
O universo do anime está a atravessar uma fase de consolidação. Poucos dias depois de a TMS Entertainment ter anunciado a absorção da Telecom Animation Film, foi a vez do estúdio MAPPA, responsável por títulos como Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man, confirmar que vai integrar na sua estrutura a produtora Contrail.
A Contrail será formalmente dissolvida, com a MAPPA a assumir todos os seus direitos e obrigações. Uma movimentação que, apesar de discreta, tem implicações significativas para pelo menos um projeto que estava em curso.
A Contrail não nasceu de forma independente. Foi fundada em 2019 pelo diretor Sunao Katabuchi, conhecido internacionalmente pelo filme In This Corner of the World, com o apoio financeiro da própria MAPPA. O objetivo era simples, criar uma estrutura dedicada exclusivamente aos projetos futuros de Katabuchi, dando-lhe autonomia criativa dentro de um ecossistema já estabelecido.
Katabuchi dirigiu animes como Black Lagoon, Black Lagoon: Roberta’s Blood Trail, Black Lagoon: The Second Barrage, Mai Mai Miracle, Princess Arete e Meiken Lassie. Ele escreveu e dirigiu o filme In This Corner of the World, aclamado pela crítica, que estreou em novembro de 2016. A versão estendida do filme, In This Corner (and Other Corners) of the World, estreou no Japão em dezembro de 2019.
O modelo funcionou durante alguns anos, mas os números acabaram por contar outra história. De acordo com as informações divulgadas, a Contrail registou um prejuízo de 68 milhões de ienes, cerca de 434 mil dólares, no ano fiscal encerrado em março de 2025, acumulando dívidas que tornaram insustentável a sua continuidade como entidade independente.
É aqui que reside a principal incerteza. A Contrail estava em plena produção de The Mourning Children: Nagiko and the Girls Wearing Tsurubami Black (Tsurubami-Iro no Nagiko-tachi), uma longa-metragem original de animação com Katabuchi na direção. Até ao momento, não foi emitida qualquer declaração oficial sobre o destino do projeto, nem pela MAPPA, nem pelo diretor.
A lógica da aquisição sugere que o filme será continuado sob a alçada da MAPPA, uma vez que a empresa passa a deter todos os direitos associados à Contrail. Mas trata-se ainda de uma suposição, sem confirmação formal.
A MAPPA tem vindo a crescer de forma acelerada nos últimos anos, tornando-se num dos estúdios mais influentes do setor. A absorção da Contrail encaixa nessa trajetória de expansão, embora levante também questões sobre as condições de trabalho e a capacidade de gestão de múltiplos projetos em simultâneo, um tema que tem gerado debate recorrente em torno do estúdio.










Uma pequena atualização: Katabuchi clarificou na sua conta de Twitter que a marca Contrail continuará a existir mesmo após a dissolução do estúdio.