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10 finais de anime que os fãs nunca vão perdoar

Há uma coisa que os fãs de anime levam muito a sério, a forma como as suas séries favoritas terminam. Podem perdoar arcos mais fracos, episódios de preenchimento, mudanças de estúdio, mas um mau final? Esse fica para sempre.

10
Attack on Titan

Attack on Titan

Durante mais de uma década, Attack on Titan foi tratado como um dos anime mais importantes da geração. A estreia causou impacto imediato, a história manteve os fãs presos durante anos, e a expectativa em torno do final era enorme. O problema é que expectativas assim raramente são satisfeitas, e neste caso, a queda foi particularmente dolorosa.

O centro da polémica foi Eren Yeager. A série passou anos a construir uma das personagens mais complexas e moralmente ambíguas do anime moderno, alguém cuja determinação era quase assustadora. E então chegou o último arco, e de repente Eren parecia não saber ao certo porque tinha desencadeado o Rumbling, o evento que definia toda a segunda metade da história. Para muitos fãs, esta incerteza retroativa destruiu não só o final, mas também o impacto de tudo o que veio antes.

O estúdio MAPPA introduziu algumas alterações em relação ao mangá, mas a reação foi semelhante à que o mangá já tinha recebido quando terminou. Há quem defenda que o final é deliberadamente ambíguo e tematicamente coerente. Há quem considere que foi simplesmente um erro de escrita que nenhuma alteração de estúdio conseguia corrigir. A discussão continua ativa.

9
School Days

School Days é um anime que quase ninguém recomenda da forma convencional. Os primeiros onze episódios são, para a maioria dos espectadores, uma experiência frustrante, um triângulo amoroso banal entre adolescentes, com um protagonista que vai traindo todas as pessoas à sua volta sem qualquer consequência aparente. É o tipo de série que muita gente abandona a meio.

E então chega o episódio final, e tudo muda. Kotonoha, empurrada pelo ciúme e pela traição acumulada, mata Makoto. E depois Sekai. A cena de encerramento mostra-a tranquilamente num barco ao pôr do sol, a segurar a cabeça decapitada do ex-namorado como se fosse a coisa mais natural do mundo.

A internet não ficou em silêncio. O momento tornou-se o meme “Nice Boat”, uma referência ao facto de um canal japonês ter substituído o episódio final por imagens de barcos depois de um crime real, considerando o conteúdo demasiado sensível para ser emitido naquele momento. Hoje, School Days tem uma vida própria na cultura de internet, é constantemente recomendado a fãs de anime desprevenidos, precisamente para ver a reação quando chegam ao final.

8
Gantz

Gantz anime visual

Gantz chegou numa época em que era perfeitamente normal um anime existir apenas como publicidade ao mangá. A série não precisava de ter um final satisfatório, precisava de vender volumes. O problema é que Gantz nem isso fez bem.

A qualidade de animação era discutível desde o início, mas o verdadeiro problema foi a forma como os episódios finais foram construídos, cheios de conteúdo de filler, sem ritmo, e com um desfecho que simplesmente ignorou o arco mais ambicioso do mangá, a invasão alienígena que serve de clímax à história original. Quem tinha lido o mangá ficou a perguntar-se para que serviu a adaptação. Quem não tinha ficou com uma impressão muito incompleta da obra.

É um dos casos mais claros de uma oportunidade desperdiçada, Gantz tinha material para ser um anime de referência no género de ficção científica violenta, e a adaptação ficou muito aquém disso.

7
Neon Genesis Evangelion

Neon Genesis Evangelion

Há finais polémicos e há o final de Neon Genesis Evangelion, um caso que merece categoria própria. Quando o episódio 26 foi emitido em 1996, a reação dos fãs foi de tal forma intensa que a Gainax acabou por produzir um filme alternativo, End of Evangelion, lançado apenas um ano depois, em parte como resposta direta às críticas.

Os dois últimos episódios abandonam completamente a narrativa externa, os Anjos, os Evangelions, o destino da humanidade, e transformam-se numa viagem psicológica pelo interior da mente de Shinji. A série, que tinha sido cada vez mais surreal nos episódios anteriores, termina com uma sequência em que todas as personagens aplaudem o protagonista num ambiente visivelmente low-budget. Para muitos espectadores da época, foi uma traição. Dinheiro e tempo tinham acabado, e o estúdio improvisou o que pôde.

Com o passar dos anos, a conversa mudou. Uma parte significativa dos fãs passou a defender estes episódios como uma das experiências mais únicas e corajosas da animação japonesa. Outros continuam a preferir End of Evangelion. E há quem goste dos dois por razões completamente diferentes. Trinta anos depois, ainda não há consenso.

6
Soul Eater

Soul Eater

Soul Eater é um dos anime que mais frequentemente aparece em listas de séries que precisam de um remake. E com razão. A premissa era forte, o estilo visual era distintivo, e as personagens tinham potencial para muito mais do que a adaptação acabou por entregar.

O problema foi estrutural, o anime esgotou o material disponível do mangá antes de este estar concluído, e em vez de pausar ou encontrar uma solução criativa, optou por criar um final original. O resultado foi uma batalha final em que Maka derrota o antagonista Asura com aquilo que a série chamou um “Soco de Coragem”, um poder que não tinha sido desenvolvido em lado nenhum da história e que surgiu literalmente do nada. Para piorar, a personagem transforma-se subitamente numa arma, uma capacidade que nunca tinha sido sequer insinuada.

O mangá continuou durante muitos capítulos após o ponto em que o anime terminou e chegou a um desfecho muito mais elaborado. Quem leu os dois sabe exatamente o que se perdeu. O anime de Soul Eater não é mau, mas o final é um travão real na forma como a série é recordada.

