Guilty Gear STRIVE, a mais recente iteração da obra principal da fenomenal Arc System Works e Daisuke Ishiwatari chega-nos depois do êxito continuado nos fighting games competitivos como a série BlazBlue, Dragon Ball FighterZ, Granblue Fantasy Versus e o anterior Guilty Gear Xrd e seus updatesSIGN, REVELATOR e REV.2, continuando directamente a história da série após os eventos de Xrd.

Com uma lista de 15 personagens disponíveis, temos uma excelente selecção das personagens favoritas dos jogos anteriores, com uma grande parte de veteranos desde o Guilty Gear original, a repetentes do Xrd e ainda duas novas personagens originais – Giovanna, uma agente especial do governo Americano acompanhada de um lobo-espírito e o brutalíssimo Nagoriyuki, o vampiro samurai com um conjunto de mecânicas bastante únicas. E não vale a desesperar, porque já temos pelo menos mais cinco personagens em desenvolvimento para o Season Pass 1, portanto de certeza que voltarão muitos mais ícones da série!

Como muitos saberão, a série Guilty Gear, especialmente Xrd, sempre cumpriu a máxima de ser “fácil de aprender, difícil de dominar”, com um punhado de movimentos técnicos ao mais alto nível, mesmo em relação a outros fighting games. Há um Tutorial Mode para os iniciados que ensina os mais básicos dos movimentos, mas para quem quiser realmente dominar todas as mecânicas, o Mission Mode irá levar qualquer jogador ao topo, com exercícios de uso prático, tornando essas mecânicas acessíveis e mais fáceis de entender sem simplificar o jogo em demasia para os veteranos da série (exactamente aquilo a que a Arc System Works se propôs a fazer durante o desenvolvimento do jogo).

Ainda assim, algumas das mecânicas presentes na série, bem como algumas introduzidas em Xrd foram retiradas para melhorar o equilíbrio do jogo, enquanto que outras foram afinadas. Juntando isso ao excelente matchmaking online, que está genuinamente dependente do skill level dos jogadores, evitando assim que novatos sejam apanhados desprevenidos e joguem com outros jogadores do seu nível através de um sistema de “andares” numa torre com um total de 10 andares, onde o nosso rating, actualizado a um determinado numero de combates, apenas nos permite aceder aos andares do nosso rating ou superiores, para quem quiser um desafio.

Para além disso, podemos também selecionar a região dos servidores onde queremos jogar de entre 10 regiões disponíveis, e com STRIVE a implementar pela primeira vez rollback netcode, uma técnica de transmissão de dados entre jogadores, que cada vez mais se torna a norma em jogos de luta como a principal forma de evitar qualquer tipo de lag ou delay (embora a recomendação seja de utilizar a região mais próxima) podemos afirmar que as partidas que fizemos em outras regiões todas correram sem qualquer tipo de problemas técnicos, mesmo durante o fim-de-semana!

Não deixamos de ter um Arcade Mode, assim como um simples modo VS e até mesmo um Survival Mode, onde mesmo as lutas contra o CPU não nos dão abébias e puxam por nós (com vários níveis de dificuldade, claro). Temos também à nossa disposição o GG World, que nos apresenta um glossário de termos, pessoas, organizações, eventos e imensa informação em texto sobre o universo Guilty Gear, bem como uma Timeline extremamente compreensível com os grandes eventos espalhados pelos mais de 150 anos passados através de todos os Guilty Gears e ainda gráficos de relações entre personagens, com a sua evolução ao longo da série e “paragens” nos momentos mais importantes.

O Story Mode, tal como em Xrd, está completamente separado da parte jogável, sendo apresentado como um filme animado no motor gráfico, com os visuais absolutamente soberbos a que a Arc System Works nos tem habituado, com um nível de produção ao nível dos melhores animes, somando mais de quatro horas divididas por vários capítulos, e inclui algumas personagens que ainda não são jogáveis em STRIVE, deixando-nos a pensar em quem serão os próximos escolhidos para se juntarem aos restantes 15.

Não podemos deixar de mencionar a incrivelmente energética banda sonora, como tem sido costume da série Guilty Gear, e STRIVE não é excepção. Com enormes guitarradas e hinos ao heavy metal compostas pelo próprio Daisuke Ishiwatari como acontece desde o primeiro jogo, já nem sequer conseguimos imaginar Guilty Gear com outro tipo de música de fundo.

STRIVE consegue ser assim um excelente ponto de partida para aquilo que é o definitivo próximo passo na série Guilty Gear, resolvendo muitos dos problemas iniciais de Xrd e demonstrando um enorme potencial de desenvolvimento, algo que a Arc System Works tem vindo a tornar-se perita em realizar ao longo das várias adições, afinações e upgrades que vão fazendo no tempo de vida dos seus jogos.

Review por Tiago Vasconcelos.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.