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Toei Animation pressiona governo japonês contra a pirataria de anime

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O anime está a conquistar o mundo, mas a pirataria cresce a um ritmo que começa a preocupar seriamente a indústria. A 3 de abril, durante um simpósio realizado na Câmara dos Representantes do Japão, responsáveis do setor juntaram-se para debater o futuro do meio. Foi nesse contexto que a Toei Animation, o estúdio por detrás de One Piece, Dragon Ball e Sailor Moon, pediu diretamente ao governo uma intervenção mais musculada contra a pirataria internacional.

Kiichiro Yamada, diretor executivo sénior da Toei Animation, levou números concretos para a mesa. Segundo o relatório, as receitas do anime no estrangeiro atingiram os 13 mil milhões de dólares, superando pela primeira vez as vendas no mercado doméstico japonês. O anime representa também cerca de um terço de toda a receita japonesa proveniente de conteúdos exportados, um marco histórico para a indústria.

Yamada afirmou que “são necessárias medidas antipirataria” para proteger as vendas de licenciamento legítimo no exterior, acrescentando que é indispensável o apoio governamental para defender os direitos do anime a nível internacional.

O argumento ganha ainda mais peso quando se olha para os dados do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI). De acordo com um relatório publicado no início deste ano, as perdas estimadas causadas pela pirataria de conteúdo digital, anime, mangá e videojogos, passaram de 2 biliões de ienes em 2022 para 5,7 biliões em 2025, o equivalente a cerca de 38 mil milhões de dólares. Um aumento de quase o triplo em apenas três anos, apurado através de um inquérito realizado em seis países: Japão, China, Vietname, França, Estados Unidos e Brasil.

Inteligência artificial no combate às cópias ilegais

O governo japonês não ficou completamente de braços cruzados. As autoridades estão a investir no desenvolvimento de um sistema de inteligência artificial destinado a detetar páginas de mangá roubadas na internet e identificar onde estão a ser distribuídas, uma ferramenta que custou cerca de 650 mil dólares ao Estado japonês. O METI anunciou também que vai reforçar a cooperação com autoridades locais de outros países e expandir os mecanismos de combate à violação de direitos de autor, incluindo os casos que envolvem inteligência artificial generativa e produtos falsificados.

Ainda assim, para a Toei Animation, estas iniciativas ficam aquém do necessário. A posição do estúdio é clara, sem uma cooperação internacional muito mais robusta para fazer cumprir as leis de direitos de autor, os estúdios continuarão a perder receita que deveria ir para melhorar as condições de trabalho dos animadores e financiar novas produções.

Em novembro de 2025, o governo japonês revelou o objetivo de quadruplicar as vendas do anime no exterior até 2033, atingindo os 6 biliões de ienes (cerca de 37 mil milhões de dólares), como parte de um plano mais amplo para expandir o mercado externo de conteúdos criativos japoneses para 20 biliões de ienes. Os setores do anime e dos videojogos juntos representam 90% dessa meta global.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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