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Reino Unido quer proibir crianças de falar com desconhecidos no Roblox, Fortnite e Minecraft

Reino Unido considera proibir crianças de falar com desconhecidos no Roblox, Fortnite e Minecraft

Hell Mode screenshot PC computer gaming

Enquanto o debate sobre redes sociais e menores continua a dominar as agendas políticas em vários países, o governo britânico prepara-se para ir mais longe do que qualquer outro até agora, colocar plataformas de videojogos na mesma lista de preocupações que o TikTok e o Instagram. Roblox, Fortnite, Minecraft e Discord estão entre os serviços que poderão ser abrangidos por novas restrições que impediriam crianças de comunicar com desconhecidos online.

De acordo com The Sunday Times, a ministra para a segurança online, Kanishka Narayan, admitiu que as plataformas de jogos podem ser incluídas em qualquer medida que venha a ser tomada para limitar o acesso de menores a funcionalidades sociais ou potencialmente prejudiciais na internet.

Os comentários de Narayan surgem no seguimento de uma consulta pública lançada pelo governo britânico sob o título “Growing up in the online world” (Crescer no mundo online), que decorreu entre 2 de março e 26 de maio de 2026. O processo analisou possíveis restrições de idade para redes sociais, sites de jogos, chatbots de inteligência artificial e funcionalidades de design consideradas aditivas, bem como regras mais rigorosas de verificação de idade.

Uma das opções em cima da mesa é introduzir uma proibição à semelhança da que a Austrália implementou para menores de 16 anos nas redes sociais. Outra abordagem mais cirúrgica passaria por restringir funcionalidades específicas como o scroll infinito, a reprodução automática de conteúdo, a partilha de localização e os algoritmos de recomendação personalizada.

Narayan disse que uma das maiores preocupações que lhe foi transmitida durante uma visita à Austrália foi o chamado “stranger pairing”, a possibilidade de adultos contactarem crianças que não conhecem através de plataformas online. Segundo a ministra, este problema surgiu “principalmente no contexto das plataformas de jogos” e acrescentou: “Portanto, isso vai pesar bastante na minha mente quando pensarmos em como parar alguns dos danos mais graves para os jovens”.

Os jogos não são redes sociais, mas já têm funcionalidades sociais

Roblox, Fortnite, Discord e Minecraft incluem todos funcionalidades de chat e interação social que permitem aos jogadores comunicar com outros utilizadores online. Em muitos casos, essas ferramentas já podem ser limitadas através de controlos parentais ou verificação de idade. O que está a ser ponderado é se essas salvaguardas existentes são suficientes, ou se é necessária uma intervenção regulatória mais direta.

Incluir jogos no âmbito das novas restrições representaria uma expansão significativa em relação ao que a Austrália fez, dado que a legislação australiana se centra exclusivamente em serviços considerados prejudiciais para a saúde mental, bem-estar e segurança das crianças, e os videojogos ficaram expressamente de fora.

A proposta já está a gerar debate. Os defensores das restrições argumentam que as plataformas de jogos expõem crianças a riscos de predação e abuso. Os críticos respondem que os jogos não são equivalentes às redes sociais baseadas em algoritmos, e que podem desenvolver criatividade, resolução de problemas e laços sociais genuínos.

A Children’s Commissioner inglesa, Dame Rachel de Souza, veio publicamente apoiar medidas mais fortes neste domínio. Ela sublinhou que as políticas focadas exclusivamente nas redes sociais ignoram uma realidade muito concreta, os rapazes.

“Os rapazes muitas vezes não estão nas redes sociais”, disse. “Frequentemente passam três ou quatro horas por dia a jogar. E esses jogos muitas vezes têm funcionalidades que permitem a um homem de 55 anos no Arizona entrar e falar com uma criança de nove anos”.

E acrescentou uma distinção que pode moldar a forma como qualquer legislação for finalmente redigida: “Não chamaria a isso uma proibição de crianças, chamaria a isso uma proibição e restrição de serviços que não são adequados para menores de dezoito anos”.

A frase importa. A diferença entre proibir crianças de usar uma plataforma e proibir certas funcionalidades dessa plataforma para utilizadores mais jovens é juridicamente e politicamente significativa, e é, provavelmente, onde o debate vai centrar-se nas próximas semanas.

O governo britânico ainda não confirmou quais as restrições concretas que serão introduzidas. A resposta formal à consulta pública está prevista após a análise do feedback recolhido, sem data definida por agora.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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