A temporada de primavera de 2026 está recheada de shonen, de estreias históricas a regressos que a comunidade esperava há anos.
10One Piece: Elbaf
Há regressos e há regressos. Este é diferente. One Piece volta a 5 de abril depois de três meses de pausa, e fá-lo de uma forma que nenhum fã da série estava habituado, pela primeira vez em mais de 25 anos de emissão, o anime adota um formato sazonal, abandonando a emissão semanal contínua. São no máximo 26 episódios previstos para 2026, o que significa menos enchimento, mais atenção a cada cena, mais tempo de produção para cada frame.
E o arco que inaugura esta nova era é, para muitos, o mais aguardado de toda a saga. Elbaf, a ilha dos gigantes, foi mencionada pela primeira vez no arco de Little Garden, há mais de duas décadas, e ficou desde então como uma das promessas mais antigas do mangá. Quem leu sabe o que aí vem. Quem não leu está prestes a perceber porquê é que os fãs têm estado a guardar o fôlego há tanto tempo.
9Daemons of the Shadow Realm
A criadora de Fullmetal Alchemist está de volta. Isso, por si só, seria suficiente para colocar qualquer série no topo de todas as listas, mas Daemons of the Shadow Realm tem muito mais a oferecer do que o nome da sua autora. O mangá de Hiromu Arakawa, publicado desde dezembro de 2021, acompanha os gémeos Yuru e Asa, separados na infância numa aldeia isolada por tradições antigas e segredos que ninguém fala abertamente, que vão descobrindo ter o poder de controlar criaturas sobrenaturais chamadas Daemons.
A adaptação é da Bones Film, a mesma que animou FMA Brotherhood, com direção de Masahiro Andō, responsável pelo film de ação Sword of the Stranger, uma obra que continua a ser citada como referência em coreografia de combate animada. Dois cours confirmados significa que a história tem espaço para respirar. Estreia a 4 de abril.
8Dr. Stone: Science Future (2026)
A parte final de Dr. Stone chega a 2 de abril para fechar uma das séries mais originais que o shonen produziu nos últimos anos. Senku e o Reino da Ciência estão agora a perseguir o mistério por detrás do raio de petrificação, e o Why-Man, o antagonista que esteve na sombra desde o início, vai finalmente sair de lá. É o tipo de final que os fãs construíram ao longo de anos de investimento emocional na história, e a TMS Entertainment tem mantido uma qualidade consistente na adaptação que torna a perspetiva do desfecho genuinamente emocionante.
Há algo raro em Dr. Stone, é shonen com alma de ficção científica, onde os combates mais satisfatórios não se decidem com poderes especiais mas com química, física e engenharia. Depois de tudo o que Senku construiu, literalmente, do zero, ver esta história chegar ao fim vai ser uma experiência muito própria para quem acompanhou desde o início.
7Akane-banashi
A série mais incomum desta lista, e talvez a mais importante. Akane-banashi é publicada na Weekly Shonen Jump desde fevereiro de 2022 e o seu anime estreia a 4 de abril.
A história segue Akane Osaki, filha de um rakugoka que foi injustamente expulso da Escola Arakawa mesmo antes de atingir o título máximo de shin’uchi. Rakugo é uma forma de teatro solo japonês com 400 anos de história, onde um único performer conta histórias complexas usando apenas a voz, expressão facial e dois adereços. Na Weekly Shonen Jump, uma revista dominada por títulos de ação, Akane-banashi é uma anomalia, e foi um sucesso imediato. A direção ficou com Ayumu Watanabe, o mesmo que também dirige Witch Hat Atelier nesta temporada, e o elenco de vozes inclui nomes como Jun Fukuyama e Rie Takahashi. Se a pergunta é se o rakugo funciona como anime, Showa Genroku Rakugo Shinju já respondeu isso há uma década. Agora é a vez de Akane provar que o shonen não precisa de superforças para ter tensão.
6Kill Blue
Tadatoshi Fujimaki, o criador de Kuroko’s Basketball, lança o anime do seu mangá mais recente a 11 de abril, e a premissa é das mais divertidas da temporada, Juzo Ogami é uma lenda entre os assassinos contratados, o tipo de homem cujo nome faz arrepios nos corredores certos. Até ao dia em que o seu ADN sofre uma mutação durante uma missão correu mal e ele acorda no corpo de um miúdo de doze anos. Missões de alto risco estão fora de questão. A solução da organização? Infiltrá-lo numa escola secundária para avaliar se é um lugar seguro.
Fujimaki já provou com Kuroko que sabe equilibrar humor, ação e momentos genuinamente emotivos dentro de um formato shonen. Kill Blue tem todos os ingredientes para seguir esse caminho, com a vantagem de que a premissa do assassino profissional obrigado a fingir ser adolescente tem um potencial cómico quase ilimitado, que o mangá, segundo quem o leu, explorou até ao fim.
