
Sonic the Hedgehog completou 35 anos, está nos cinemas, nas séries, nos jogos e em todo o tipo de merchandise. Mas podia não estar. Há cerca de uma década, a Sega chegou a dizer internamente que não tinha mais anda com franquia. Quem o revelou foi Takashi Iizuka, responsável pela Sonic Team há quase vinte anos e uma das pessoas mais ligadas à série desde os seus inícios nos anos 90.
Numa entrevista ao GamesRadar+, Iizuka recordou sem rodeios o que ouviu nessa altura: “Houve mesmo um momento em que a Sega disse, ‘Sabes o quê? Não precisamos que faças mais jogos de Sonic. Está bem. Acabámos com o Sonic’. Essa conversa aconteceu mesmo internamente”.
E foi mais longe, descrevendo o ultimato que recebeu: “Há dez anos, quando me mudei pela primeira vez para a América, o Sonic estava mesmo num ponto muito baixo, e disseram-me, ‘Iizuka-san, se não fores para a América e não começares a construir isto e a elevar o Sonic de novo, o Sonic vai acabar, e ficamos simplesmente sem ele'”.
O período que Iizuka descreve aponta, com base nos anos referidos, para meados da década de 2010, uma fase particularmente difícil para a franquia. A série Sonic Boom, lançada em 2014 com o jogo Sonic Boom: Rise of Lyric para a Wii U, foi destruída pela crítica e pelos jogadores, e tornou-se um dos baixos mais notórios da história do ouriço azul.
Não foi apenas uma vez que esta conversa aconteceu na Sega, Iizuka sugere que existiu mais do que um momento crítico, sendo o da mudança para a América o mais sério de todos.
A recuperação veio de forma gradual. Iizuka atribuiu grande parte da sobrevivência da franquia ao apoio dos fãs, agradecendo-lhes diretamente: “É realmente graças aos fãs por todo o apoio que recebemos… os nossos fãs estiveram lá este tempo todo a apoiar-nos, seja nos filmes, na animação ou no que quer que estejamos a fazer”.
Títulos como Sonic Mania, Sonic Frontiers e Sonic x Shadow Generations ajudaram a estabilizar a reputação da série nos anos seguintes, e o lançamento da trilogia de filmes a partir de 2020 transformou o Sonic numa propriedade muito mais valiosa do ponto de vista comercial. Hoje, a franquia é avaliada em milhares de milhões de dólares.
Que tudo isso tenha ficado dependente de uma decisão tomada num momento de crise, e de um produtor que aceitou atravessar o Pacífico para tentar salvar uma mascote em queda livre, é um dos episódios mais reveladores da indústria dos videojogos recente.









