
Depois de Clair Obscur: Expedition 33 se ter tornado um dos fenómenos mais discutidos da indústria dos videojogos em 2025, chegando mesmo a bater o recorde histórico de prémios de Jogo do Ano que durante anos pertenceu a Elden Ring, é normal que exista uma enorme expectativa em torno daquilo que a Sandfall Interactive vai fazer a seguir. Mas o próprio director criativo do estúdio já avisou que ninguém deve esperar automaticamente uma repetição do fenómeno.
Guillaume Broche, cofundador da Sandfall Interactive e responsável criativo por Expedition 33, falou recentemente ao canal francês Konbini sobre os planos do estúdio para o futuro, e a mensagem foi clara, o próximo projecto vai ser feito da mesma forma que o primeiro, sem grandes preocupações em agradar às expectativas criadas por este sucesso inesperado.
“Não fizemos o primeiro jogo para agradar a ninguém”
Segundo Broche o eventual fracasso comercial do próximo título não é motivo de grande preocupação para a equipa. “Não me importo muito. É estranho dizer isto, mas não fizemos o primeiro jogo para agradar a ninguém. Acho que foi por isso que resultou”, afirmou.
O director criativo foi mais longe, deixando antever que a Sandfall poderá voltar a tomar decisões pouco convencionais no desenvolvimento do próximo projecto, mesmo correndo o risco de afastar parte do público que conquistou com Expedition 33. “Para o próximo jogo, vamos tomar decisões drásticas também, e se calhar as pessoas não vão gostar. É a vida. As pessoas seguirem-nos ou não é uma decisão delas. Mas é assim que vemos o futuro”, acrescentou.
A postura não é propriamente nova para Broche. O responsável criativo confirmou que a equipa “vai simplesmente voltar a fazer aquilo que gosta”, reforçando que o objectivo nunca foi perseguir sucesso comercial ou aceitação generalizada, mas sim contar histórias que façam sentido para quem as está a criar.
Este discurso não surge isolado. Ainda em Dezembro do ano passado, já Broche tinha deixado claro, noutra entrevista que o enorme sucesso de Expedition 33 não iria mudar significativamente a forma de trabalhar do estúdio. Na altura, explicou que a equipa continua interessada em desenvolver “histórias que emocionem as pessoas”, sublinhando que mudanças dramáticas nos resultados não implicam necessariamente mudanças dramáticas na forma como encaram o trabalho.
Essa vontade de manter a identidade do estúdio estende-se também à forma como a equipa está organizada. Questionado sobre se o sucesso do primeiro jogo levaria a Sandfall a expandir significativamente o número de colaboradores, Broche confirmou não existirem, para já, planos nesse sentido. A ideia de manter uma equipa relativamente pequena já tinha sido defendida por Broche em Maio do ano passado, quando explicou que projectos com propriedade intelectual original, personagens inéditas e histórias completamente novas são particularmente difíceis de concretizar dentro de estúdios de grande dimensão, onde existem muitas etapas de aprovação e onde normalmente é preciso já ter um histórico comprovado, e uma posição elevada na hierarquia, para sequer conseguir propor este tipo de ideias.