5Dorohedoro temporada 2
Seis anos é muito tempo para esperar por uma segunda temporada. Mas quem viu Dorohedoro em 2020 sabe que a espera era inevitável, a série precisava de tempo, e o estúdio MAPPA precisou de ainda mais depois de alguns adiamentos. A segunda temporada chega finalmente a 1 de abril, a tempo da primavera, e vai direto ao assunto, Caiman ainda procura o feiticeiro que lhe pôs uma cabeça de lagarto, Nikaido continua ao seu lado, e En, o feiticeiro chefe, não vai deixar isso ficar assim.
O mangá de Q Hayashida tem uma estranheza que é muito difícil de classificar. É shonen no formato, mas tem a densidade visual e narrativa de algo muito mais sombrio. O argumento de Hiroshi Seko, que já escreveu para Vinland Saga e Mob Psycho 100, é garantia de que a transição para o ecrã vai ser tratada com o cuidado que a fonte merece. Para quem ainda não viu a primeira temporada, abril é uma boa altura para recuperar o atraso.
4That Time I Got Reincarnated as a Slime temporada 4
Tensura regressa a 3 de abril com a temporada mais ambiciosa da sua história, cinco cours confirmados, com os dois primeiros consecutivos entre abril e setembro. A escala da nação de Rimuru chegou a um ponto em que os conflitos já não são guerras, são jogos de poder entre civilizações inteiras, com diplomacia, exércitos e alianças que tornam os combates das primeiras temporadas quase nostálgicos.
Para quem segue a série desde o início, esta quarta temporada é o culminar de anos de construção de mundo. Para quem está a pensar entrar, a premissa de um homem que reencarna como um slime e acaba por construir uma nação, tornando-se progressivamente mais poderoso e mais político, é uma das mais satisfatórias que o isekai de ação produziu. O estúdio 8-Bit mantém a animação, com direção de Yasuhito Kikuchi.
3Welcome to Demon School! Iruma-kun (2026)
Iruma-kun é daquelas séries que a maioria das pessoas não colocaria no topo da lista mas que, quem começa a ver, raramente consegue parar. A quarta temporada chega a 4 de abril com 24 episódios distribuídos por dois trimestres, e vai adaptar um arco de festival musical que os leitores do mangá descrevem como um dos mais divertidos e surpreendentes de toda a série.
A premissa continua a ser a mesma, Suzuki Iruma, um miúdo humano vendido pelos próprios pais ao demónio Sullivan, tenta sobreviver na escola do mundo demoníaco sem revelar que é humano. Mas a série tem uma capacidade notável de renovar a sua energia a cada temporada, e o elenco de personagens secundárias construído ao longo dos anos é suficientemente rico para sustentar tramas paralelas que funcionam por conta própria. É shonen no sentido mais clássico, amizade, crescimento, lealdade, executado com muito bom humor.
2MAO
Rumiko Takahashi tem 70 anos e ainda está a criar mangás publicados na Weekly Shonen Sunday. MAO é a sua série mais recente, e a adaptação anime estreia a 4 de abril pela Sunrise, o mesmo estúdio que animou Inuyasha, obra da mesma autora. A história de Nanoka, uma estudante que atravessa portais para o Japão da era Taisho e se envolve com o exorcista Mao e com a maldição que o prende, tem todas as marcas da Takahashi, o humor que descomprime a tensão, a relação entre protagonistas que se desenvolve devagar mas de forma consistente, e um sobrenatural que nunca perde o toque humano.
Para quem cresceu com Inuyasha ou Ranma 1/2, este regresso da autora ao anime é um evento com peso sentimental próprio. Para quem não conhece, é uma entrada acessível num universo que já provou ser capaz de durar décadas.
1Classroom of the Elite: 2nd Year
Classroom of the Elite regressa a 1 de abril com a sua quarta temporada, e a primeira a adaptar o arco do segundo ano. A série tem uma das premissas mais inteligentes do shonen recente, uma escola onde a aparência de igualdade esconde uma hierarquia brutal, e onde o protagonista Kiyotaka Ayanokouji navega com uma frieza calculada que o torna simultaneamente fascinante e desconcertante.
O que torna esta temporada particularmente interessante é que o segundo ano significa adversários novos e mais imprevisíveis, num contexto em que Ayanokouji já não pode confiar nos padrões que conhecia. O estúdio Lerche mantém a produção, e a série tem demonstrado uma consistência na qualidade da escrita que a distingue da maioria dos títulos do género. Para quem ainda não viu as temporadas anteriores, é um dos casos em que vale mesmo a pena começar do início.









