
O que começou como uma descoberta perturbadora nas redes sociais transformou-se rapidamente numa das polémicas gaming da semana. Jogadores de PS4 e PS5 começaram a reportar, a partir de 25 de abril, um novo temporizador visível nas páginas de informação dos jogos comprados digitalmente na PlayStation Store. O relógio indicava um prazo de 30 dias e a implicação era clara, sem ligação à internet dentro desse período, o acesso ao jogo seria bloqueado.
O que se seguiu foi um período de desorientação. O suporte da PlayStation respondeu de forma inconsistente a diferentes utilizadores, alguns receberam confirmação de que o temporizador de 30 dias era intencional e não um erro, outros foram informados de que não seria necessária nenhuma verificação recorrente. Existe também a teoria de que o sistema poderá ter sido introduzido para combater esquemas de fraude em reembolsos, sendo a licença temporária convertida em permanente após a verificação.
Entretanto, a situação escalou. Comparações imediatas com o escândalo da Xbox One em 2013 começaram a surgir, quando a Microsoft anunciou uma exigência de ligação à internet a cada 24 horas, e a Sony na altura gozou publicamente com essa decisão num vídeo que se tornou viral. Treze anos depois, a ironia não passou despercebida.
A resposta oficial da Sony
Com a pressão a crescer, a Sony Interactive Entertainment emitiu um comunicado oficial ao GameSpot que veio clarificar a situação: “Os jogadores podem continuar a aceder e a jogar os seus jogos comprados normalmente. É necessária uma verificação online única para confirmar a licença do jogo, após a qual não são necessárias mais verificações”.
Este esclarecimento parece confirmar que as novas compras têm uma licença temporária que precisa de ser autenticada pelo menos uma vez para se converter numa licença permanente. Não se trata, portanto, de uma verificação mensal recorrente, mas de um passo obrigatório algures após a compra.
O comunicado não explica quando exactamente esta verificação deve ocorrer, nem porquê foi implementada sem aviso prévio. O temporizador visível nos jogos afetados parece ser apenas um indicador do período durante o qual a licença temporária está activa, e não um prazo recorrente.
Mesmo com o esclarecimento da Sony, o debate não ficou encerrado. A preocupação central, e que a resposta oficial não aborda, é a que rodeia a preservação e a propriedade digital a longo prazo, o que acontece se os servidores da Sony deixarem de estar disponíveis? Se uma verificação online é necessária, mesmo que única, ela cria uma dependência de infraestrutura que pode não existir daqui a dez ou vinte anos.
É uma questão que partilha terreno com a polémica em torno dos Game Key Cards da Nintendo Switch 2, onde a necessidade de ligação à internet para validar compras levantou as mesmas dúvidas sobre a longevidade dos jogos digitais.









