
Poucos atores marcaram tanto o mundo dos videojogos nos últimos anos como Troy Baker. Foi ele quem deu voz e corpo a Joel em The Last of Us, a Booker DeWitt em BioShock Infinite e a Ocelot na saga Metal Gear Solid, além de ter emprestado a sua imagem a Indiana Jones no mais recente jogo da personagem. Com um currículo que soma centenas de projetos, Baker tem hoje uma visão privilegiada sobre os bastidores da indústria, e foi precisamente isso que motivou uma conversa recente com o Insider Gaming, no âmbito de um episódio de 40 minutos do podcast Access Granted.
O momento atual da indústria dos videojogos não é propriamente animador. Os custos de desenvolvimento continuam a disparar, projetos inteiros são cancelados antes de verem a luz do dia, os preços sobem para valores nunca antes vistos e o próprio conceito de suporte físico parece cada vez mais ameaçado. A isto somam-se greves, processos de sindicalização, ações judiciais coletivas e o encerramento de jogos que simplesmente não conseguem singrar num mercado sobrelotado.
Questionado sobre este cenário, Troy Baker não fugiu ao tema:
“Onde a indústria está… Está a tentar salvar-se a si própria, está a tentar encontrar formas de se manter sustentável. Acho que é uma conflação errónea pensar que todos são uns gatos gordos gananciosos com cofres de dinheiro à Tio Patinhas, e que andam simplesmente a nadar no meio do dinheiro deles. Isso não é verdade. Todos têm uma responsabilidade financeira e moral de manter as pessoas que empregam a trabalhar de forma proveitosa, tanto quanto possível, e estão a tentar fazer isso ativamente”.
A aposta nos jogos como serviço, vista por dentro
Depois de partilhar esta visão mais geral, Baker avançou para uma opinião mais controversa, já depois de o tema ter sido abordado anteriormente na conversa, caso os jogos como serviço sejam a forma que os estúdios encontraram para manter as equipas empregadas, então que assim seja, já que o modelo de negócio da indústria está claramente a mudar.
Esta transformação não é propriamente nova, mas tem-se intensificado ao longo da última década. Primeiro foi a corrida aos battle royale, depois aos jogos gratuitos com modelo de live-service, e mais recentemente aos chamados extraction shooters, um género que tem conquistado cada vez mais espaço junto dos estúdios que procuram fórmulas de sucesso replicáveis.
Ainda assim, há sempre quem escape a esta lógica de perseguir tendências e acabe, precisamente por isso, a criar algo que surpreende todo o setor. O exemplo mais recente é Meccha Chameleon, o jogo indie japonês de escondidas em que os jogadores pintam o próprio corpo para se camuflarem no cenário. Segundo dados divulgados pelos próprios criadores o jogo ultrapassou os 10 milhões de cópias vendidas menos de um mês depois do lançamento, feito ainda mais notável por ter sido desenvolvido por apenas duas pessoas ao longo de dois meses.
Casos como este alimentam a esperança de que a indústria consiga, mais cedo ou mais tarde, encontrar um equilíbrio mais saudável. Ainda assim, à medida que o tempo passa, parece cada vez mais difícil evitar novos obstáculos pelo caminho, um sinal de que a recuperação, a existir, não vai ser rápida nem linear.








