Em pleno 2026 é raro encontrar alguém que não conheça Yoshi, o adorável dinossauro verde e fiel companheiro de Mario. Ao longo dos anos, tornou-se numa das personagens mais icónicas do universo da Nintendo, marcando presença em inúmeros jogos da série Super Mario e até ganhando protagonismo nas suas próprias aventuras.

Depois de alguma ausência com pequenos regressos pontuais e aproveitando também o impacto do mais recente filme, Yoshi regressa em Yoshi and the Mysterious Book para protagonizar uma nova aventura pensada para explorar ainda mais o seu universo criativo na Nintendo Switch 2.

A turma do Yoshi está toda reunida.

A história de Yoshi and the Mysterious Book não perde tempo com grandes apresentações. O jogo começa quando o Professor Mr. E, um livro com um rosto portador de um monóculo e um bigode bastante vistoso, cai do céu diretamente na ilha dos Yoshi. Curioso com o que está a acontecer, pede aos Yoshi para entrarem nas páginas com a missão de investigar as criaturas e os seus habitats. É de certo uma narrativa descomplicada que deixa imediatamente claro aquilo que precisamos de fazer, permitindo que o ritmo da aventura nunca abrande.

O mais interessante é a forma como esta premissa serve de desculpa para a Nintendo construir uma sucessão constante de níveis completamente diferentes entre si. Cada nova página do livro insere conceitos, criaturas e pequenas mecânicas que mantêm a aventura sempre fresca até ao fim.

Somos nós, ou o professor, quem dá nome às criaturas que investigamos dentro das páginas do livro.

Há níveis onde pequenas criaturas transformam os nossos saltos em melodias, enquanto outros nos desafiam a saltar e rebentar bolas cor-de-rosa para abrir passagens, ou até a transportar criaturas e utilizá-las para fazer novas descobertas. O jogo raramente permanece demasiado tempo na mesma ideia, e isso acaba por ser uma das suas melhores qualidades.

A base continua a ser a clássica fórmula de Yoshi, correr, saltar, flutuar no ar, usar a língua e lançar ovos. A diferença está na forma como cada nível aproveita essas mecânicas e lhes acrescenta pequenas variações. Num momento estamos a atravessar um barco e a surfar em cima de uma tartaruga como se fosse um skate, pouco depois, o jogo já nos está a colocar em ambientes completamente diferentes daquilo que vimos anteriormente.

Quando damos por ela, o cenário está cheio de bolhas vivas cor-de-rosa.

Não é propriamente uma surpresa para quem conhece os principais jogos de plataformas da Nintendo, já que a criatividade sempre foi uma das imagens de marca da empresa japonesa. Isso é bastante evidente em Yoshi and the Mysterious Book, sobretudo pela quantidade de novas ideias e mecânicas introduzidas ao longo desta viagem adorável e colorida.

O jogo é extremamente fácil de compreender e perfeito para quem pretende relaxar depois de longas sessões noutros títulos, conseguindo ao mesmo tempo manter-se divertido e interactivo. Isso deve-se à quantidade de desafios espalhados por cada nível. Alguns são bastante diretos e funcionam como pequenos objectivos. Há momentos particularmente criativos que nos levam a pescar peixes com ajuda de uma criatura desconhecida, andar sobre nuvens que se agrupam para alcançar o outro lado e muito mais.

Tudo aquilo que fazemos em cada capítulo é recompensado com estrelas, necessárias para desbloquear novos capítulos do livro e progredir na aventura. Paralelamente, completar a investigação das criaturas desbloqueia ainda mais conteúdos. É verdade que nem todas os níveis têm exatamente o mesmo grau de criatividade mas no geral estamos perante uma proposta bastante cativante.

Olha o peixinho fresquinho!

No que toca à dificuldade, Yoshi and the Mysterious Book foi claramente pensado para os mais pequenos. Os obstáculos e puzzles são descomplicados e a própria direção artística deixa isso bem evidente. Yoshi nunca morre verdadeiramente, uma regra que poderá não agradar aos jogadores mais experientes devido à ausência de desafio.

O senso de desafio aqui acaba por se manifestar de outra forma, pois quem pretender colecionar tudo, terá muito trabalho pela frente. Alcançar todas as estrelas e flores sorridentes de cada nível requer que exploremos minuciosamente os cenários, repetir desafios e descobrir segredos menos óbvios.

Por outro lado, senti falta de uma presença mais frequente de bosses. As poucas vezes que aparecem conseguem ser interessantes, sobretudo porque nos obrigam a tirar partido das mecânicas aprendidas através das diferentes criaturas que vamos descobrindo, mas vilões conhecidos como Bowser Jr. e Kamek acabam por ter um papel mais discreto do que seria esperado. É uma oportunidade algo desperdiçada, especialmente porque poderiam ter contribuído para trazer um pouco mais de substância ao jogo.

Algumas mecânicas fazem lembrar outros jogos de Super Mario.

Aquilo que funciona perfeitamente são os controlos de Yoshi. Jogar com o companheiro de Mario continua a ser extremamente agradável, graças aos movimentos responsivos e animações cuidadosamente trabalhadas. Dentro da própria série, este acaba por ser um título com uma identidade algo diferente, mas sem nunca perder aquilo que define Yoshi, que apesar das suas variações e pequenos contratempos, mantém-se fiel ao padrão de qualidade que se espera da Nintendo.

O charme do jogo reflete-se imediatamente nos seus gráficos. O estilo artístico é simplesmente apaixonante com cada cenário a ser construído ao pormenor. Grande parte do encanto vem precisamente da sensação de estarmos a descobrir um mundo único dentro de um livro de fantasia infantil. A maioria dos elementos, desde os ambientes às criaturas, é facilmente reconhecível, o que ajuda a criar uma sensação constante de familiaridade, como se estivéssemos a regressar a um lugar já conhecido.

O jogo conta com cerca de 60 níveis, muitos deles recheados de objectivos secundários e colecionáveis.

Como seria de esperar, o desempenho é impecável e a banda sonora encaixa que nem uma luva no seu conceito leve e imaginativo. Mesmo assim, é difícil não apontar a ausência de legendas em português de Portugal, um pormenor importante, sobretudo tendo em conta o crescimento da comunidade de jogadores da Nintendo no país, ainda que o jogo inclua legendas em português do Brasil.

Yoshi and the Mysterious Book é uma proposta acessível que conquista pela exploração, pela descoberta e, acima de tudo, pela criatividade constante. Desde os primeiros minutos que fica claro tratar-se de um jogo pensado para um público mais novo, sem exageros nem mecânicas demasiado complicadas.

Apesar de não ser a aventura mais ambiciosa de Yoshi, a Nintendo entrega uma experiência com personalidade, onde o mais importante não é o desafio mas sim a curiosidade de perceber que nova ideia surgirá no próximo nível.

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