5
Puella Magi Madoka Magica: Rebellion

Puella Magi Madoka Magica -Walpurgisnacht Rising- anime main visual

A série original de Puella Magi Madoka Magica, emitida em 2011, é considerada por muitos como uma das melhores do género magical girl, e não apenas isso, mas uma das melhores séries anime da última década e meia. O final da série é doloroso, Madoka apaga-se da existência para salvar todas as bruxas do mundo, num sacrifício que é simultaneamente devastador e completamente coerente com a história que foi contada. Era um encerramento perfeito.

E então chegou o filme Rebellion, em 2013, e desfez tudo isso.

Homura, incapaz de aceitar o destino de Madoka, altera a realidade e recomeça o ciclo. Para uma parte dos fãs, foi uma traição direta ao que a série tinha construído, uma decisão motivada por interesses comerciais que sacrificou uma narrativa que não precisava de continuação. A popularidade de Homura, que era uma das personagens mais queridas do fandom, sofreu um golpe do qual nunca recuperou completamente entre muitos espectadores. Há novos filmes planeados para a franquia, o que significa que este debate está longe de terminar.

4
Claymore

Claymore

Claymore tinha tudo para ser um dos grandes anime de fantasia sombria. A premissa era sólida, a protagonista era carismática, e o tom da série era consistentemente maduro e brutal. Devia ter ficado na memória coletiva ao lado de Berserk. Em vez disso, está a cair progressivamente no esquecimento, e o final tem muito a ver com isso.

A série ultrapassou o material do mangá disponível na altura e optou pelo caminho mais fácil, um final alternativo. Clare desperta completamente enquanto combate Priscilla num vulcão, Reki e Jean salvam-na de se tornar um Ser Completamente Desperto, e a história fecha com o destino de Priscilla e da Organização completamente em aberto. É um final que não resolve praticamente nada.

O mangá acabou por oferecer uma conclusão muito mais satisfatória, mas isso não ajudou a reputação da adaptação. Claymore continua a ser um anime que muitos fãs recomendam com um aviso obrigatório sobre o final, o que acaba por afastar parte do público antes mesmo de começar.

3
Wonder Egg Priority

Nova imagem promocional de Wonder Egg Priority

Wonder Egg Priority foi uma das surpresas mais agradáveis de 2021. Uma série original do estúdio CloverWorks, com uma abordagem corajosa a temas como o suicídio na adolescência e o luto, animação de qualidade excecional nos primeiros episódios, e uma narrativa que parecia saber para onde estava a ir. O entusiasmo inicial foi genuíno.

O que aconteceu a seguir foi um colapso de produção em câmara lenta. A equipa entrou em dificuldades sérias a meio da emissão, o que levou à exibição de episódios recapitulativos onde devia haver conteúdo novo. A qualidade de animação deteriorou-se visivelmente. No episódio 11, uma nova personagem tomou o controlo da narrativa de forma abrupta, sem preparação suficiente. E quando o episódio especial que deveria fechar a história foi finalmente emitido meses depois, uma parte do trabalho de animação tinha sido externalizada para colaboradores externos sem experiência para lidar com o nível de exigência da série.

O resultado foi um final que a maior parte dos espectadores considerou incoerente. Wonder Egg Priority ficou como exemplo de uma série com potencial real que nunca conseguiu cumprir o que prometeu, não por falta de talento, mas por condições de produção que claramente não estavam à altura da ambição do projeto.

2
Charlotte

Charlotte foi criada pela Key, o estúdio por detrás de Angel Beats!, e chegou em 2015 com a expectativa natural que esse nome traz. A premissa, adolescentes com poderes sobrenaturais a frequentar uma escola especial, parecia terreno familiar, mas a série sinalizou cedo que pretendia ir a lugares mais sombrios.

O problema foi o tempo. Doze episódios é pouco para a quantidade de história que Charlotte tentou contar, e isso começou a sentir-se cada vez mais à medida que a série avançava. O protagonista Yuu perde a irmã num acidente, é raptado por terroristas, percorre o mundo a recolher poderes de outros adolescentes, e acaba com a memória completamente apagada. A presidente do conselho estudantil, Nao, convence-o então de que é a sua namorada, algo que não era verdade, numa cena que deveria ser emocionante mas que muitos acharam forçada.

Há fãs que apreciam exatamente esta imprevisibilidade, a sensação de que qualquer coisa pode acontecer. Mas muitos outros sentiram que as reviravoltas finais não tinham raízes suficientemente profundas na história que as precedeu para funcionar como deveriam.

1
Akame ga Kill!

Akame ga Kill! nunca fez segredo do que era. Desde o primeiro episódio que a série deixou claro que ninguém estava completamente a salvo, personagens são apresentadas e mortas antes de o espectador ter tempo de se habituar a elas. Era parte da identidade da série, e quem continuou a vê-la sabia no que se estava a meter.

Mesmo assim, o final conseguiu surpreender pela negativa. A série afastou-se do mangá nos episódios finais e tomou decisões que muitos fãs não perdoaram, Leone, uma das personagens mais queridas, morre no desfecho. Tatsumi, o protagonista que a série acompanhou desde o início, também não sobrevive. Para quem tinha investido emocionalmente na sua evolução ao longo de todos os episódios, foi um golpe difícil de aceitar, não porque as mortes sejam necessariamente um problema em si, mas porque a forma como aconteceram pareceu mais gratuita do que significativa.

O mangá terminou de forma diferente, e os fãs que o leram ficaram com uma experiência mais completa. Mas a adaptação anime ficou marcada, e é raro encontrar alguém que a discuta sem mencionar o final como um ponto fraco.

ViaCBR
Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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