
Faltam poucos episódios para o fim de Bleach, mais de duas décadas depois da estreia do anime original, e o criador da obra acaba de revelar um pormenor curioso sobre os bastidores desta reta final, chegou a hesitar antes de se envolver diretamente na produção, com medo de estar a pisar o trabalho de outra pessoa.
O anime de Bleach estreou em 2004 e esteve parado entre 2012 e 2022, período em que os fãs ficaram sem saber como terminaria a história de Ichigo Kurosaki. Quando regressou, fê-lo com o objetivo de finalmente adaptar o arco Thousand-Year Blood War, dividido em quatro cours. O último desses blocos de episódios estreou em julho de 2026.
Depois do desfecho polémico do mangá em 2016, muito criticado pelos fãs, Tite Kubo tem estado presente em praticamente todas as fases da produção do anime, das storyboards ao design de personagens inéditas. Essa proximidade com a equipa de animação é precisamente o tema central de uma entrevista recente, partilhada no canal oficial do anime no YouTube, na qual o autor explica como chegou a desenhar storyboards para a série.
“Inicialmente tento escrever as coisas, mas é difícil de perceber dessa forma, e acaba por haver muito texto. Descobri que desenhar como um storyboard aproximado era mais fácil de entender, e também era mais fácil para mim, por isso comecei a fazer isso“, contou Kubo na entrevista.
O autor admite, no entanto, que este processo não nasceu isento de dúvidas. “Quando comecei, questionei-me se não deveria fazer isto, porque podia parecer que estava a tirar trabalho à equipa de storyboard do anime. Mas depois de ter desenhado um e eles terem ficado muito contentes com o resultado, pensei: ‘Ah, acho que não há problema em fazer isto’, e tenho feito isso com alguma regularidade desde então“, acrescentou.
A hesitação de Kubo faz sentido quando se percebe que as storyboards são, tradicionalmente, um trabalho da responsabilidade dos próprios animadores, que costumam imprimir ali uma leitura pessoal da história. Apesar de o criador já ter tido alguma participação no anime original, o grau de envolvimento atual está longe de ser comparável, algo que aliás já tinha sido confirmado em declarações anteriores, incluindo durante a apresentação na Jump Festa 2026, onde Kubo revelou estar “profundamente envolvido em absolutamente tudo” relacionado com este último cour.
Este cuidado redobrado tem tudo a ver com a forma como a história do mangá terminou. O final original, publicado em 2016, foi recebido com fortes críticas por parte dos leitores, entre queixas de um desfecho apressado e um salto temporal que deixou vários pontos da história por explicar. Kubo enfrentava, à data, problemas de saúde relacionados com anos de serialização semanal, o que também terá pesado na forma como a história foi fechada.
É por isso que o autor tem investido tanto em garantir que o anime consiga aquilo que o mangá não conseguiu, um final à altura da história. Os últimos episódios, incluindo o papel de Orihime na batalha final, já mostram como a adaptação se afastou de forma significativa do material original. Mais alterações deverão surgir até ao desfecho da série, mas, como partem do próprio Kubo, todas elas podem ser consideradas parte oficial da história.









