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Xbox despede 3200 trabalhadores e vende quatro estúdios em reestruturação histórica

Quais são os quatro estúdios que vão deixar de pertencer à Xbox?

visual Xbox marca presença na gamescom

A Microsoft confirmou esta segunda-feira aquela que a própria CEO da Xbox, Asha Sharma, descreve como a maior reestruturação de sempre da divisão de jogos. Ao todo, cerca de 3200 postos de trabalho vão desaparecer ao longo do próximo ano fiscal, com metade desse número, cerca de 1600 pessoas, a deixar a empresa de imediato. A notícia surge poucas semanas depois de Sharma ter avisado os funcionários de que a Xbox iria passar por um período de reset nos 100 dias seguintes à sua chegada ao cargo.

Onde vão incidir os cortes

Segundo a mensagem enviada aos funcionários os despedimentos afetam praticamente todas as áreas da Xbox, embora com intensidade diferente consoante o estúdio:

  • Activision
  • Bethesda/ZeniMax
  • Blizzard
  • King
  • Mojang
  • Xbox Game Studios

Sharma garantiu, no entanto, que nenhum jogo já anunciado publicamente vai ser cancelado, o que significa que jogo como Senua, da Ninja Theory, ou State of Decay 3, da Undead Labs, se mantêm de pé.

Quatro estúdios deixam de pertencer à Xbox

Além dos despedimentos diretos, a Xbox vai também desfazer-se de quatro estúdios:

  • A Compulsion Games, responsável por South of Midnight, vai tornar-se independente, mantendo o controlo total sobre a sua propriedade intelectual, catálogo e futuros projetos.
  • A Double Fine Productions segue o mesmo caminho, recuperando a gestão da sua própria equipa.
  • A Ninja Theory e a Undead Labs vão transitar para novos proprietários ainda não divulgados, mas com financiamento assegurado para terminar Senua e State of Decay 3.

Já a Arkane Studios, com sede em França, não segue exatamente o mesmo destino dos restantes. Segundo Sharma, a direção do estúdio está a iniciar um processo de consulta obrigatória junto do seu Works Council para avaliar possíveis opções estratégicas para o futuro.

As palavras duras da CEO da Xbox

A carta de Sharma aos funcionários não poupa nas críticas ao estado atual do negócio. Num dos trechos mais citados, a responsável escreveu: “O nosso negócio, hoje, não está saudável”.

De acordo com Sharma, a Xbox opera atualmente com margens entre três a dez vezes inferiores às de outras plataformas e editoras comparáveis. A explicação passa, segundo a própria, por uma aposta forte em Game Pass, em jogos multiplataforma e num portefólio de conteúdos mais alargado, que acabou por não crescer ao ritmo esperado. Isso, por sua vez, terá enfraquecido o negócio principal da empresa, levando a mais equipas, mais investimento e mais tempo à espera de resultados que nunca chegaram na escala desejada.

Sharma reconhece ainda que os cortes surgem também numa altura em que a indústria enfrenta aquela que classifica como a crise de hardware mais grave da sua história, uma referência aos custos crescentes de produção de consolas.

Menos níveis de gestão e uma nova diretora de operações

A reestruturação não se fica pelos despedimentos e pela venda de estúdios. A Xbox vai também achatar a sua estrutura interna, reduzindo o número de camadas de gestão para um máximo de cinco, e sempre que possível apenas três, depois de algumas áreas do negócio chegarem a ter até 14 níveis hierárquicos diferentes.

Nesse contexto, Helen Chiang, até agora ligada à liderança da Minecraft, foi promovida a diretora de operações da Xbox, um cargo até então inexistente na divisão, com responsabilidade direta sobre conteúdos, hardware, plataforma e serviços. A Mojang e a King passam também a reportar diretamente a Sharma. Já Dave McCarthy, que ocupava o cargo de diretor de operações, vai abandonar a empresa depois de 17 anos de casa.

Um problema que já se arrastava há meses

Os rumores sobre despedimentos em massa na Xbox já circulavam desde início de junho, quando Sharma e o diretor de conteúdos, Matt Booty, anunciaram publicamente que a divisão iria passar por um reset. Nas semanas seguintes, o próprio responsável pela Xbox Game Studios acabou por deixar o cargo, enquanto vários estúdios mais pequenos passaram a ser apontados como possíveis alvos de fecho ou venda.

A situação da Xbox não é isolada dentro da Microsoft, a companhia confirmou também um total de 4800 despedimentos a nível corporativo. Estes cortes na Xbox chegam depois de a empresa ter subido recentemente o preço das suas consolas, uma decisão associada ao aumento dos custos de memória e armazenamento, área onde a própria Microsoft também compete ao expandir a sua capacidade de computação dedicada a inteligência artificial.

Não é a primeira vez que a Xbox atravessa um processo deste género nos últimos anos. Em 2024, a divisão já tinha cortado 1600 postos de trabalho, e há pouco mais de um ano voltou a eliminar várias centenas de funções, incluindo em estúdios como a Turn 10 Studios, a Blizzard Entertainment e a própria Compulsion Games. Antes destes novos despedimentos, a Communications Workers of America, sindicato que representa parte dos trabalhadores da indústria de jogos ligados à Microsoft, tinha pedido à empresa que negociasse de boa-fé proteções mais sólidas para quem viesse a perder o emprego.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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