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Death Stranding vai para o cinema: realizador de Pig promete uma aventura, não um drama sombrio

Michael Sarnoski explica o tom do filme de Death Stranding

Death Stranding 2 - Visual team

Numa altura em que as adaptações de videojogos para cinema se multiplicam, poucas geram tanta curiosidade como Death Stranding. O jogo de Hideo Kojima, lançado em 2019, está a caminho das salas de cinema pela mão da A24, e as primeiras declarações do realizador Michael Sarnoski sugerem que o resultado final pode surpreender quem espera apenas mais um filme pós-apocalíptico sombrio.

Uma história original dentro do universo do jogo

O projeto já não é novidade, a A24 confirmou o seu envolvimento em 2023, depois de o filme ter sido anunciado em dezembro de 2022, mas só a 7 de abril de 2025 é que foi revelado o nome do realizador escolhido. Michael Sarnoski, conhecido por Pig e por A Quiet Place: Day One, ficou responsável tanto pela realização como pela escrita do guião.

Ao contrário do que muitos fãs poderiam esperar, o filme não vai limitar-se a recontar a história do jogo original. Durante o evento Beyond the Strand, organizado pela Kojima Productions em setembro de 2025, o próprio Sarnoski confirmou que a longa-metragem vai apresentar uma história original, com personagens novas, mas mantendo-se fiel ao universo e ao espírito da obra de Kojima. O realizador descreveu na altura a sua intenção de fazer com que o filme parecesse grandioso, mas também pouco convencional e centrado nas personagens.

As declarações mais recentes do realizador ajudam a perceber melhor que tipo de filme está a ser construído. Questionado sobre o tom da adaptação, Sarnoski explicou:

Death Stranding é um jogo que lida com temas pesados, como o véu entre a vida e a morte, o isolamento, a ligação, a perda e a distância entre as pessoas, tanto no espaço como no tempo, geracionalmente. E por isso tem todos estes temas bastante pesados, mas também é como um jogo de aventura e um filme de aventura“.

Esta ideia de equilíbrio entre peso temático e espírito de aventura é, segundo o realizador, central à forma como está a abordar o projeto. Em declarações mais recentes, Sarnoski garantiu ainda que o filme não vai ser particularmente violento, distinguindo-o de outros projetos seus mais sombrios, como The Death of Robin Hood. Segundo o realizador, existe ação e alguma violência ao longo da história, mas o objetivo é que sirva sobretudo para transmitir a sensação de perigo constante do mundo de Death Stranding, e não para chocar através de brutalidade gratuita.

Produção prevista para o próximo ano

Sarnoski entregou recentemente uma segunda versão do guião e espera iniciar as filmagens já em 2027, com a Islândia e a Irlanda do Norte apontadas como possíveis locais de rodagem. Em entrevistas anteriores, o próprio Hideo Kojima já tinha adiantado que o filme, produzido em conjunto com a A24, deverá chegar às salas em 2027.

Vale ainda destacar que o criador japonês tem acompanhado de perto o desenvolvimento do guião e tem manifestado satisfação com aquilo que tem sido desenvolvido até ao momento.

Death Stranding vai ter filme anime com título provisório “Mosquito”

Parte do interesse em torno desta adaptação está relacionado com a forma peculiar como o próprio jogo foi construído. Death Stranding coloca o jogador na pele de Sam Porter Bridges, um estafeta responsável por atravessar sozinho paisagens hostis e reconectar sobreviventes isolados numa América fragmentada, depois de um acontecimento catastrófico ter aberto uma fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Ao contrário da maioria das histórias pós-apocalípticas, centradas em conflito e escassez, a premissa de Death Stranding assenta quase inteiramente na ideia de ligação como forma de resistência.

Essa construção narrativa foi também reforçada por um elenco pouco habitual para um videojogo, com Norman Reedus a interpretar Sam, ao lado de nomes como Mads Mikkelsen, Léa Seydoux, Margaret Qualley e o próprio realizador Guillermo del Toro, entre outras participações especiais. Ainda não existe qualquer casting confirmado para a versão cinematográfica, nem garantias de que os intérpretes do jogo original vão regressar aos seus papéis, mas o trabalho de caracterização já construído por Kojima e pela sua equipa dá a Sarnoski uma base bastante mais rica do que a maioria das adaptações de videojogos costuma ter à partida.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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