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DuckDuckGo cresce 30% após anúncio de mais inteligência artificial na pesquisa do Google

O Google está a impingir IA sem forma de recusar e os utilizadores responderam

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Na semana a seguir ao Google I/O 2026, o DuckDuckGo registou aquilo que descreveu como uma “subida sustentada” nas instalações nos Estados Unidos. A conferência anual de desenvolvimento da Google, realizada a 19 de maio, foi o ponto de partida, a empresa anunciou a maior reformulação do seu motor de busca em mais de 25 anos, com a inteligência artificial a passar a ser a camada principal da experiência de pesquisa, e não uma funcionalidade opcional.

Os números do DuckDuckGo falam por si. Segundo dados partilhados pela própria empresa, as instalações da aplicação nos EUA subiram uma média de 18,1% semana a semana durante seis dias consecutivos, com o pico a acontecer a 25 de maio, quando o crescimento atingiu os 30,5%. O crescimento manteve-se mesmo durante o fim de semana do Memorial Day, um período em que a atividade online costuma baixar.

A reação foi especialmente intensa nos dispositivos Apple. As instalações no iOS registaram um crescimento médio de 33% semana a semana, com um pico de 69,9% a 25 de maio. Para além das instalações, as visitas ao site noai.duckduckgo.com, a versão do motor de busca sem qualquer funcionalidade de IA ativa por omissão, cresceram em média 22,7%, com um pico de 27,7% a 24 de maio.

O DuckDuckGo nota que o crescimento nos EUA foi várias vezes superior à taxa internacional, o que aponta para uma reação direta ao anúncio da Google centrado no mercado norte-americano.

O que a Google anunciou que fez disparar os alarmes

No I/O 2026, a Google apresentou o novo Intelligent Search Box, aquilo que descreveu como a maior atualização à caixa de pesquisa em mais de 25 anos. Ao contrário da caixa tradicional, a nova versão expande-se dinamicamente para acomodar questões mais complexas e aceita texto, imagens, ficheiros, vídeos e até tabs abertas no Chrome como elementos de pesquisa. Está a ser implementada em todos os países e idiomas onde o AI Mode está disponível.

Para os subscritores Google AI Pro e Ultra, há ainda acesso a agentes de pesquisa que funcionam em segundo plano 24 horas por dia, 7 dias por semana, recolhendo informação de forma autónoma com base em critérios definidos pelo utilizador. A ideia é que o utilizador nem precise de fazer uma nova pesquisa, o agente faz-o por ele, continuamente.

É precisamente esta dimensão de automatismo sem controlo explícito por parte do utilizador que parece estar na origem do desconforto.

Gabriel Weinberg, CEO do DuckDuckGo, não foi diplomático na sua avaliação: “O Google está a impingir IA sem forma de recusar. Como resultado, os seus resultados estão a piorar, não a melhorar. Queremos ser o lugar que coloca os utilizadores no controlo e lhes permite decidir quanta ou quão pouca IA querem. É por isso que estamos a ver um pico de pessoas a vir para o DuckDuckGo esta semana, é simples assim”.

Não é a primeira vez que Weinberg enfrenta a Google publicamente. Em 2023, durante o processo antimonopólio contra a empresa, testemunhou que os contratos de exclusividade da Google para ser o motor de busca padrão impediam o DuckDuckGo de competir em igualdade de circunstâncias,.

O DuckDuckGo também tem IA – mas é opcional

Vale a pena deixar claro, o DuckDuckGo não é um motor de busca sem IA. A plataforma oferece funcionalidades semelhantes aos AI Overviews e ao AI Mode da Google. A diferença está na abordagem, todas essas opções podem ser desativadas nas definições, e existe a versão noai.duckduckgo.com onde a IA está completamente desligada por omissão.

É esse posicionamento, controlo nas mãos do utilizador, não da plataforma, que torna o DuckDuckGo apelativo neste momento específico. A quota de mercado continua a ser marginal face à Google, mas os picos de instalação funcionam como um sinal claro de que parte dos utilizadores sente que deixou de ter escolha na experiência de pesquisa que mais utiliza.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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