
O WhatsApp está prestes a mudar a forma como as pessoas se contactam dentro da aplicação. A Meta anunciou esta semana a introdução de nomes de utilizador, uma funcionalidade que vai permitir substituir o número de telefone por um identificador à escolha de cada pessoa, protegendo assim esse dado mais sensível de quem preferir não o partilhar. A funcionalidade ainda não está activa e só deverá chegar de forma faseada a todo o mundo ao longo dos próximos meses, mas as reservas de nomes já abriram, e há quem já esteja a correr para garantir o identificador que quer usar.
Como reservar já o teu nome de utilizador
Por agora, a possibilidade de reservar um nome de utilizador só está disponível nas versões móveis do WhatsApp. Se mantiveres a aplicação actualizada, poderás receber uma notificação a avisar que já podes fazer a reserva. Caso prefiras não esperar por essa notificação, ou receies tê-la perdido, o caminho até ao menu é este:
No iPhone:
- Toca no botão “Tu”
- Toca no teu perfil
- Escolhe “Criar nome de utilizador” ou “Reservar nome de utilizador” (a opção apresentada pode variar consoante a fase do lançamento em que a tua conta se encontra)
- Toca em Guardar e depois em Concluído
No Android:
- Toca no menu de três pontos
- Toca em Definições
- Toca no teu perfil
- Escolhe “Criar nome de utilizador” ou “Reservar nome de utilizador” (mais uma vez, a opção disponível depende do que já chegou à tua conta)
- Toca em Guardar e depois em Concluído
As regras que vais ter de respeitar
Tal como acontece na generalidade das redes sociais, cada nome de utilizador tem de ser único. Isto significa que, por mais que queiras chamar-te de uma determinada forma, se outra pessoa já tiver garantido esse nome antes de ti, vais ter de escolher uma alternativa. A única forma de conseguires recuperar um nome já reservado por outra pessoa é se essa pessoa decidir mudar de identificador, algo que pode acontecer, e, mesmo nesse caso, o nome libertado só volta a ficar disponível 14 dias depois de ser alterado ou apagado. A Meta ainda não avançou quantas vezes cada pessoa poderá mudar o seu nome de utilizador, mas confirmou que, em algum momento, vai aplicar um limite a essas alterações.
Nos menus mencionados acima, quem não quiser criar um identificador novo de raiz vai encontrar também a opção de importar directamente o mesmo nome de utilizador já usado no Facebook ou no Instagram, desde que ninguém o tenha reservado entretanto. Ainda assim, quem procurar sobretudo privacidade poderá preferir optar por um nome distinto dos que já usa nas restantes redes da Meta.
Em termos práticos, os nomes de utilizador têm de ter entre três e 35 caracteres, podendo incluir letras minúsculas, números, traços inferiores e pontos. Não é permitido escolher um nome composto apenas por números, e a Meta também bloqueará “palavras ou expressões restritas”, sem especificar exactamente quais.
Nem tudo são boas notícias: o risco de burlas
A Meta garante que já tem mecanismos pensados para reduzir o risco de fraude, como uma chave de autorização que será pedida sempre que alguém contacte outra pessoa pela primeira vez através do nome de utilizador. Ainda assim, há quem tema que a introdução de identificadores não verificados possa facilitar a vida a burlões, ao permitir-lhes fazerem-se passar por outra pessoa com maior facilidade. A Meta garante que não vai deixar qualquer pessoa reivindicar nomes de figuras públicas conhecidas, mas ainda não explicou em detalhe como vai impedir tentativas de imitação mais subtis.
Segundo um porta-voz da própria WhatsApp “para proteger contra a personificação, reservámos os nomes de maior notoriedade — pensem em figuras públicas, entidades governamentais, celebridades, contas verificadas da Meta — para que só possam ser reivindicados pelos seus verdadeiros donos, e também retivemos variações semelhantes a nomes conhecidos”. O mesmo responsável acrescentou que “os restantes utilizadores precisam de saber o nome de utilizador exacto para te poderem contactar. Vamos limitar quantas pessoas novas uma conta pode contactar, bloquear tentativas repetidas de adivinhar a chave do nome de utilizador de alguém, e temos sistemas para detectar e remover actividade que mostre padrões comuns de personificação e abuso”.
Convém não esquecer que, mesmo com nomes de utilizador, continua a ser necessário um número de telefone para usar o WhatsApp, o novo identificador serve apenas para não teres de o partilhar publicamente com quem te contacta.
A Índia já travou o avanço da funcionalidade
Ainda antes de a funcionalidade chegar sequer a ficar totalmente disponível, o WhatsApp já enfrenta resistência por parte de um dos seus mercados mais importantes. Segundo a Reuters, o Ministério indiano da Electrónica e das Tecnologias de Informação, conhecido como MeitY, enviou uma notificação formal à Meta a exigir a suspensão do lançamento dos nomes de utilizador no país, dando à empresa um prazo de três dias para justificar por que motivo não deveria haver acção regulatória sobre o tema.
Segundo a notificação citada pela Reuters, os nomes de utilizador “podem facilitar a personificação e a falsificação de identidade, incluindo a personificação de indivíduos, autoridades públicas, instituições financeiras e agências governamentais”. O documento pede ainda que a funcionalidade fique em suspenso “até que a consulta sobre este ponto seja alcançada a contento do Governo”.
A Índia é, actualmente, o maior mercado do WhatsApp em todo o mundo, com mais de 500 milhões de utilizadores. O receio das autoridades locais prende-se sobretudo com um possível aumento de casos de phishing, burlas do tipo “prisão digital” e personificação de bancos ou entidades oficiais através de nomes de utilizador semelhantes aos verdadeiros.
Este não é, de resto, o primeiro confronto entre Nova Deli e uma aplicação de mensagens a propósito de funcionalidades que dificultam a identificação de quem está por detrás de uma conta, pouco antes, o Telegram tinha travado uma batalha semelhante no Supremo Tribunal de Deli, depois de as autoridades associarem canais da aplicação à venda de provas alegadamente roubadas de um exame nacional de acesso a cursos de Medicina, uma disputa que o Telegram acabou por perder.









