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Japão endurece exame de condução para idosos após acidentes serem 2,8 vezes mais frequentes

Acidentes de trânsito no Japão levam a novo teste de condução mais rigoroso para idosos

Inuyashiki carro screenshot

Em maio deste ano, em Nagoya, um condutor de 85 anos ao volante de uma carrinha de transporte atropelou mortalmente um homem e uma mulher, ambos na casa dos 30 anos. O caso voltou a colocar em cima da mesa um problema que as autoridades japonesas já tentavam resolver há alguns anos, o que fazer quando condutores idosos continuam a causar acidentes graves, mesmo depois de terem sido sujeitos a testes específicos para avaliar se ainda estão aptos a conduzir.

A resposta da Agência Nacional de Polícia do Japão chegou esta quinta-feira, com o anúncio de que o exame prático obrigatório para condutores com 75 anos ou mais que tenham historial de certas infrações rodoviárias vai tornar-se mais exigente. A decisão surge depois de dados internos mostrarem que o sistema atual não está a conseguir identificar corretamente os condutores de maior risco.

O teste de aptidão em vigor foi introduzido em maio de 2022 e aplica-se a condutores sénior que, nos três anos anteriores à renovação da carta, tenham cometido infrações como excesso de velocidade ou desrespeito por sinais luminosos. Atualmente, o exame avalia cinco manobras, entre elas parar por completo num sinal de stop e realizar viragens à esquerda ou à direita.

O problema, segundo a Agência Nacional de Polícia, é que esse crivo não tem sido suficiente. Um estudo de acompanhamento feito pela própria agência a condutores que já tinham historial de infrações e ainda assim conseguiram passar no exame prático mostrou que a taxa de acidentes deste grupo continua a ser cerca de 2,8 vezes superior à registada entre condutores da mesma faixa etária sem infrações anteriores, que apenas frequentaram o curso de formação sénior padrão para renovar a carta.

Os números gerais também preocupam Tóquio, segundo a Japan Times, os acidentes fatais provocados por condutores com mais de 75 anos têm vindo a aumentar, mesmo numa altura em que o número total de acidentes mortais no país está a descer. Cerca de 18% dos acidentes fatais registados no último ano tiveram como responsável um condutor desta faixa etária, um reflexo direto do envelhecimento da população japonesa.

O que muda no exame

Um relatório do painel de especialistas da agência, divulgado esta quinta-feira, recomenda a introdução de uma nova manobra chamada mudança de direção, pensada especificamente para verificar se o condutor consegue operar corretamente o acelerador e o travão. Na prática, o candidato terá de fazer marcha-atrás enquanto vira o volante, parar por completo e depois rodar o volante no sentido contrário para voltar a avançar. A medida surge porque continuam a registar-se acidentes atribuídos a condutores idosos que pisam, por engano, no acelerador em vez do travão.

A pontuação também vai ficar mais rigorosa. O exame funciona com um sistema de dedução a partir de 100 pontos, sendo necessário obter pelo menos 70 para ser aprovado. Entre as alterações previstas contam-se:

  • Não verificar o trânsito dos dois lados antes de parar, por exemplo num sinal de stop, passa a resultar numa dedução de 10 pontos, algo que atualmente não penaliza o condutor.
  • Em cruzamentos com obrigação de paragem, ultrapassar a linha de stop e invadir a via transversal passa a ser penalizado com o dobro dos pontos, subindo de 20 para 40.

A Agência Nacional de Polícia justificou a revisão apontando que há “muitos acidentes causados por condutores idosos que pisam por engano no acelerador em vez do travão”.

A agência vai agora avançar com as revisões regulamentares necessárias, com o objetivo de implementar as alterações em 2027.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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