Persona 5 The Animation — Ep. 1: Ufa… Ainda bem.

Uma das minhas maiores preocupações com os lançamentos que teríamos esse ano e que já foi assunto de uma das minhas rápidas aparições durante as lives do Conversa Otaku que o Bushido realiza comentando sobre as notícias da semana, foi sobre como se daria a adaptação de Persona 5 em questão de como aquela história seria levada até nós. Como seria o mundo? Como seria os personagens? A Fidelidade se manteria? Como seria as adaptações das músicas? Eles trariam as músicas para o anime – considerada uma das melhores músicas dos videogames no ano passado de um jogo que também foi considerado um dos melhores jogos do ano passado? Muitas preocupações acercavam minha mente de preocupações e meu coração estava inseguro sobre o resultado final e de como isso se daria. Mas felizmente, braços abertos, respiração ofegante abandonada, um respiro calmo e um ambiente mais feliz ao meu redor, eu consigo afirmar que: É justamente o contrário do que eu esperava e me preocupava.

Persona 5: The Animation é uma animação baseada em um jogo de videogame do mesmo nome – Persona 5 – que faz parte de uma série que já apareceu diversas vezes na mídia dos animes, seja como uma história original – Persona Trinity Soul – seja como adaptações do jogo que anteriormente fez um grande sucesso como uma escadaria de sucesso que levou o nome da série a um patamar nunca antes visto – Persona 4 The Animation – ou com coisas tão desastrosas quanto a qualidade da animação anterior – Persona 4 Golden The Animation. Apesar disso, no meio desse tempo, nós tivemos boas animações de Persona que foi a adaptação para uma quadrilogia de filmes da história pertencente a Persona 3, apesar disso, a insegurança ainda pairava sobre como que a animação de Persona 5 seria abordada, se tratando de uma história que abrange muito mais temas do que os seus jogos anteriores, uma construção de clima mais voltada para os dois primeiros jogos da série – Persona 1 & Persona 2: IS / EP. Porém, para saciar a dúvida de muitas pessoas e fazer elas respirarem fundo, tranquilas sobre a qualidade e com uma frase que talvez possa ser polêmica e que eu irei me esforçar para defender e que eu consiga convencer vocês: Persona 5 The Animation em seu primeiro episódio, consegue fazer o melhor trabalho até então de como se adaptar um jogo de videogame para um Anime.

Persona 5 The Animation ele possuí traços muito bem-feitos, todos os seus cenários são bem desenhados, os seus personagens conseguem ser muito bem desenhados, a execução constante de um desenho que consegue se manter estável – ao menos no seu primeiro episódio, foi uma coisa de encher os olhos. Ele não é um Violet Evergarden, mas puta que pariu – como Persona 5 The Animation é bonito! E a sua animação apesar de não surpreender, é bem executada o suficiente para não incomodar e ser algo destoante do que os seus traços acabam sendo e do quão bonito é o seu jogo de cores, principalmente nas aparições de vermelho e preto – algo tão presente no jogo que seria um crime não se manter presente. É um show de maravilhas – não no mesmo nível de Violet Evergarden, mas que consegue transparecer bem a ideia de rebeldia nos seus personagens adolescentes e corresponder bastante as expectativas daqueles que esperavam o mesmo clima que o jogo acaba passando e como adaptação, eu estou extremamente feliz como absolutamente todos os quesitos presentes no jogo eles conseguiram transpor para apenas vinte e quatro minutos no momento.

Outro elemento que me levou água aos olhos por um momento, puramente pelo elemento nostalgia – por mais que sequer faça um ano desde o seu laçamento, é a utilização de músicas em momentos corretos e correspondentes ao próprio jogo sendo transpostos para a animação que as utiliza de maneira sútil e que integram bastante a animação e aos momentos que a direção quer passar através dela. Beneath the Mask, assim como no jogo durante o seu início, aparece um pouco escondida mas que ainda sim para aqueles que estão familiarizados com a sua presença no jogo, vão se sentir em casa quando ela tocar mesmo que por míseros segundos. E tudo isso acaba integrando, principalmente, graças ao próximo elemento que acaba por ter um excelente sentimento de que coisas estão acontecendo muito rapidamente e de maneira excelente e natural!

