
Os fãs de Dorohedoro esperaram seis longos anos entre o final da primeira temporada e a estreia da segunda, em abril deste ano. Agora, membros do staff do estúdio MAPPA responsável pela série explicaram que o atraso não teve qualquer relação com o desempenho ou popularidade do anime, mas sim com o facto de o estúdio ter concentrado grande parte dos seus recursos noutro projeto de grande escala: Attack on Titan: The Final Season.
A revelação surgiu numa entrevista conjunta ao diretor de animação de Dorohedoro 2, Yuichiro Hayashi, ao produtor de animação Koya Okamura e ao produtor criativo Yusuke Tannawa, realizada durante a convenção Anime Central 2026.
Ao contrário do receio de muitos fãs, que temiam que Dorohedoro tivesse sido silenciosamente arquivado durante o hiato entre temporadas, o staff do estúdio MAPPA garante que a intenção de avançar com a segunda temporada existiu desde o momento em que a primeira terminou. O problema foi de calendário, o estúdio já se tinha comprometido com outro projeto de peso, também fortemente dependente de animação 3DCG, que acabou por absorver grande parte da capacidade produtiva disponível.
Esse projeto era precisamente Attack on Titan: The Final Season, que encerrou um ciclo de quase uma década iniciado em 2013 com a estreia do anime original. Em vez de colocar Dorohedoro completamente de lado, o staff optou por manter um desenvolvimento paralelo, dedicando-se sobretudo ao design de personagens e a outros elementos visuais essenciais para captar fielmente o universo excêntrico criado por Q Hayashida no mangá original, um processo que, segundo Tannawa, se prolongou por cerca de dois anos.
Outro fator que contribuiu para o longo tempo de produção prende-se com a própria técnica de animação utilizada. À semelhança de Attack on Titan, Dorohedoro a segunda temporada anime de Dorohedoro recorre a uma abordagem híbrida que combina animação 3DCG com animação tradicional em 2D. Segundo Tannawa, este tipo de trabalho tridimensional costuma ser particularmente exigente:
“Normalmente, as personagens principais são todas feitas em 3D, mas muitas vezes, tanto a nível de orçamento como de calendário, é muito difícil fazer tudo em 3D“.
Apesar de o rácio entre animação 2D e 3D não ter sido alterado nesta segunda temporada, Hayashi afirmou que o staff aproveitou o tempo disponível para reagrupar e refinar a sua estratégia de produção, com o objetivo de manter, e até melhorar, a qualidade geral da animação. Esta reformulação tornou-se ainda mais pertinente porque algumas das limitações criativas impostas durante a primeira temporada deixaram de se aplicar, permitindo à equipa mostrar em ecrã conteúdos que antes tinham sido forçados a omitir. Como explicou Hayashi:
“Como a primeira temporada foi para televisão, só nos era permitido mostrar até um certo ponto os detalhes mais violentos… Mas com a segunda temporada, isso já não se aplica“.
Uma produção pensada para não repetir erros do passado
O estúdio MAPPA já foi alvo de fortes críticas no passado, com antigos colaboradores a acusar publicamente a gestão do estúdio de sobrecarregar as equipas ao ponto de causar exaustão física e sofrimento emocional. Desta vez a produção de Dorohedoro 2 partiu de um mandato claro, garantir que a qualidade da série não seria alcançada à custa do desgaste da equipa.
Para cumprir esse objetivo, o MAPPA reforçou a sua equipa nuclear de animação e delegou parte do trabalho de cenários de fundo a estúdios externos, nomeadamente o Studio Easter, responsável por títulos como Detective Conan e Dandadan, e o MOA Studio, conhecido pelo trabalho em Jujutsu Kaisen. Além disso, cada animador ficou destacado para um único projeto de cada vez, uma medida que Tannawa resume da seguinte forma:
“Temos muito cuidado em garantir que todos descansam e se sentem equilibrados nas suas vidas“.
No início deste ano, o estúdio MAPPA confirmou também que uma terceira temporada de Dorohedoro já recebeu luz verde. Até agora, o estúdio ainda não anunciou qualquer data ou janela de estreia para esta nova fase da adaptação.









