
A Eidos Montreal anunciou esta semana, através de uma publicação no LinkedIn, uma nova vaga de despedimentos que afeta 124 colaboradores. O estúdio canadiano, pertencente à Embracer Group, justificou os cortes com “necessidades de projeto em mudança e impactos nas equipas de produção e suporte”, uma linguagem que é quase idêntica à utilizada nas vagas anteriores, em 2024 e 2025.
Desta vez, porém, há uma diferença significativa, David Anfossi, diretor do estúdio há mais de uma década, também abandona a empresa. Anfossi entrou na Eidos Montreal em 2007 como produtor de Deus Ex: Human Revolution e assumiu a liderança do estúdio em 2013, cargo que ocupou durante doze anos. Sob a sua direção passaram títulos como Deus Ex: Mankind Divided, Shadow of the Tomb Raider e Marvel’s Guardians of the Galaxy.
“Agradecemos a David pelas suas contribuições e desejamos-lhe o melhor nos seus projetos futuros”, disse o estúdio no mesmo comunicado. “Está em curso um plano de transição, e serão partilhadas mais atualizações assim que a nova liderança for finalizada”.
Em janeiro de 2024, o estúdio cortou 97 postos de trabalho, altura em que foi também cancelado um novo jogo de Deus Ex que estava em desenvolvimento. Em março de 2025 foram dispensadas cerca de 75 pessoas. Em dezembro do mesmo ano houve uma nova ronda, em que vários projetos internos foram cancelados e o estúdio reorientou o seu foco para trabalhos de co-desenvolvimento, nomeadamente no Grounded 2, liderado pela Obsidian, e no reboot do Fable, da Playground Games. Agora chegam mais 124.
Um estúdio sem jogo próprio desde 2021
A dimensão do problema fica mais clara quando se olha para o historial recente. Desde que a Embracer Group comprou a Eidos Montreal à Square Enix em 2022, o estúdio não lançou um único jogo de produção própria. O último foi Marvel’s Guardians of the Galaxy, em outubro de 2021, que, apesar de uma receção inicial morna, acabou por ganhar reputação de culto ao longo dos anos. No momento da aquisição pela Embracer, o estúdio tinha mais de 400 colaboradores.
No comunicado, o estúdio sublinhou que a decisão “não é um reflexo do talento, dedicação ou desempenho” das pessoas afetadas, e que “apoiar aqueles impactados com cuidado e respeito continua a ser a nossa prioridade, garantindo ao mesmo tempo a continuidade das equipas no futuro”.







