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Aos 74 anos, Shigeru Miyamoto garante que ainda não está pronto para a reforma

Shigeru Miyamoto Nintendo Direct Screenshot

Não é todos os dias que Shigeru Miyamoto se senta para uma entrevista longa e pessoal. Foi precisamente isso que aconteceu numa conversa recente com a revista japonesa Famitsu, onde o criador de Mario, Zelda e Donkey Kong acabou por falar sobre um tema que raramente aborda em público, o futuro da sua própria carreira, e a pressão silenciosa que sente vinda de casa para começar a abrandar.

Miyamoto foi questionado sobre se existe algum projeto específico que ainda gostaria de concretizar. A resposta foi reveladora, tanto pelo que disse como pelo que deixou implícito: “Não tenho nada em particular em mente. Ficaria feliz se conseguisse começar um movimento em que ‘toda a gente e os seus cães’ participassem, mas não há nada que sinta que vou levar até ao fim. A minha família anda a dizer-me, ‘não é a altura de parares?’ (risos)“.

É uma frase dita a rir, mas que resume bem a fase em que Miyamoto se encontra, aos 74 anos, continua profundamente envolvido no dia a dia da Nintendo, ainda que já não esteja à frente da direção de um novo Mario ou Zelda há algum tempo, dedicando-se sobretudo a projetos como filmes, o Super Nintendo World ou até Pikmin Bloom.

O momento mais revelador da entrevista surgiu quando a Famitsu perguntou diretamente se Miyamoto tem esperança de continuar a fazer o que faz atualmente daqui a dez anos, altura em que terá 83 anos. A resposta, sem hesitação, foi afirmativa: “Ah, sim, é isso mesmo. O sentimento de ‘espero que possamos continuar’ encaixa perfeitamente. No estúdio, costumamos dizer coisas como, ‘não seria surpresa nenhuma se eu desmaiasse amanhã, por isso certifiquem-se de que ficam bem (risos).’ Espero que possamos continuar sem problemas“.

O tom de humor não esconde o essencial, apesar das brincadeiras da família e da consciência da própria idade, Miyamoto deixa claro que não tem qualquer intenção de deixar a Nintendo tão cedo, nem sequer de reduzir significativamente o ritmo de trabalho.

Um regresso à direção de jogos continua em aberto

Ao longo da mesma conversa Miyamoto foi ainda confrontado com a possibilidade de voltar a dirigir jogos diretamente, algo que já não faz há vários anos. A resposta foi cautelosa, mas não fechou completamente essa porta: “Neste momento, não estou realmente a pensar nisso. Mas com o Pikmin Bloom, envolvi-me porque queria fazê-lo eu mesmo, por isso, dependendo do tema, se conseguir fazer algo interessante com isso, pode chegar uma altura em que queira fazê-lo. Tenho o know-how (risos)“. Miyamoto acrescentou ainda que, hoje em dia, produzir um único jogo pode envolver cerca de 200 pessoas, o que torna esse tipo de regresso um desafio bem maior do que era no passado.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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