Sony registou uma imparidade de 565 milhões de dólares sobre os ativos da Bungie no quarto trimestre do ano fiscal de 2025, o mesmo trimestre em que Marathon foi lançado, somado a uma desvalorização de 201 milhões de dólares no segundo trimestre, ligada ao declínio de Destiny 2. No total, a Sony perdeu aproximadamente 765 milhões de dólares relacionados com a Bungie desde a sua aquisição por 3,6 mil milhões de dólares em 2022.
Bungie quase faliu antes da Sony intervir e comprar o estúdio
Uma indústria sob pressão
O cenário na Bungie não está a acontecer de forma isolada. O mesmo jornalista Sylvain Trinel alertou para o que descreve como um “banho de sangue” mais amplo na indústria dos videojogos, com 1 de julho como data a vigiar. A Xbox estará também a preparar uma vaga significativa de despedimentos para julho, com os estúdios Ninja Theory, Double Fine e Compulsion Games alegadamente em risco de encerramento e a negociar com a Microsoft para se tornarem independentes. A Ubisoft, por sua vez, já dispensou centenas de trabalhadores em 2026.
Atualmente, cerca de 400 dos funcionários da Bungie estão alocados a Marathon. Mesmo que o jogo continue em funcionamento, o espaço para absorver a equipa que ficou sem projeto após o fim de Destiny 2 é limitado, especialmente se o suporte a Marathon também for reduzido.
Destiny 2 permanece jogável e acessível, com as atividades permanentes e atualizações de sistema a continuarem. Mas o pipeline criativo da Bungie, tal como está hoje, não tem projetos novos aprovados à vista.








