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Nintendo multada em 35 milhões de euros em França por esconder o problema do Joy-Con drift

Joy-Con drift: Nintendo of Europe aceita multa de 35 milhões de euros após investigação francesa

Presidente na Nintendo pede desculpa pelo Joy-Con drift

O problema do Joy-Con drift, que assombrou a Nintendo Switch desde o seu lançamento em 2017, voltou a ter consequências jurídicas para a empresa japonesa. A autoridade francesa de defesa do consumidor, a DGCCRF (Direction Générale de la Concurrence, de la Consommation et de la Répression des Fraudes), anunciou esta segunda-feira, 8 de junho, que a Nintendo of Europe aceitou pagar uma coima de 35 milhões de euros. É a segunda maior multa alguma vez aplicada pela DGCCRF, a seguir à que foi imposta à Shein em 2025.

O problema em causa é conhecido por praticamente toda a gente que tenha usado uma Nintendo Switch. O Joy-Con drift acontece quando os manípulos analógicos do comando registam movimentos por conta própria, sem que o jogador toque nos sticks. O efeito é frustrante, personagens que se movem sozinhas, menus que navegam sem comando, jogos que se tornam virtualmente impossíveis de usar. Segundo a DGCCRF, a falha resulta de dois problemas, desgaste prematuro dos circuitos internos e uma impermeabilização deficiente que permite a entrada de detritos no interior do comando.

O núcleo da acusação não está, porém, no defeito em si, mas na forma como a Nintendo o geriu. De acordo com a autoridade francesa, a empresa tomou conhecimento do problema em 2018, mas só começou a comunicar publicamente sobre ele em 2020. No comunicado conjunto do Ministério do Comércio e do Tribunal de Nanterre, a conclusão é direta, a Nintendo “comentou apenas em 2020, e não assim que teve conhecimento das avarias”. Durante esse período, os consumidores que não sabiam da existência de uma reparação gratuita acabaram simplesmente por comprar novos comandos.

O processo teve início após uma queixa apresentada pela associação de consumidores francesa UFC-Que Choisir em 2020. A investigação foi conduzida pelo Serviço Nacional de Inquéritos da DGCCRF e os resultados foram transmitidos ao procurador de Nanterre em 2025. A Nintendo of Europe aceitou a coima e, como parte do acordo, terá também de publicar um aviso sobre as práticas comerciais enganosas na página inicial do seu site francês.

Presidente da Nintendo pede desculpa pelo Joy-Con drift

A questão das reparações gratuitas tem um historial próprio. A Nintendo começou a oferecer reparações sem custo em alguns mercados a partir de 2019, mas a política só foi formalizada para a Europa, incluindo o Reino Unido, o Espaço Económico Europeu e a Suíça, em abril de 2023, na sequência de uma ação coordenada a nível europeu que envolveu a Comissão Europeia, o Ministério grego do Desenvolvimento e a agência ambiental alemã. Esse acordo, que incluiu organizações de defesa do consumidor como a Euroconsumers, resultou numa garantia vitalícia para os Joy-Cons afetados, independentemente da idade do produto ou do estado da garantia original.

A coima agora anunciada cobre o período entre 2018 e 2023, precisamente os anos em que a empresa conhecia o problema mas manteve os consumidores sem informação suficiente para agir. Para quem ainda tenha Joy-Cons com drift, a política de reparação gratuita continua em vigor.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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