
Quando a Disney investiu 1,5 mil milhões de dólares na Epic Games em fevereiro de 2024, o objetivo anunciado era criar um universo de entretenimento persistente ligado ao Fortnite, com personagens da Marvel, Star Wars, Pixar e Avatar. Dois anos depois, há quem dentro da própria Disney esteja a pensar de forma mais ambiciosa.
Alex Heath, jornalista e antigo editor adjunto da The Verge, revelou no mais recente episódio do podcast The Town with Matt Belloni que a ideia de uma aquisição total da Epic Games circula pelos corredores da empresa de entretenimento há algum tempo. As suas palavras não deixam margem para dúvidas: “Sei com certeza que há executivos sénior na Disney que querem que eles comprem a Epic e estão apenas à espera desse momento”. E acrescentou que “há outros que acham que é uma má ideia”.
O próprio apresentador Matt Belloni confirmou ter ouvido rumores semelhantes de forma independente. Belloni referiu ainda que o novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, que assumiu o cargo este mês em substituição de Bob Iger, é um entusiasta assumido da parceria com a Epic e terá sido um dos principais arquitetos do investimento inicial de 1,5 mil milhões. D’Amaro prefere apostas como esta à parceria com a OpenAI, avaliada em mil milhões de dólares, que acabou por não avançar.
A lógica por detrás de uma eventual aquisição tem várias camadas. Heath enumerou algumas no podcast: “Acho que se a Epic alguma vez decidisse vender, se alguma vez decidisse abandonar a ideia de ser uma empresa independente, a Disney seria o destino mais natural para ela por muitas razões, para a integração nos parques, podem imaginar um parque temático do Fortnite, para toda a integração de IP em mundo aberto, que já anunciaram, e também como plataforma de jogos da Disney”.
Fora do universo dos videojogos, há outro trunfo que tornaria a Epic particularmente apetecível, o Unreal Engine. O motor gráfico da empresa é uma peça central na produção de séries como The Mandalorian, e já alimenta mais de 15 atrações nos parques temáticos da Disney, incluindo Millennium Falcon: Smugglers Run em Star Wars: Galaxy’s Edge. Deter a propriedade da Unreal Engine poderia, a prazo, reduzir significativamente os custos de produção da Disney em múltiplas frentes.
Há, no entanto, um obstáculo considerável, Tim Sweeney. O fundador e CEO da Epic Games detém o controlo total de voto da empresa, o que significa que qualquer aquisição só acontece se ele assim o quiser. A Epic foi avaliada em aproximadamente 22,5 mil milhões de dólares, e Sweeney nunca demonstrou intenção de abdicar da independência da empresa. A Tencent é também acionista significativa, o que acrescentaria outra camada de complexidade a qualquer negócio.
Nada disto tem confirmação oficial de qualquer das partes. A Disney não comentou publicamente, e a Epic também não. Mas o facto de Heath falar com tanta convicção sobre o interesse interno na Disney, e de Belloni confirmar ter ouvido o mesmo por outras vias, sugere que a conversa existe de facto, mesmo que por enquanto fique nos bastidores.









