
Clair Obscur: Expedition 33 já é conhecido pelas referências óbvias ao imaginário francês e pelos ecos claros de vários JRPG clássicos, mas há uma inspiração que só agora veio a público, e que vai fazer qualquer fã de anime olhar para o jogo de forma diferente, Attack on Titan teve um papel direto na construção da história e, mais surpreendentemente ainda, na identidade visual do jogo.
A informação surgiu num evento organizado pela Epic Games Japan e pela Sandfall Interactive em Yokohama, dedicado a analisar em detalhe o processo de criação do jogo. O CEO e diretor criativo Guillaume Broche foi confrontado com perguntas sobre a influência que o anime e os jogos japoneses tiveram no seu trabalho.
Broche não hesitou em admitir o peso de Attack on Titan na construção da narrativa. Segundo as suas próprias palavras: “acho que um dos animes que me inspirou para a história de Expedition 33 foi Attack on Titan. Gosto mesmo da ideia de um grupo de heróis a lutar em conjunto, e adoro especialmente o uniforme“.
Foi precisamente esse detalhe, o uniforme, que Broche destacou como o elemento mais determinante que trouxe da série japonesa para o seu próprio jogo. Ainda de acordo com a mesma entrevista, o criador explicou que “quando se vê qualquer personagem de Attack on Titan, sabe-se instantaneamente que é uma personagem de Attack on Titan por causa do uniforme. Isso era algo que eu realmente queria trazer para Expedition 33, tornando o jogo reconhecível apenas pelos seus uniformes“.
O resultado está à vista de quem já jogou, o visual do grupo da expedição, com os casacos, o número bordado e toda a estética inspirada na Belle Époque, tornou-se tão identificável quanto os uniformes do Esquadrão de Exploração de Attack on Titan, algo já visível na quantidade de cosplays e fan art que têm surgido desde o lançamento.
Curiosamente, o próprio Broche revelou estar novamente a ver Attack on Titan enquanto participava no evento, depois de aproximadamente seis anos sem acompanhar a série, encontrando-se já perto do final da quarta temporada, que descreveu como “uma obra-prima”.
Attack on Titan foi só uma de várias inspirações japonesas
Ainda segundo o mesmo encontro, Broche também apontou a Bleach e, sobretudo, ao Studio Ghibli como referências centrais para o projeto. Falando sobre a sua ligação à animação japonesa, o diretor confessou que ao contrário de muitas pessoas no Ocidente que cresceram com a Disney, para ele “é o Ghibli. Especialmente Spirited Away. Acho que já vi esse filme 50 vezes, sem brincadeira. É uma obra-prima do princípio ao fim“.
A lista de referências de Broche não se fica por aqui: Final Fantasy, Lost Odyssey, Blue Dragon, Persona, Shin Megami Tensei, Atelier e Tales of Vesperia foram também citados como influências centrais na sua forma de pensar RPGs, com Final Fantasy VIII a ser descrito como uma das suas primeiras memórias enquanto jogador.
O encontro em Yokohama serviu também para a Sandfall Interactive falar sobre o futuro do estúdio. Atualmente com cerca de 26 pessoas na equipa, Broche foi claro ao afirmar que não tem qualquer intenção de aumentar drasticamente o número de colaboradores, defendendo que eliminar por completo as limitações de produção acaba, na verdade, por prejudicar o processo criativo. Segundo o diretor, foi justamente esse âmbito mais reduzido que ajudou a garantir que cada sistema e cada mecânica de Clair Obscur: Expedition 33 tivesse um propósito claro, sem elementos desnecessários. O estúdio já começou a trabalhar no próximo projeto, mas Broche admitiu que ainda é cedo para revelar mais detalhes sobre o que aí vem.








