InícioJogosArábia Saudita vai ficar com 93,4% da Electronic Arts

Arábia Saudita vai ficar com 93,4% da Electronic Arts

Compra da EA pelo PIF fecha-se a 4 de agosto de 2026

Electronic Arts também vai falhar o GDC 2020 devido ao Coronavírus (COVID-19)

Depois de quase um ano em análise por reguladores de todo o mundo, a compra da Electronic Arts por um consórcio liderado pelo fundo soberano da Arábia Saudita está finalmente perto de se concretizar. Num documento entregue à Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos a editora confirmou ter recebido todas as autorizações regulatórias necessárias, abrindo caminho para o fecho do negócio já na próxima semana.

Segundo o documento, a expectativa é de que a operação se conclua a 4 de agosto de 2026, ao fecho do mercado bolsista. A própria EA escreveu, na mesma comunicação:

“À data de 30 de julho de 2026, todas as aprovações regulatórias necessárias para concluir a fusão foram obtidas. A Electronic Arts espera atualmente que a fusão se conclua por volta do fecho de negociações de 4 de agosto de 2026”.

A empresa acrescenta ainda que a concretização do negócio depende apenas do cumprimento, ou dispensa, das condições habituais previstas no acordo de fusão.

A operação foi anunciada pela primeira vez em setembro de 2025, avaliando a EA em cerca de 55 mil milhões de dólares. Quando concluída, tratar-se-á da maior aquisição financiada por dívida (leveraged buyout) de sempre, um tipo de operação em que a maior parte do custo é coberta por empréstimos, usando os próprios ativos e receitas futuras da empresa comprada como garantia para o pagamento desse financiamento.

Com o fecho do negócio, a Electronic Arts deixa de ser uma empresa cotada em bolsa, terminando um percurso de 36 anos na Nasdaq, onde entrou em março de 1990. A partir de então, a totalidade da empresa passa a pertencer a um consórcio de investidores composto por três entidades:

  • O Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita, que ficará com 93,4% da EA
  • A Silver Lake Partners, uma sociedade de capital de risco norte-americana sediada em Silicon Valley, com 5,5%
  • A Affinity Partners, firma de investimento fundada por Jared Kushner, genro de Donald Trump, que ficará com os restantes 1,1%

De acordo com fontes citadas pela imprensa internacional, a Affinity Partners concentra o seu investimento sobretudo em empresas dos Estados Unidos e de Israel, sendo financiada em grande parte por capital proveniente do governo saudita.

Um fundo com peso crescente na indústria dos videojogos

O PIF não é propriamente um recém-chegado ao setor dos videojogos. O fundo é apontado como uma peça central na estratégia do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para tornar a economia saudita menos dependente das receitas do petróleo, e já detém participações relevantes noutras empresas do setor, como a Take-Two, além de deter integralmente companhias como a SNK.

Ao longo dos últimos anos, responsáveis sauditas têm defendido que estes investimentos ajudam a modernizar o país. Ainda assim, a aproximação entre a Arábia Saudita e a indústria tecnológica e do entretenimento continua a gerar desconforto.

Face a estas preocupações, a Maxis, estúdio da EA responsável pela série The Sims, sentiu necessidade de vir a público, ainda em janeiro, garantir que a mudança de titularidade acionista não afetaria a forma como o estúdio trabalha nem os valores que defende, num setor onde é reconhecido pela sua aposta na diversidade de personagens e na inclusão.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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