
Shawn Layden, antigo presidente da PlayStation Studios, voltou a falar publicamente sobre uma das decisões mais discutidas do seu mandato, a aposta em portar jogos exclusivos da Sony para PC. Numa altura em que a atual liderança da PlayStation parece estar a inverter essa estratégia, Layden decidiu explicar, num podcast, qual era realmente o raciocínio por trás desses lançamentos.
Não era sobre vender mais jogos
Em conversa com o podcast PSI, Layden foi direto ao afirmar que a decisão de expandir para o PC nunca teve como principal objetivo gerar receita direta através das vendas de software. Segundo ele, o foco estava antes em alargar o alcance das suas marcas a públicos que dificilmente teriam contacto com elas de outra forma.
“Houve muita incompreensão sobre a minha decisão de colocar um jogo em PC (…) A questão do PC, pelo menos na minha cabeça na altura, não era para ganhar dinheiro, sinceramente. Era: como é que faço para que a minha propriedade intelectual chegue a pessoas que normalmente não a veriam? Como é que faço para que o mundo de Horizon seja visto por pessoas que não estão no mundo da PlayStation? Não necessariamente porque vão comprar uma PlayStation, não era assim tão louco. Não achava que isso fosse acontecer”, afirmou o antigo executivo.
Layden acrescentou ainda que, à medida que estas propriedades intelectuais se expandem para outros meios, como cinema ou televisão, torna-se cada vez mais importante que o maior número possível de pessoas conheça essas personagens e histórias, em vez de restringir essa exposição apenas ao público que já possui uma consola PlayStation.
Lançamentos tardios não custam vendas de consolas, argumenta
Um dos pontos mais interessantes da entrevista foi a forma como Layden desmontou a ideia de que estes lançamentos, normalmente feitos entre um a dois anos depois da estreia nas consolas, prejudicariam as vendas de hardware da Sony. Segundo o antigo executivo, quem esperava tanto tempo por uma versão em PC nunca teria intenção de comprar uma consola de qualquer forma.
“Se alguém está à espera 18 meses para algo chegar ao PC, não perdemos uma venda para essa pessoa. Eles não iam comprar o hardware de qualquer maneira”, disse Layden, questionando também de que forma a atual liderança da PlayStation pretende comprovar a tese contrária.
Nem todos os jogos seguem a mesma lógica
Apesar de defender esta estratégia para os grandes jogos exclusivos de um só jogador, como God of War ou Horizon, Layden faz uma distinção clara quando o tema são os jogos multijogador ou de serviço contínuo. Para este tipo de títulos, sublinha, a presença em várias plataformas deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade económica.
“Se tens um jogo multijogador massivo online ou um jogo de serviço contínuo, sobretudo um jogo gratuito, então tens de estar em várias plataformas, porque a economia não funciona”, explicou, recorrendo à imagem do “tamanho do funil”, quanto maior for a base de jogadores, maior será também o número de pessoas dispostas a gastar dinheiro dentro do jogo, mesmo que a percentagem de conversão seja pequena. Foi essa lógica, aliás, que ajudou a explicar o sucesso de Helldivers 2 fora do ecossistema tradicional da PlayStation.
Uma opinião que não belisca a importância da exclusividade
Apesar de defender os lançamentos em PC, Layden não deixa de reconhecer o valor estratégico da exclusividade para as plataformas, apontando o exemplo de franquias como Mario e Zelda, fundamentais para o sucesso do hardware da Nintendo. A diferença, na sua perspetiva, está em conseguir equilibrar essa exclusividade com a construção de reconhecimento de marca a longo prazo, especialmente quando essas histórias começam a ganhar vida noutros formatos, como séries e filmes.
Esta discussão surge numa altura em que a Sony parece ter alterado a sua abordagem ao PC, com relatos a apontarem para que apenas os jogos multijogador e de serviço contínuo continuem a ser portados, deixando de lado os grandes títulos exclusivos para um só jogador. O próximo grande exclusivo da PlayStation, Marvel’s Wolverine, da Insomniac Games, está previsto para chegar a 15 de setembro e, até ao momento, não há qualquer indicação de que venha a ser lançado também em PC, ao contrário do que aconteceu com os anteriores jogos de Spider-Man do mesmo estúdio.









