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A Kadokawa foi direta quando o jornal japonês Sankei Shimbun lhe perguntou o que mudaria com a chegada de um novo e poderoso acionista. “Embora as nossas políticas administrativas não sejam influenciadas pelas ações de acionistas individuais, pretendemos continuar a fazer esforços constantes que contribuam para o nosso crescimento contínuo”, responderam os representantes da editora japonesa.
A declaração surge num momento de pressão crescente. A Oasis Management Company, fundo ativista com sede em Hong Kong, tornou-se o maior acionista da Kadokawa após submeter a 30 de março um relatório ao Ministério das Finanças japonês a declarar uma participação de 13,76%, acima dos 10,09% que a Sony detém na empresa. O fundo aumentou o número de ações de pouco mais de 17,6 milhões para mais de 20,5 milhões.
O que torna esta situação particularmente notável não é apenas a dimensão da participação, mas a velocidade a que foi construída. A 19 de março, a Oasis cruzou pela primeira vez o limiar dos 5%, o patamar que, no Japão, obriga à declaração pública como “grande acionista”, com uma participação de 8,86%. Menos de uma semana depois subiu para 10%, e a 26 de março já tinha 11,85%, ultrapassando a Sony. A 30 de março chegou aos 13,76% atuais.
A Oasis não é um fundo de investimento passivo. Trata-se de um investidor ativista com um historial considerável no mercado japonês, esteve envolvido em processos de pressão na Toshiba, na Fujitec e na Nintendo, entre outras empresas. No caso da Kadokawa, declarou que o propósito da aquisição é “investimento em carteira” e “atividades de proposta importantes” no interesse de “proteger o valor para os acionistas”. Nada mais específico foi divulgado até ao momento.
A Kadokawa, por sua vez, acrescentou na mesma declaração ao Sankei que é sua política “abster-se de comentar” a “existência ou conteúdo de discussões com acionistas individuais”, o que, na prática, significa que não confirma nem desmente qualquer conversa em curso com a Oasis.
Fundo que quis cobrar pelo salto do Mario comprou mais ações da Kadokawa e já ultrapassa a Sony
Junho como próximo momento decisivo
A assembleia geral de acionistas da Kadokawa está marcada para junho deste ano. Será aí que a Oasis terá oportunidade formal de apresentar propostas concretas à gestão, caso opte por fazê-lo. A Kadokawa é dona da FromSoftware, estúdio por detrás de Elden Ring e da série Dark Souls, além de ser uma das maiores editoras de mangá e produtoras de anime do Japão, com franquias como Re:Zero e Oshi no Ko no seu portefólio.
A Sony, que em dezembro de 2024 anunciou uma parceria estratégica com a Kadokawa acompanhada de um investimento de 50 mil milhões de ienes, mantém a sua participação de cerca de 10% e passa agora para segundo acionista.








