
Encerrar cinco anos de serialização já é, por si só, um momento delicado para qualquer autor de mangá. Kouji Miura teve ainda de o fazer em pleno caos de mercado, depois de a revista que trazia o desfecho de Blue Box (Ao no Hako) se ter esgotado em tempo recorde em todo o Japão, não por causa da própria história, mas por causa de uma carta colecionável de One Piece.
O capítulo final de Blue Box, o número 250, foi publicado a 13 de julho na edição 33 da revista Weekly Shonen Jump. Sabendo que a procura seria elevada, a editora Shueisha decidiu imprimir 500 mil exemplares adicionais para tentar evitar rutura de stock. Não foi suficiente, a revista incluía uma carta promocional do jogo de cartas colecionáveis de One Piece, e foi precisamente esse bónus que desencadeou uma onda de compras em massa por parte de revendedores, deixando as prateleiras vazias em praticamente todas as lojas físicas.
O resultado foi previsível, muitos leitores habituais de Blue Box, que nada tinham a ver com o mercado de colecionáveis, ficaram sem conseguir comprar a edição que continha o desfecho de uma história que seguiam há cinco anos. Algumas das cartas promocionais chegaram a aparecer em plataformas de revenda por valores superiores ao preço da própria revista.
Perante a onda de queixas nas redes sociais e fóruns japoneses, o próprio Miura sentiu necessidade de se dirigir aos fãs. O autor escreveu: “Estou cheio de arrependimento e só posso pedir desculpa a quem queria ler isto na revista física esta semana mas não conseguiu. A todos os que queriam ler, muito obrigado… verdadeiramente…!”.
Um adeus emotivo, seguido de um pedido de emprego bem-humorado
Antes de se manifestar sobre o problema das vendas, Miura já tinha usado as redes sociais para se despedir da obra que definiu a última meia década da sua carreira. Numa publicação partilhada a 12 de julho, o autor escreveu: “Aquilo que desenhei porque achava bom ser também elogiado como bom por outras pessoas… não há maior felicidade do que esta. Tornou-se numa obra importante que mudou a minha vida. Foram dias muito felizes! Muito obrigado!”.
Foi depois desse agradecimento emocionado que Miura, habituado ao ritmo implacável de uma serialização semanal ininterrupta, decidiu aproveitar a exposição mediática para um pedido insólito, qualquer empresa interessada em contratá-lo deveria contactar de imediato o departamento editorial, terminando com um “por favor, deem-me trabalho… a liberdade dá medo”. A brincadeira rapidamente conquistou os fãs, que responderam com mensagens a insistir para que o autor aproveitasse antes a pausa para descansar e cuidar da saúde.
A história continua, mesmo depois do papel
O fim da serialização não significa o fim de Blue Box enquanto franquia. O volume 27 chega às lojas japonesas a 2 de outubro, e o vigésimo oitavo e último volume está agendado para 4 de dezembro deste ano.
Do lado do anime, a produção também não está a abrandar. A segunda temporada da adaptação anime, que segue Taiki Inomata e Chinatsu Kano, estreia em outubro na Netflix, mantendo viva a franquia mesmo depois de a história original ter chegado ao fim em formato impresso. Blue Box junta-se assim a outros títulos de peso da Weekly Shonen Jump, como The Elusive Samurai e Hima-Ten!, que também encerraram a sua serialização este ano.









