
Era um capítulo que os fãs sabiam que ia chegar, mas isso não tornou o momento menos pesado. Depois de onze anos e 392 capítulos, Black Clover chegou ao fim a 1 de maio de 2026, com a publicação do número de primavera da Jump GIGA, a revista trimestral da Shueisha onde a série tinha encontrado refúgio desde 2023, depois de anos de serialização semanal na Weekly Shonen Jump.
O encerramento não foi um capítulo único, mas um trio de capítulos finais publicados em simultâneo.
O fim de uma era para a Shonen Jump
Black Clover começou em fevereiro de 2015, numa altura em que a Weekly Shonen Jump atravessava uma das suas fases mais ricas. Ao longo dos anos seguintes, a série de Yuki Tabata foi crescendo ao lado de nomes como My Hero Academia, Demon Slayer e Jujutsu Kaisen, uma geração de títulos que ajudou a transformar o mangá num fenómeno verdadeiramente global.
A mudança para a Jump GIGA em agosto de 2023 foi motivada por razões práticas. Tabata explicou na altura que as exigências de uma serialização semanal tinham deixado de ser compatíveis com o ritmo que queria impor ao arco final. “A serialização de Black Clover tem vindo a prolongar-se por muito tempo, e as crescentes exigências do horário de uma serialização semanal têm estado cada vez mais em conflito com a minha situação pessoal como autor de mangá”, disse o criador. Com a mudança para um regime trimestral, o objetivo era simples, terminar a história de forma digna, sem compromissos forçados pelo calendário.
E foi exatamente isso que aconteceu. Os três capítulos finais, o 390, o 391 e o 392, fecharam a batalha entre Asta e Lucius Zogratis, que tinha sido o grande fio condutor do arco final, e abriram espaço para um epílogo que tentou dar resposta às questões que os leitores mais aguardavam.
O que aconteceu no fim
Sem entrar em spoilers exaustivos, o capítulo 389 tinha selado a vitória sobre Lucius Zogratis, mas a um custo elevado, o sacrifício do Rei Mago Julius Novachrono, que usou os seus poderes do tempo para restaurar o Reino do Trevo e as vidas perdidas em combate. O que se seguiu, nos três capítulos finais, foi um salto no tempo de seis meses e o duelo que os fãs esperavam desde o início da série, Asta contra Yuno, numa batalha para determinar quem merecia o título de Rei Mago.
O vencedor foi Asta, um rapaz sem mágica nenhuma, criado como órfão numa aldeia rural, que cumpriu o sonho que parecia impossível desde a primeira página. Yuno, por sua vez, tornou-se capitão dos Golden Dawn. O epílogo retratou ainda vários membros dos Black Bulls nas suas novas vidas.

A mensagem de Tabata
Com o último número, Yuki Tabata publicou uma mensagem de despedida: “Estou verdadeiramente grato a todos os leitores que ficaram connosco até ao fim. Consegui continuar até aqui graças a esse apoio. Daqui para a frente, quero continuar a dar o meu melhor para que as pessoas possam continuar a desfrutar de Black Clover”.
A última frase não passou despercebida, Tabata fala em “continuar a desfrutar de Black Clover” no futuro, o que é lido por muitos como uma referência direta ao regresso da série anime. O volume final do mangá, o volume 38, está previsto para agosto de 2026 no Japão e deverá incluir conteúdo adicional.
O anime regressa em 2026
Quatro anos depois de o anime ter encerrado com o episódio 170, em março de 2021, o anime Black Clover vai regressar. A segunda temporada, tecnicamente a quinta, dependendo de como se contam as divisões internas da série, foi anunciada oficialmente em julho de 2025 na Anime Expo, e voltou a ser confirmada no Jump Festa ’26 em dezembro do mesmo ano, desta vez com um trailer e estreia prometida para 2026.
O Studio Pierrot regressa à produção, e a Crunchyroll terá os direitos de transmissão a nível internacional. O elenco de vozes original mantém-se, com Gakuto Kajiwara como Asta e Nobunaga Shimazaki como Yuno. Uma data concreta de estreia ainda não foi anunciada, mas a nova temporada deverá pegar onde a anterior parou, no início da invasão ao Reino das Espadas, e terá material suficiente para vários arcos, incluindo o da batalha final.
É precisamente isso que torna este momento particular, o mangá terminou com o anime a meio. E agora que a história está completa, o Studio Pierrot tem em mãos a adaptação de tudo o que os leitores já sabem que vai acontecer, o que é, ao mesmo tempo, uma garantia de qualidade narrativa e um desafio diferente do que a equipa enfrentou na primeira temporada.








