
O anúncio da Sony sobre o fim da produção de discos físicos para novos jogos da PlayStation, a partir de janeiro de 2028, continua a gerar reações dentro da indústria. A mais recente vem de Mike Ybarra, antigo presidente da Blizzard, que exige que as fabricantes de consolas assumam um verdadeiro compromisso com os jogadores antes de avançarem para um futuro totalmente digital.
Segundo o comunicado publicado pela Sony a decisão surge como uma resposta natural à preferência crescente dos consumidores pelo digital face ao físico. A notícia deixou uma parte significativa da comunidade de jogadores insatisfeita, com muitos a manifestarem o seu descontentamento nas redes sociais.
O apelo de Mike Ybarra por uma “promessa digital”
Foi precisamente nesse contexto que Ybarra decidiu partilhar a sua opinião na rede social X. O antigo responsável da Blizzard descreveu a notícia como algo particularmente difícil para quem oferece jogos a crianças em datas como o Natal ou aniversários, considerando toda a situação um “verdadeiro aborrecimento”.
Na sua publicação, Ybarra referiu cinco pontos que, na sua opinião, os detentores de plataformas como a PlayStation, a Xbox e a Nintendo deveriam resolver antes de avançarem em definitivo para um modelo sem discos. O mais relevante desses pontos é aquilo a que chamou uma “promessa digital para os consumidores”.
Ybarra reforçou ainda a ideia de que o receio de perder acesso a jogos comprados não pode continuar a pairar sobre a comunidade, afirmando também, na mesma publicação:
“Não podemos viver num mundo de medo sobre se os nossos jogos vão continuar a funcionar no futuro ou não”.
Este receio não é infundado. A própria Sony retirou recentemente o acesso a mais de 500 filmes que os utilizadores da PlayStation já tinham comprado, uma decisão relacionada com o fim de um acordo de licenciamento com a StudioCanal. A partir de 1 de setembro deste ano vários títulos populares deixarão de estar disponíveis para quem os adquiriu através da PlayStation Store, sem que a empresa tenha, até ao momento, anunciado qualquer forma de reembolso ou compensação.
Partilha de jogos e um mercado para jogos usados
O segundo ponto levantado por Ybarra prende-se com a partilha de jogos entre amigos e familiares. Antigamente, bastava emprestar o disco a alguém, hoje, esse processo tornou-se muito mais limitado no ambiente digital. Ligado a esta ideia, o antigo presidente da Blizzard sugeriu ainda melhorias nas lojas digitais das consolas, defendendo a possibilidade de os jogadores venderem os seus jogos de volta à comunidade em troca de créditos para a loja, através daquilo que descreveu como um verdadeiro “mercado de jogos usados”.
Os dois últimos pontos da lista de Ybarra estavam relacionados com uma comunicação mais clara por parte das fabricantes sobre os seus planos futuros, e com a possibilidade de os jogadores conseguirem mostrar as suas bibliotecas digitais de forma mais visível, ainda que estas duas sugestões tenham menos peso do que as anteriores.
Resta saber se a Sony, a Microsoft ou a Nintendo vão sequer considerar este tipo de mudanças. A Microsoft, por exemplo, já foi associada a uma futura consola sem leitor de discos, com relatos a apontar que o Project Helix vai prescindir totalmente desta componente, ainda que, do lado positivo, a empresa esteja também a testar uma funcionalidade que permite converter jogos físicos em digitais.