O Ritmo de Persona 5 é de muito bom agrado por minha parte. Ele consegue adaptar o que seria facilmente muitos minutos de diálogo do jogo em poucos segundos de cena, passando uma sensação nítida de que existe constantemente coisas acontecendo – seja na sua introdução que nós já temos um elemento surpresa, assim como no jogo e bem-adaptado aqui, um elemento de que até mesmo algo que o protagonista não estava esperando aconteceu, conseguindo transpor isso rapidamente para uma cena de interrogação e rapidamente colocar o nosso personagem nos seus momentos iniciais em Shibuya, sendo apresentado ao LeBlanc, para daqui a pouco a gente já ver ele em Yongenjaya e tudo isso acontece em poucos minutos de jogo para o que seria algo bem próximo de uma hora dentro do jogo e se esse for o ritmo de velocidade que a adaptação irá escolher, eu estou de braços abertos porque é extremamente bem-vindo!

Nada de importante foi retirado, apenas adaptado. Nós temos a introdução da história do nosso protagonista através de uma conversa expositória com Sakura Soujiro com a chegada do que foi nomeado o protagonista como Amamiya Ren – belo nome – que é bem inserida apesar de estranhamente não “natural”, mas isso até mesmo o jogo faz apesar dele ter um motivo para isso e no anime ser apenas: “Hm… não soubemos como fazer isso, apenas transpor” mas não é algo que eu levaria em consideração para tirar uma nota ou decair o anime. Algo que eu gostei bastante foi as transições do passado para o presente, já que nós teremos um estilo de história pouco experimentado nos animes e principalmente nos videogames que aqueles que conhecem a série Persona estão habituados com esses pequenos problemas que foram resolvidos com Persona 5, como sendo a sua introdução carregada e lenta onde nós temos uma construção minuciosa porém chata para alguns onde demora para acontecer qualquer situação de risco e perigo, mas que Persona 5 acaba resolvendo isso de uma maneira natural onde: O Início da História, na verdade é o meio para o fim dela e todo o decorrer será através de Flashbacks já que o nosso protagonista está em uma sala de interrogatório. Vale mencionar também que as alusões a condição do protagonista foram mantidas de maneira bem integral, além de inserir dicas sobre personagens e seus desenvolvimentos como o que nós temos da personagem Ann durante sua curta interação com o protagonista, o folheto caindo da professora Sadayo, esses pequenos recortes que para aqueles que jogaram o jogo, consegue deixar um sentimento de: “Hm, eu entendo o que você fez” e para aqueles que desconhecem o jogo, consegue passar uma ideia forte também de: “Hm, isso aqui é um foreshadowing”.

Se eu pudesse apontar apenas um quesito que me deixou um pouco decepcionado mas que eu tenho certeza de que será trazido nos próximos episódios dado que mais elementos relacionados a isso são advindos de mais profundidades que o decorrer da história proverá, é o forte sentimento de que: Esse mundo te odeia! Nós temos um protagonista que foi injustiçado ao redor de pessoas injustiçadas e que estão dentro de uma sociedade que está constantemente te punindo por você sequer ter cogitado fazer uma boa ação e que todos aqueles que estão realizando as piores ações do mundo, serão libertos e o conformismo fechará seus olhos para ele. Esses elementos de opressão contra nós – telespectadores, e principalmente protagonista, são coisas que eu esperava mais nesse primeiro episódio mas que como eu imagino que os três primeiros episódios serão adaptações rápidas sobre o arco do nosso personagem Kamoshida, talvez nós teremos mais futuramente pinceladas sobre o quão terrível esse mundo conseguirá ser. Agora a pergunta que fica e que… eu me recuso a responder ela, porque, vocês já sabem a resposta.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.