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Google bane artista japonês por guardar mangá antigo no Google Drive

IA da Google bane conta de mangaká por conteúdo privado, o caso que está a preocupar criadores em todo o mundo

Aki-Sora vol 1 cover (1)

Masahiro Itosugi, o mangaká japonês conhecido pela série Aki-Sora, perdeu o acesso à sua conta Google depois de fazer upload de manuscritos antigos do seu próprio mangá para o Google Drive. O sistema de moderação automatizado da plataforma detetou o conteúdo, emitiu um aviso imediato e, após a rejeição do recurso apresentado pelo artista, procedeu ao banimento permanente da conta.

A situação foi tornada pública pelo próprio Itosugi a 15 de maio de 2026, num post no X onde escreveu: “Por falar nisso, tenho de confessar algo envergonhoso: fui banido do Google. Quando estava a fazer upload de dados de um mangá antigo que desenhei para o Drive, apareceu um aviso. O pedido de revisão foi rejeitado e fui devidamente banido. É mesmo uma situação muito má. Usava a minha conta Google para muitos sites e serviços”.

O que torna o caso particularmente perturbador é o alcance do banimento. Perder uma conta Google não significa apenas perder acesso ao Drive, significa ficar bloqueado do Gmail, do YouTube, das aplicações compradas no Android e de qualquer serviço de terceiros associado a esse endereço de correio eletrónico. O artista tentou recorrer da decisão, explicando a natureza privada dos ficheiros, mas o pedido foi rejeitado. Itosugi suspeita que, em todas as fases do processo, esteve a lidar com sistemas automatizados e não com funcionários humanos da empresa.

O conteúdo em causa era material de adultos, o mangá Aki-Sora foi publicado em formato de série entre 2009 e 2010 e recebeu uma adaptação anime, que, apesar de ser explícito, é legal no Japão e foi publicado comercialmente. O artista não partilhou os ficheiros com ninguém, estavam numa pasta privada, destinada a arquivo pessoal. Isso não impediu que os algoritmos da Google de os investigar

O incidente gerou uma discussão extensa nas comunidades de ilustração e tecnologia sobre os riscos de centralizar a vida digital num único ecossistema empresarial. Como sublinharam vários utilizadores mais experientes, a nuvem é, no fundo, o servidor de outra pessoa, e as suas condições de utilização aplicam-se a tudo o que lá se guarda, mesmo que seja privado e nunca partilhado. O consenso entre muitos criadores foi que material sensível deve ser protegido com compressão encriptada ou armazenado em discos físicos locais, longe dos sistemas de moderação automatizados.

O caso de Itosugi não é isolado. Desde outubro de 2025 a Google reforçou as suas políticas para acionar suspensões imediatas e sem aviso para determinadas violações de conteúdo.

O caso gerou ainda uma discussão secundária sobre os riscos de dispositivos com sincronização automática para a nuvem. Câmaras de vigilância doméstica, por exemplo, que enviam automaticamente as gravações para o Google Drive podem tornar-se uma vulnerabilidade involuntária, e, em teoria, um vetor de ataque para quem quisesse deliberadamente comprometer a conta de outra pessoa. A Google não comentou publicamente o caso de Itosugi.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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